Hospital da UFRN em Santa Cruz inaugura Centro com banheira, luz controlada, aromaterapia e massagens para incentivar parto normal
Natal, RN 2 de mar 2024

Hospital da UFRN em Santa Cruz inaugura Centro com banheira, luz controlada, aromaterapia e massagens para incentivar parto normal

22 de setembro de 2023
12min

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Michele sempre teve medo do parto normal, mas foi por causa da pressão alta que ela teve que recorrer à cesariana, que foi realizada nesta quinta (21), no Hospital Universitário Ana Bezerra, em Santa Cruz. “Eu tinha um pouquinho de medo do parto normal, sempre tive medo da dor na hora, mas se viesse normal, eu ia tentar. A questão de ir para a cirurgia é mesmo a pressão, que fica oscilando muito, sobe e desce”, conta Michele Rayane, consultora de vendas e gestante com 39 semanas, enquanto aguardava para entrar na sala de cirurgia para ter a primeira filha. [caption id="attachment_82753" align="alignnone" width="1500"]Michele Rayane I Foto: Mirella Lopes Michele Rayane I Foto: Mirella Lopes[/caption] O parto normal é mais saudável e apresenta menor risco para a mãe e o bebê, com menor índice de mortalidade materna. Porém, assim como Michele, muitas mulheres têm medo de encarar as dores do parto e acabam optando pela cesariana. Mas, definitivamente, esse não foi o caso de Josefa, que deu à luz a seu 6º filho em cerca de uma hora através de parto normal, também nesta quinta, no Ana Bezerra. Ela conta que o auxílio que recebeu durante o processo de nascimento da criança fez toda a diferença. “Os outros não foram como esse. Eles deixam a mãe à vontade para escolher como quer ganhar o bebê, coisa que não tive antes. Quando tive minha pequena de cinco anos não foi assim, mas não tive ela aqui, foi em Santa Catarina e lá não teve esse procedimento daqui. Foi ótimo, estão de parabéns pelo que fazem pelas mães. Fiquei bem mais à vontade, tô me sentindo como em casa, teve massagem, as meninas ficaram conversando pra me ajudar a respirar, controlar o fôlego, trouxeram a bola”, conta Josefa da Silva, com o pequeno José Henrique já nos braços. [caption id="attachment_82754" align="alignnone" width="1500"]Josefa da Silva I Foto: Mirella Lopes Josefa da Silva I Foto: Mirella Lopes[/caption] A equipe à qual Josefa se refere faz parte de um modelo implantado em maio pelo Hospital Universitário Ana Bezerra, em Santa Cruz, que integra a rede de hospitais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). O Centro de Parto Normal (CPN), inaugurado oficialmente nesta quinta (21), foi projetado para ser um ambiente acolhedor, que garanta à mulher melhores condições para um parto normal e humanizado, no qual ela possa contar com técnicas para amenizar as dores das contrações e decidir a melhor posição para dar à luz. “Esses espaços vão trazer um parto natural, mais seguro, com menos intercorrências e com o favorecimento de métodos não farmacológicos de alívio da dor. Vamos fazer com que esse nascimento seja diferente, prazeroso, tanto para a parturiente quanto para os familiares”, defende Cláudia Rubim, Superintendente do Hospital Ana Bezerra, que é referência para 21 municípios circunvizinhos e, também, recebe pacientes de todo o estado para a realização de partos e cirurgias eletivas que estejam relacionadas à saúde da mulher. Esse é o 1º Centro de Parto Normal intra-hospitalar, ou seja, dentro da estrutura de um hospital, no Rio Grande do Norte. O CPN conta com três quartos espaçosos, sendo que um deles possui até banheira de hidromassagem, utilizada pelas mulheres durante o processo de trabalho de parto. Aromaterapia I Foto: Mirella LopesSão métodos não farmacológicos de alívio da dor, como um banho morno para diminuir a sensação dolorosa do trabalho de parto, a banheira, que é um método muito eficiente de imersão em água no qual a paciente consegue conduzir o parto de maneira mais tranquilo, menos dolorosa e, ao mesmo tempo, vivenciar a natureza dela para que compreenda os estágios de avanço do trabalho de parto para que consiga dar à luz de forma natural”, esclarece Hercilla Nara, enfermeira da Saúde da Mulher. A unidade também conta com outros dispositivos tecnológicos usados para favorecer a mobilidade pélvica e posições mais verticalizadas, para que a paciente consiga um parto normal de forma mais rápida e sem a necessidade de analgesia, além de berço aquecido para o bebê. “Temos desde a Barra de Ling, a bola suíça, o cavalinho, que é um balanço pélvico, a banqueta, que é não só um método de verticalização, mas uma opção para que a mãe consiga dar à luz ali, com o apoio da equipe e junto do seu acompanhante, e realizar a ‘Hora Ouro’, que é o momento em que o bebê depois de nascer fica em contato com a pele da mãe. Inclusive, temos um êxito nesse contato muito voltado para a primeira mamada. Somos um hospital amigo da criança que cumpre os dez passos para o sucesso do aleitamento materno. Dentre esses dez passos, há inúmeras estratégias que podem favorecer a primeira mamada e a amamentação exclusiva. No caso de não poder haver esse primeiro contato de pele entre mãe e filho, temos o berço para garantir o aquecimento do bebê”, acrescenta Hercilla Nara. [caption id="attachment_82757" align="alignleft" width="300"]Hercilla Nara, com bola Suíça e Barra de Ling ao fundo I Foto: Mirella Lopes Hercilla Nara, com bola Suíça e Barra de Ling ao fundo I Foto: Mirella Lopes[/caption] Apesar de já haver casas de partos no RN, não há salas com os mesmos recursos instaladas dentro de hospitais, o que garante mais segurança para as mães e bebês, no caso de uma urgência. “Além de oferecer assistência, estamos formando e ensinando profissionais a adotarem esse modelo. Oferecemos às famílias que procuram nossos serviços uma experiência satisfatória de assistência ao parto, mais humanizado, respeitoso, seguro, baseado nas boas práticas de Atenção ao Parto e Nascimento, nas diretrizes ministeriais e evidências científicas. Mas, além de tudo, estão junto as graduações, cursos de residências e especializações que estão tendo seus profissionais formados em um modelo de manejo e cuidado mais humanista para serem multiplicadores, onde estiverem, nesse tipo de parto e cuidado”, defende Hercilla Nara, enfermeira da Saúde da Mulher. Com a assistência da nova sala de parto inaugurada em maio no Hospital Ana Bezerra, já houve um aumento de 40% dos partos verticais. Para aumentar as chances de um parto normal, também é importante a realização de um bom pré-Natal. Para a construção do CPN o governo federal investiu R$ 261.267,48. [caption id="attachment_82764" align="alignnone" width="1500"]Hospital Universitário Ana Bezerra (HUAB-UFRN/Ebserh) I Foto: Mirella Lopes Hospital Universitário Ana Bezerra (HUAB-UFRN/Ebserh) I Foto: Mirella Lopes[/caption]

Mais cuidado, menos episiotomia

Atualmente, 50% dos partos realizados na rede hospitalar da UFRN são normais. Já nas demais unidades do SUS o índice de cesarianas chega a ser de 69%, subindo para 89% na rede privada de saúde. “É comprovado cientificamente que conseguimos reduzir a taxa de cesarianas quando a paciente tem acesso a um serviço que dá suporte para que ela consiga ter um parto normal. Esse é um serviço novo, que começou em maio. Temos indicadores, conforme as portarias ministeriais, de qualidade assistencial e vamos observar o impacto desse novo equipamento nos nossos resultados gerais, inclusive de assistência ao nascimento e parto, como taxas de cesarianas. Já temos bons indicadores do modelo de assistência humanizada. Nossa taxa de episiotomia é muito reduzida, onde o aceitável é 15% e a nossa taxa é de 3%. Ela só é feita com indicação clínica e com o consentimento da paciente”, detalha Hercilla. [caption id="attachment_82761" align="alignnone" width="1500"]Cavalinho e banheira de hidro do CPN I Foto: Mirella Lopes Cavalinho e banheira de hidro do CPN I Foto: Mirella Lopes[/caption] Episiotomia é um corte feito pelo médico na região do períneo para aumentar a abertura vaginal na hora do parto normal. Muitas mulheres já denunciaram casos em que o corte foi feito até sem seu conhecimento, o que caracteriza violência obstétrica. Acompanhante corta cordão, ajuda o companheiro da paciente a desenvolver uma paternidade mais ativa, dando assistência à mulher, cortando o cordão umbilical do recém-nascido, o que ajuda na formação do elo entre a família. [caption id="attachment_82760" align="alignnone" width="1500"]Sala do CPN I Foto: Mirella Lopes Sala do CPN I Foto: Mirella Lopes[/caption]

Estrutura mais humanizada

Além do Centro de Parto Normal, também foi inaugurada a Casa da Gestante, Bebê e Puérpera (CGBP). A nova estrutura vai permitir a realização de 480 partos a mais, passando dos atuais 2.400 partos por ano para 2.880 atendimentos. O local vai receber gestantes, recém-nascidos e puérperas em situação de risco, para que fiquem mais perto do atendimento do hospital, sem a necessidade de internação, diminuindo o risco de infecções hospitalares. Além disso, a casa também vai garantir a presença de acompanhante durante todo o período de trabalho de parto, durante o parto em si e o puerpério. Ao todo, o governo federal investiu R$ 2 milhões para a criação desses espaços e serviços. “Conseguir oportunizar que a nossa maternidade consiga entregar um parto humanizado, com cuidado, qualidade e segurança para a gestante que usa nossos serviços é extremamente importante. Por se tratar de uma maternidade vinculada ao ensino e pesquisa, nossa responsabilidade é ainda maior, porque além de atender bem a mamãe e ao bebê, temos que ensinar aos futuros profissionais e garantir que pesquisas sejam feitas para serem revertidas na melhoria do atendimento”, apontou Arthur Chioro, presidente da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). Casa da Gestante, Bebê e Puérpera (CGBP) do Hospital Ana Bezerra, em Santa Cruz I Foto: Mirella Lopes [caption id="attachment_82763" align="alignnone" width="1125"]Área interna da Casa da Gestante, Bebê e Puérpera (CGBP) do Hospital Ana Bezerra, em Santa Cruz I Foto: Mirella Lopes Área interna da Casa da Gestante, Bebê e Puérpera (CGBP) do Hospital Ana Bezerra, em Santa Cruz I Foto: Mirella Lopes[/caption] Uma das grandes dificuldades em montar estruturas como o CPN é encontrar equipe especializada nesse tipo de serviço, como enfermeiros obstetras, em quantidade suficiente para dar conta da demanda. Uma situação que tende a melhorar com a formação profissional intensificada pelo Hospital Ana Bezerra. Durante a visita de inauguração, o presidente da Ebserh também relatou que a administração dos hospitais universitários recebeu uma nova orientação do Ministério da Saúde, com o governo Lula, para que haja maior integração com o SUS. “Essa é uma mudança em relação governo anterior, que entendia que nossos hospitais [universitários] só deveriam se preocupar com ensino e pesquisa e nós não concordamos. A orientação que o presidente Lula, quero ministro da Educação, Camilo Santana, e que a ministra da Saúde, Nísia Trindade, tem dado para todos nós é que os hospitais universitários sejam absolutamente comprometidos com o SUS, que funcionem para atender melhor ao SUS, ensinem ao SUS e formem profissionais para o SUS. É impossível hoje fazer um parto que não seja humanizado, práticas atrasadas estão, definitivamente, sepultadas. Estamos alinhados com o que há de mais moderno nas tecnologias em cuidado à saúde e humanização. Queremos que a experiência de parir, mesmo nas situações em que há complicações, seja significativa e feliz”, acrescentou Arthur Chioro. Durante a visita, também foi apresentado ao presidente da Ebserh a necessidade de expansão de espaço para a habilitação de leitos de UTI neonatal. “Ele ficou de fazer a avaliação e, claro, isso terá que ser feito com mais profundidade. O hospital tem um papel importante não só de assistência, mas para a formação de profissionais na região do Trairi-Potengi. O Ana Bezerra tem uma característica muito forte para o parto humanizado, tratamento humanizado das pessoas, tem reconhecimento nacional nessa área”, revelou o reitor da UFRN, Daniel Diniz.  
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