“O foco é quem planejou e quem financiou”, diz Mineiro sobre objetivo do governo na CPMI dos atos golpistas
Natal, RN 16 de jul 2024

“O foco é quem planejou e quem financiou”, diz Mineiro sobre objetivo do governo na CPMI dos atos golpistas

28 de abril de 2023
4min
“O foco é quem planejou e quem financiou”, diz Mineiro sobre objetivo do governo na CPMI dos atos golpistas

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Deputado federal em primeiro mandato, Fernando Mineiro (PT-RN) disse em entrevista ao Balbúrdia, nesta sexta-feira (28), que o foco do governo na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos atos golpistas será saber como se constituíram as caravanas antidemocráticas que depredaram a praça dos Três Poderes em Brasília no 8 de janeiro.

“O foco é o seguinte: quem planejou e quem financiou. O Brasil tem um grande problema de resgate histórico, de memória, de expor quem está por trás das barbáries. Essa CPMI agora vai ser uma oportunidade para a gente saber quem foi que financiou”, afirmou.

O pedido de abertura da comissão foi lido nesta quarta (26) pelo presidente do Congresso, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). De acordo com o requerimento, a comissão será constituída por 16 senadores e 16 deputados, com igual número de suplentes, sendo um deles representante da Minoria em cada Casa. O grupo terá prazo de 180 dias.

Para Mineiro, as atenções iniciais da bancada governista estavam voltadas para a “reconstrução do Brasil”, mas agora a base do presidente Lula deverá centrar mais olhares também para a CPMI.

“Já que querem instalar, vamos nessa. Nós queremos que seja instalada. Vamos gastar uma energia nessa história. Nosso entendimento é que os órgãos de controle já estavam investigando, as polícias estão investigando, tá tocando. Tem inclusive vários processos, já foram acolhidas denúncias sobre 100 pessoas, no próximo lote devem ser mais 200. Mas se querem, vamos lá”, comentou.

Nova maioria

De acordo com o petista, a disputa que elegeu Lula em 2022 “foi a união de várias forças políticas para reconstruir o Brasil”. Ainda assim, ele vê a necessidade de “construir uma nova maioria”. 

“A minha leitura é que vamos passar um bom tempo para construir uma nova maioria política, ideológica, cultural no Brasil. Isso leva um tempo, porque o processo que vivemos na história recente do Brasil foi um processo de destruição de muitas coisas. Disputa, destruição de valores, de políticas públicas”, disse.

“Essa derrocada de uma série de políticas iniciou com o golpe da presidenta Dilma, e de lá pra cá muitas ações aconteceram visando interromper um processo que vinha em curso na sociedade brasileira desde o início dos anos 1990, 2000. Esse processo mais regressivo acontece a partir de 2015”, frisou.

Projetos

Mineiro já chegou a Brasília com dois projetos relacionados ao 8 de janeiro. O primeiro visa transformar a data em dia de defesa da democracia e combate ao fascismo. O segundo quer criar, na Câmara dos Deputados, um memorial em defesa da democracia.

“Esses projetos estão tramitando. Na Câmara é lenta essa tramitação. Mas é fundamental que a gente resgate esses momentos. Fundamental que quem visitar a Câmara saiba que no 8 de janeiro houve aquela barbárie, que a gente exponha o que aconteceu, para que não se repita isso. Você vai, por exemplo, em Berlim, e tem lá uma área destinada a lembrança do Holocausto. Você tem em São Paulo áreas que eram presídios da ditadura e que estão transformadas em centros culturais. Você vai em Cabo Verde e tem lá as áreas de onde partiram os navios com o povo negro escravizado que foram trazidos para cá. São fundamentais para você construir a identidade do povo, para você mostrar às novas gerações o que aconteceu e para não se repetir”, frisou.

“No Brasil as coisas se repetem porque as pessoas não sabem da história. Mas a gente precisa passar a limpo o que aconteceu na história recente brasileira, tanto ódio que estava no armário e veio à tona”, ressaltou o parlamentar.  

Confira a entrevista completa:

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