Eleita deputada, Divaneide celebra conquistas do PT: “a gente lutou contra o orçamento secreto”
Natal, RN 26 de fev 2024

Eleita deputada, Divaneide celebra conquistas do PT: “a gente lutou contra o orçamento secreto”

3 de novembro de 2022
10min
Eleita deputada, Divaneide celebra conquistas do PT: “a gente lutou contra o orçamento secreto”

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Divaneide Basílio, 44, chega a seu primeiro mandato na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. A atual vereadora de Natal pelo PT é socióloga e será a primeira mulher preta deputada do RN. No futuro mandato, um desafio: ajudar a bancada governista – da governadora reeleita Fátima Bezerra (PT) – e ampliar as pautas progressistas e dos Direitos Humanos que há defende na Câmara de Natal.

Nesta entrevista à agência Saiba Mais, Diva, como também é conhecida, falou sobre o aumento das bancadas do partido na ALRN e na Câmara Federal e a costura de apoios que Fátima terá que enfrentar na próxima legislatura. Para ela, “esse é o momento de informar que a eleição encerra e que inicia uma gestão”, deixando desavenças de lado. 

No cenário federal, defendeu a necessidade do diálogo com eleitores que votaram em Bolsonaro contra Lula. Numa eleição vencida pelo petista com 1,8% de votos a mais, afirmou que nem todos os eleitores do atual presidente são necessariamente de sua base radical. 

Respaldou ainda a vitória do petista na presidência, apesar das dificuldades de lutar contra Bolsonaro e sua máquina pública na mão (“a gente lutou contra o orçamento secreto, a gente lutou com 100 anos de sigilo”). Em um momento de tensões sobre a transição de governo, com protestos golpistas ainda acontecendo ao redor do país, vê uma imaturidade do presidente em sua demora em reconhecer a derrota.

Na Assembleia, entretanto, encara a próxima legislatura com bons olhos e quer, ao lado de Fátima e Lula, fazer um mandato à serviço do povo do seu Estado e das mulheres. Confira a entrevista com a vereadora de Natal e deputada estadual eleita, Divaneide Basílio.

Agência Saiba Mais: O prefeito de Natal, Álvaro Dias (PSDB), apoiou Bolsonaro na disputa presidencial e assumiu a coordenação de campanha do candidato com a missão de reverter a derrota sofrida contra Lula no primeiro turno, mas não conseguiu. O que as eleições de 2022 deixam como recado para o prefeito?

Essa eleição como um todo é para poder continuar reafirmando a vitória da democracia. Nesse exato momento, eu tô passando aqui e tô vendo pessoas em frente ao Exército pedindo intervenção federal. Ora, perceba: em 2018 nós perdemos as eleições, inclusive tendo um golpe no meio da eleição que foi Lula não tendo o direito de ser candidato e nem assim nós pedimos intervenção de forma alguma. Nós respeitamos o resultado das urnas porque nós participamos das urnas. Mas o que acontece é que todos esses anos do governo Bolsonaro ficou provado que as pessoas estavam ansiosas pelo retorno da democracia. Está aí o que aconteceu em muitas cidades assim como Natal, em que prefeitos apoiaram Bolsonaro e o povo lutou nas ruas e deu vitória a Lula. Você passa nas ruas da cidade e percebe que a cidade não tem sido zelada de forma adequada. E agora a gente está aí com professores sem ter atualização salarial do seu piso, uma cidade que não respeita o seu servidor. Aí o prefeito ainda faz um apoio na contramão da história, que é justamente apoiar uma candidatura expressamente contrária à democracia. Mas o povo foi lá e disse que estava com Lula, inclusive na nossa cidade de Natal. O impacto disso é muito importante. É um alerta de que não adianta tripudiar. Uma hora o eleitor percebe que está sendo enganado, percebe a diferença e estou muito feliz que o eleitor de Natal entendeu. 

O PT-RN cresceu na ALRN e na Câmara. O que isso representa para o partido no Estado?

A gente se fortaleceu e isso não é uma coisa menor. A gente diz que o melhor vai começar e não dá para deixar a Fátima sozinha, que vamos ampliar nossa bancada, vamos fortalecer o modo petista de legislar e de governar, que é totalmente voltado para democracia, para inclusão, para as políticas sociais, mas também entendendo a importância da economia, de conciliar um estado que se desenvolva respeitando o meio ambiente, por exemplo. No âmbito federal nós vamos ter dois deputados, Fernando Mineiro e Natália Bonavides, sendo essa ponte com o governo federal. Na eleição passada também fomos prejudicados por esse impacto de redução da democracia com o golpe que o deputado Mineiro sofreu. E agora as urnas devolvem ao presidente Lula e ao deputado Mineiro o direito tanto de governar o país, como o direito de ter esse interlocutor. Na Assembleia Legislativa da mesma forma. Nós reelegemos Francisco e Isolda Dantas, dois companheiros valiosíssimos. Outros aliados da Federação também foram eleitos e eu entro para ampliar a bancada petista. Isso significa dizer que o melhor vai começar de fato.

Você chega não só para fortalecer a bancada petista, mas também sendo a primeira deputada estadual preta da Assembleia. Por outro lado, embora tenha existido uma ampliação da bancada do PT, também houve um crescimento do campo da direita. Qual será a cara da Assembleia que se desenha para 2023?

Eu quero afirmar essa identidade, a representatividade. Agradecer o movimento Vote em Negra, o Elas por Elas do nosso partido. Agradecer a luta que nós mulheres negras implementamos em todo o país para aumentar nosso espaço de representação. Eu fico feliz, mas ainda é difícil ser uma exceção. Que a regra possa mudar, que mais mulheres negras possam ocupar esse espaço. A gente tá abrindo caminhos para puxar outras companheiras e eu quero que Fátima saiba que vai poder contar com uma Assembleia que apesar de sua diversidade, vai ter lá uma frente de resistência, de luta, que vai ser ponte para fazer o melhor aqui no Estado do Rio Grande do Norte.

Você acredita que vai ser possível costurar apoios ou ampliar a bancada governista?

Acredito sim. A governadora Fátima já demonstrou muita habilidade e muita maturidade na construção de caminhos para fortalecer o diálogo. Esse é o momento de informar que a eleição encerra e que inicia uma gestão. E que essa gestão tem que pensar de forma ampla, tem que unir esforços para melhoria do Rio Grande do Norte e pensar em união, como o presidente Lula tem falado. O presidente [Lula] é de fato um republicano, que sempre apostou nas políticas públicas, e eu vejo a governadora Fátima seguir esse mesmo caminho. Me deixa muito feliz saber que a nossa governadora vai sim dar continuidade a esse projeto que já iniciou nesses quatro anos, de arrumar a casa, de entrega de espaços importantes do Estado do Rio Grande do Norte. Imagine agora que ela vai ter condições reais de fazer isso tudo da melhor forma com um governo do presidente Lula do seu lado, então vai ser uma diferença.

No cenário nacional, Lula venceu mas por uma margem apertada, mesmo enfrentando um candidato de extrema-direita. O que isso diz do Brasil de hoje?

Você vai ter pessoas que circunstancialmente votaram agora em Bolsonaro por motivações diversas, mas que não estavam nem compondo esse campo. Então é preciso chamar essas pessoas para o diálogo. É importante dizer também que da eleição de 2018 para cá, nós tivemos um grande crescimento, ao passo que Bolsonaro perdeu apoio. Basta fazer o comparativo dos votos que ele teve antes e do que ele teve agora. Simbolicamente parece um aperto, mas tem milhões de diferença. Então eu estou chamando atenção também para isso, que a diferença não é pouca coisa. E, claro, a gente lutou contra o orçamento secreto, a gente lutou contra 100 anos de sigilo. Mas a nossa vitória demonstra que a gente vai ter um estado e um país mais forte. Eu acredito nisso.

Depois de perder, Bolsonaro não reconheceu o resultado rapidamente e só fez um pronunciamento oficial mais de 40 horas depois, ainda assim sem citar o vencedor da disputa. Como você avalia esse posicionamento? A transição de governo deve seguir pacífica?

Isso demonstra uma imaturidade e uma falta de respeito ao povo brasileiro. Isso demonstra que o país estava nas mãos da pessoa errada. Uma pessoa que não tem coragem sequer de fazer um pronunciamento de forma adequada e respeitosa ao seu povo, e que fica dando margem para essas manifestações que não são manifestações pelo direito de governar. São manifestações para uma intervenção. Estão forçando a barra de existir um terceiro turno. Isso não existe. A capacidade de respeitar as instâncias e a democracia ele [Bolsonaro] não tem.

Anteriormente, você citou que passou pela avenida Hermes da Fonseca, onde bolsonaristas realizam um ato por intervenção. No Brasil, as manifestações golpistas acontecem desde segunda (31). O presidente também evitou rechaçar os bloqueios com veemência. O que isso sinaliza para essa base radicalizada? Há perigo de golpe?

Qualquer tentativa feita nesse sentido é um tiro no pé. É a prova concreta de que afronta a democracia e que vai ser rechaçada pelo povo brasileiro. Tá se tornando ridículo isso que tá acontecendo, porque não tem outra palavra para utilizar senão essa. Tem sido ridículo a forma como essas manifestações – que não são manifestações democráticas, importante dizer isso. São manifestações pela retirada da democracia.

Voltando para a Assembleia, você foi eleita enquanto mulher, negra, feminista. O que você espera poder realizar enquanto deputada?

Eu espero poder aprovar projetos importantes para o meu estado e para as mulheres. Já vou me reunir agora com uma mulher artista de luta que atua junto a outras mulheres que estão aí fazendo trabalho com os quintais produtivos, com trabalhos que mudam a vida e a realidade das pessoas. Eu tô vindo agora da formatura dos egressos do sistema prisional. Nosso gabinete pôde ser parte de receber uma jovem que fez o curso de administração no IFRN e que vai mudar sua trajetória de vida. Então eu quero continuar sendo uma ponte para que as pessoas vivam com dignidade. Hoje, na Comissão de Direitos Humanos da Câmara, nós aprovamos a semana das famílias atípicas, e eu quero estender isso para todo o Rio Grande do Norte. O sonho é que a gente possa não ter violência política, enfrentar todo e qualquer universo e ambiente de ódio instalado no nosso país e no nosso estado, e que a gente possa fazer da Assembleia um lugar respeitoso e de afirmação da democracia. Esse é o nosso desejo.

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