Fusão deve juntar Zenaide Maia, pró-Lula, e Fábio Dantas, apoiador de Bolsonaro, no mesmo partido
Natal, RN 24 de abr 2024

Fusão deve juntar Zenaide Maia, pró-Lula, e Fábio Dantas, apoiador de Bolsonaro, no mesmo partido

8 de outubro de 2022
5min
Fusão deve juntar Zenaide Maia, pró-Lula, e Fábio Dantas, apoiador de Bolsonaro, no mesmo partido

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Seis partidos não atingiram a cláusula de barreira após o primeiro turno das eleições e devem buscar alternativas para continuar recebendo financiamento eleitoral. Entre eles, Pros e Solidariedade, que anunciaram uma fusão partidária nesta sexta-feira (07). No Rio Grande do Norte, a junção deve colocar a senadora Zenaide Maia (Pros) ao mesmo partido do ex-vice-governador e candidato derrotado ao Governo deste ano, Fábio Dantas (SD), além do deputado estadual também derrotado, Kelps Lima (SD).

Nacionalmente, as duas siglas compõem a coligação que apoia Lula (PT) à presidência. O comunicado sobre a fusão foi assinado pelos presidentes das duas siglas, Eurípedes Jr (Pros) e Paulinho da Força (SD). Em nota, os dirigentes afirmaram que a unidade foi “motivada pela identidade, compatibilidade de valores e visão compartilhada do projeto político nacional.”

Embora destaquem a proximidade à nível nacional, os dois partidos pertencem a diferentes campos políticos no Rio Grande do Norte. A senadora Zenaide Maia se elegeu em 2018 alinhada aos partidos de esquerda e centro-esquerda, e contou com o apoio da governadora Fátima Bezerra (PT). Neste ano, a sigla compôs a coligação vitoriosa que reelegeu Fátima em primeiro turno. No Estado, ela é ainda vice-presidente do Pros.

Essa é a segunda vez que Maia precisa mudar de partido por conta da cláusula. Há quatro anos, ela foi eleita pelo PHS, que não atingiu os requisitos mínimos e se incorporou ao Podemos, do também senador potiguar Styvenson Valentim. Assim, a parlamentar deixou o partido e foi para o Pros. 

Já o Solidariedade é comandado localmente pelo deputado estadual Kelps Lima, crítico da gestão Fátima. Kelps concorreu este ano como candidato a deputado federal mas não se elegeu. Na disputa majoritária, o partido lançou Fábio Dantas como candidato ao Governo. Anteriormente, Dantas foi vice-governador de Robinson Faria. 

Alinhada ao bolsonarismo, a chapa apoiou Rogério Marinho (PL), ex-ministro do Desenvolvimento Regional do governo Bolsonaro, para o Senado. Na reta final da campanha, Fábio Dantas também buscou se associar diretamente ao presidente, participando de uma motociata e comício ao lado de Bolsonaro, realizado em Natal.

Zenaide é crítica de reforma trabalhista e previdenciária; Fábio Dantas defende privatização

No Senado, Zenaide Maia se notabilizou como uma voz contrária a medidas de retiradas de direitos. Na votação da Reforma da Previdência, em 2019, ela votou contra ao lado do senador Jean Paul Prates (PT). À época, afirmou: “É muito triste ver os colegas senadores condenando os trabalhadores a nunca se aposentarem”.

Em outra sessão, também discursou contra a reforma trabalhista, aprovada no governo Michel Temer (MDB) e que teve o então deputado federal Rogério Marinho (ex-PSDB, hoje no PL) como relator. “A reforma trabalhista, em resumo, não gerou os empregos que prometeu, precarizou o trabalho de brasileiros e brasileiras e ainda limitou o acesso à Justiça do Trabalho”, criticou.

Fábio Dantas, por sua vez, construiu a campanha deste ano ao lado de Marinho. No seu plano de governo, ele estimulava a concessão de equipamentos públicos do Estado para a iniciativa privada, como o Novo Museu da Rampa, o Centro de Convenções, os Parques estaduais, Teatros, Forte dos Reis Magos e Pinacoteca. Ex-vice-governador de Robinson Faria, saiu da gestão deixando quatro folhas de pagamento dos servidores em atraso, que só foram quitadas pelo governo Fátima. 

Cláusula de barreira

A cláusula de barreira é um dispositivo em vigor desde 2018 que projeta um patamar mínimo de votos que os partidos devem alcançar nacionalmente na eleição para a Câmara Federal. Caso não alcancem os requisitos, as siglas perdem o horário eleitoral gratuito e recursos do fundo partidário. Por isso, para parlamentares, estar em um partido que atenda à cláusula e receba financiamento é questão de sobrevivência. Uma alternativa encontrada, como no caso do Pros e Solidariedade, é fazer fusões e, assim, continuar recebendo os recursos.

Neste ano, a cláusula exigia que as legendas elegessem pelo menos 11 deputados federais em um terço das unidades da federação, ou que conseguissem ao menos 2% dos votos válidos, com um mínimo de 1% em nove estados.

O Pros elegeu três deputados, sendo um no Rio de Janeiro, Paraná e Minas Gerais, além de contar com o mandato de Zenaide, que vai até 2027. Já o Solidariedade elegeu quatro deputados, no Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco e Minas Gerais, além do governador de Amapá. A sigla tem ainda a possibilidade de vencer com Marília Arraes, que disputa o segundo turno em Pernambuco. Portanto, não conseguiram atingir o mínimo de 11 deputados, mesmo com a futura fusão. A “salvação” para as legendas é que elas conseguiram superar o outro critério, de pelo menos 2% dos votos válidos nacionais, e 1% dos válidos em pelo menos nove estados.

Além de Pros e Solidariedade, PSC, Patriota, Novo e PTB também foram atingidos pela regra.

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