Em Parnamirim, vereador ataca LGBTs, interrompe mulher e é rebatido por colegas: “sentimento de ódio”
Natal, RN 1 de mar 2024

Em Parnamirim, vereador ataca LGBTs, interrompe mulher e é rebatido por colegas: “sentimento de ódio”

6 de setembro de 2023
4min
Em Parnamirim, vereador ataca LGBTs, interrompe mulher e é rebatido por colegas: “sentimento de ódio”

Ajude o Portal Saiba Mais a continuar produzindo jornalismo independente! Apoie com qualquer valor e faça parte dessa iniciativa.

Quero Apoiar

O vereador Gabriel César (PL) aproveitou a sessão desta terça-feira (5) na Câmara Municipal de Parnamirim para voltar a proferir ataques contra pessoas LGBT. O motivo da revolta foi o uso de uma bandeira do arco-íris por uma banda marcial no desfile cívico-militar da cidade, que aconteceu na última sexta (1). Ele foi rebatido por ao menos outros sete parlamentares, que classificam as atitudes como discurso de ódio.

Tudo começou a partir da participação da Banda Marcial Felipe Tavares, de uma escola de São José de Mipibu, que durante o desfile exibiu uma bandeira LGBT. Gabriel César foi às redes sociais e disse que havia “imposição de uma ideologia dentro das escolas”.

Nesta terça, já na tribuna da Câmara, usou mais uma vez seu tempo de fala para discursar contra o uso do item no desfile.

“Fiz um vídeo me posicionando contrário àquela bandeira porque eu sou representante de um segmento. Eu represento o segmento evangélico e não concordo com 100% das pautas que são levantadas pelo ativismo LGBT”, afirmou.

O parlamentar é o presidente do PL Parnamirim, mesma sigla que abriga o ex-presidente Jair Bolsonaro. Nas redes sociais, não esconde o apreço pelo ex-presidente e seus aliados. Exibe fotos com Bolsonaro, com o senador Rogério Marinho, com o deputado federal Sargento Gonçalves e outros.

As falas de Gabriel foram logo rebatidas. O primeiro a retrucar foi Cesar Maia (PSB).

“Falas como a do senhor propagam o ódio”, disse.

Fativan Alves (PV) seguiu, afirmando que era “triste escutar” aquilo “de um homem de Deus”. 

“Eu não esperava que o senhor tivesse tanto ódio no seu coração”, completou.

Já Ítalo Siqueira (PSDB) classificou o discurso como “infeliz”.

“Você traz pra gente um pensamento de retrocesso, de trevas. Não cabe mais nos dias atuais. O Brasil é plural. A bandeira do Brasil é plural. A bandeira do desfile é um detalhe. Você se importou com um detalhe”, criticou.

Quem deu continuidade às condenações foi Rhalessa (PTB). 

“Respeito cabe para todos. Esse movimento merece uma retratação da Câmara Municipal de Parnamirim por entender a importância de todas as bandeiras. Amor ao próximo? Será que o senhor pratica o que o senhor crê?”, questionou.

Depois, Rhalessa afirmou que Gabriel César deveria pedir desculpas, quando foi interrompida pelo parlamentar para que encerrasse sua fala. Ela não acatou.

“Outros vereadores me antecederam e tiveram até a fala mais extensa do que a minha. Dói, né? A verdade dói, Gabriel”, disse a mulher.

Já Gustavo de Freitas (Republicanos) disse que, em quase 11 anos na Casa, nunca viu “um debate que me envergonhasse tanto”.

O vereador Diego Américo (PSB) ainda protocolou uma moção de aplausos à banda e disse que o grupo “abrilhantou o desfile”.  

Em nota, a banda marcial afirmou que se sentiu “profundamente” ofendida pelas palavras do parlamentar do PL.

“A Banda Marcial da Felipe Tavares é um espaço de união, onde celebramos nossa diversidade e valorizamos a liberdade de expressão. A presença da bandeira LGBT não apenas representa nossos valores de igualdade e respeito, mas também é um símbolo de acolhimento para todos, independentemente de sua orientação sexual”, escreveu a banda.

“Não seremos silenciados diante de discursos que visam excluir e marginalizar grupos socialmente vulneráveis. Estamos comprometidos em denunciar essa atitude apropriada e buscar justiça perante os órgãos públicos e a Justiça”, disse.

A Escola Municipal Felipe Tavares de Paiva, da qual faz parte a banda, também repudiou as falas homofóbicas.

“A Escola informa que, conforme a LDB 9394-96, sempre pautou seu ensino nos preceitos da autonomia, da democracia e da cidadania, independente de raça, religião ou gênero. A Escola e a Banda Marcial Felipe Tavares sempre estarão dispostos a seguir com a inclusão e o respeito pela diversidade”, apontou.

Apoiar Saiba Mais

Pra quem deseja ajudar a fortalecer o debate público

QR Code

Ajude-nos a continuar produzindo jornalismo independente! Apoie com qualquer valor e faça parte dessa iniciativa.

Quero Apoiar

Este site utiliza cookies e solicita seus dados pessoais para melhorar sua experiência de navegação.