Movimento da população em situação de rua do RN discute visibilidade em encontro no ES
Natal, RN 17 de abr 2024

Movimento da população em situação de rua do RN discute visibilidade em encontro no ES

22 de outubro de 2023
5min
Movimento da população em situação de rua do RN discute visibilidade em encontro no ES

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A capital capixaba, Vitória, foi o cenário do 6º Encontro da Rede Nacional de Consultórios na Rua e de Rua. Este evento bienal, que transcorreu ao longo de quatro dias, de 19 a 21 de outubro, reuniu um grupo diversificado de profissionais, ativistas e movimentos sociais de todo o país, todos engajados em abordar questões cruciais relacionadas às pessoas em situação de rua.

O coordenador nacional de População de Rua, Vanilson Torres, enfatizou a importância de se dar voz e visibilidade às pessoas em situação de rua no Brasil. Ele destacou que, muitas vezes, esses cidadãos são negligenciados e marginalizados, vivendo à margem da sociedade. Torres salientou que é vital reconhecer a população de rua como parte integral da sociedade brasileira e garantir que seus direitos sejam respeitados e protegidos.

Com a leitura do poema “o amor venceu o ódio”, Vanilson Torres alerta para a necessidade de uma abordagem mais humanitária e compassiva em relação às pessoas em situação de rua, que frequentemente enfrentam desafios significativos, como acesso à saúde, moradia e trabalho.

O encontro deste ano, com o tema "Visibilidade e Integralidade", buscou trazer à luz uma visão ampliada das necessidades das pessoas em situação de rua, abrangendo áreas como saúde, moradia, trabalho, cidadania e direito à cidade. Um dos principais objetivos do encontro foi construir coletivamente redes entre serviços, promovendo a participação direta da sociedade civil e incentivando ações que fortaleçam a integralidade das ações em saúde e cidadania.

A Rede Nacional de Consultórios na Rua e de Rua surgiu em 2016 como um movimento autônomo de profissionais da saúde que atuam no Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa começou com o trabalho de Daniel de Souza, articulador e membro de uma equipe de Consultório na Rua em Manguinhos, no Rio de Janeiro. A partir daí, outras pessoas se uniram ao movimento, formando um grupo coeso que decidiu dar vida à Rede Nacional, organizando Encontros Nacionais anuais.

Os primeiros passos incluíram a criação de grupos no aplicativo WhatsApp, o que permitiu agregar a maioria dos profissionais de saúde que atuam em diversas equipes em todo o Brasil. O resultado desse esforço coletivo é uma rede ativa e engajada, pronta para abordar os desafios que as pessoas em situação de rua enfrentam.

Durante o 6º Encontro, uma série de palestras, mesas-redondas e grupos de trabalho abordaram questões vitais, como acesso à saúde, inclusão social, habitação e educação. O evento também promoveu discussões sobre políticas públicas que possam melhorar a qualidade de vida dessas populações marginalizadas.

Além disso, o encontro destacou a importância de cuidar das pessoas em situação de rua, reforçando o papel fundamental desempenhado pelas equipes que trabalham com essas populações em todo o país. A troca de experiências e o compartilhamento de boas práticas em nível nacional e interministerial foram elementos-chave no fortalecimento do cuidado e da assistência.

A visão integral da questão das pessoas em situação de rua é crucial para promover a inclusão e a cidadania. O 6º Encontro da Rede Nacional de Consultórios na Rua e de Rua não apenas destaca a necessidade de um esforço coletivo para abordar essa questão social urgente, mas também demonstra o compromisso contínuo desses profissionais em melhorar as condições de vida e a integração dessa população na sociedade brasileira.

Censo

Estudo realizado entre 2021 e 2022 no Rio Grande do Norte revelou que há uma tendência de presença de pessoas em situação de rua perto do litoral e em polos territoriais próximos de fronteiras estaduais, como Mossoró, Caicó, Apodi e Pau dos Ferros. Natal, a capital do estado, concentra a maior quantidade de pessoas em situação de rua, totalizando 67,71% desse grupo. Outros municípios próximos a Natal também apresentam uma quantidade significativa de pessoas em situação de rua, devido ao fluxo migratório e à oferta de meios de sobrevivência.

Em relação ao perfil da população em situação de rua no Rio Grande do Norte, a maioria é composta por homens negros, em faixas etárias economicamente ativas. Dos 2.199 casos identificados, 76,37% são pessoas negras, sendo 1.647 do sexo masculino e 552 do sexo feminino. Além disso, 79,8% das pessoas têm entre 18 e 59 anos.

Um dado relevante encontrado no estudo diz respeito aos impactos da pandemia de Covid-19 no perfil da população em situação de rua. Houve um aumento significativo de pessoas nessa condição após o início da pandemia, devido à perda de trabalho e moradia.

As vivências das pessoas em situação de rua no Rio Grande do Norte são marcadas por violações de direitos, incluindo a falta de acesso a serviços básicos, agressões de diferentes tipos e por diferentes agentes, além de relações de pouca confiança com as forças de segurança e o sistema de justiça.

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