Executivo larga banco para ser mochileiro e passa pelo RN
Natal, RN 28 de mai 2024

Executivo larga banco para ser mochileiro e passa pelo RN

28 de abril de 2024
6min
Executivo larga banco para ser mochileiro e passa pelo RN
Foto: @igubrazil

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Desde criança, o brasiliense Ígor de Faria tinha o sonho de rodar o mundo, incentivado pelo pai que era professor de inglês e já tinha ido à Europa por meio de bolsa. Mas como fazer isso? A forma que encontrou foi estudar para concurso de banco e ter estabilidade. Em 2008, foi aprovado para trabalhar na Caixa Econômica Federal e foi chamado em 2010. Desde então, aproveitava cada período de férias para conhecer algum país — já alcançou o número de 40 países visitados. Em 14 anos, foi ascendo profissionalmente e virou assessor executivo, mas decidiu largar o trabalho para conhecer ainda mais o Brasil e outros locais. Em janeiro deste ano, virou “nômade” para visitar todos os estados do país e os diferentes continentes em um projeto de quatro anos. Agora, passa pelo Rio Grande do Norte.

“Todas as vezes que eu tinha férias, eu saía para algum lugar. Em 30 dias que eu tinha de férias, às vezes eu rodava seis países em uma ‘lapada’ para conhecer mais, então em 14 anos de banco eu rodei 40 países e todo o Brasil. E aí eu pensei: ‘um dia eu quero fazer isso para minha vida’’, conta.

Ao mesmo tempo, Faria via o tempo passando e a idade avançando enquanto ganhava mais atribuição e o tempo rareava. Também enfrentou três assédios morais consecutivos dentro da empresa, o que o levou a ir percebendo as pessoas adoecidas no mercado de trabalho por status e poder.

“Eu vi que da forma que tava indo eu já tava caminhando para um quadro de depressão, de coisas que adoecem mentalmente”.

No ano passado, o executivo foi fechando os seus vínculos com Brasília. Pediu uma licença do banco — que dura quatro anos — e se divorciou.

“Fui fechando as arestas minhas para sair para o mundo sem nenhum tipo de amarra em Brasília, porque não adianta você estar no mundo e estar com a cabeça em casa”, diz.

Desde 13 de janeiro deste ano, se tornou o que classifica como “nômade digital”, num projeto de mochilão majoritariamente de carona em que vai produzindo conteúdo para as redes sociais no caminho. Sua página no Instagram é @igubrazil.

“Eu tenho quatro anos de licença pelo banco, que eles me cederam, sem remuneração, sem plano de saúde, sem nada. O cargo que eu tinha de assessor executivo, o dia que eu voltar — e se eu voltar, que não é a minha a minha pretensão — eu volto do zero. É a mesma coisa de cair de tenente para soldado, você vai para o zero. E eu não pensei duas vezes de largar um alto salário para sair para o mundo. Então eu peguei umas coisinhas que eu tinha, um pequeno pé de meia e meti as caras”, explica Ígor. 

Perto de completar quatro meses de viagem, já passou por sete estados e na última semana chegou ao Rio Grande do Norte vindo do Ceará.

“Eu sou acolhido muitas vezes e quando eu tô caminhando também, quando eu tô passando pelas cidades, eu vou em restaurantes, troco ideia, explico o meu projeto e também consigo alimentação. Então a cerne do meu projeto, que define essa minha história hoje, é testar a balança do bem pelo mundo. A gente veio de momentos bem difíceis agora com corona e tantas outras coisas de criminalidade, de violência, que a gente começou a perder a fé no próximo. Então a minha intenção no projeto é testar a balança do bem pelo mundo, é conversar com as pessoas, e não tanto mostrar os lugares que eu faço, e sim as culturas, as pessoas que eu conheço, as histórias que eu escuto, a estrada como que é”, aponta o mochileiro.

O projeto está dividido em duas partes, de dois anos cada.

“Eu vou rodar todas as Américas e depois, no fim do ano que vem, quando completar os dois anos, eu vou de Brasília para a Cidade do Cabo, que é no início da África e de lá eu vou fazer até Auckland, até a Nova Zelândia, que é o fim do mundo, até a Ásia. Então a ideia é fazer a África, subir para a Europa, aí cair para o Oriente Médio, cair para a Ásia e Oceania. Então aí sim eu vou conseguir fechar o mundo, mas fazendo uma rota única”, diz, sobre sua escolha por fazer uma rota linear.

Em Natal, está conhecendo a cidade aos poucos. A entrevista à agência Saiba Mais foi concedida na última sexta-feira (26), dia de chuvas na capital, que atrapalharam os planos para aquele dia.

“Eu fui ao Bar do Pedrinho que é bem famoso. Fiz algumas coisas lá, fui para o Beco da Lama ontem (quinta, 25) para conhecer, fui no rio Potengi pra fazer canoagem, mas ainda vai ter muita coisa por aqui”, conta. 

Maratonista e triatleta, Faria também gosta de fazer as rotas caminhando. O desejo para o fim de semana seria ir do Forte dos Reis Magos até o Morro do Careca, percurso com mais de 17 km. 

“Vai ter também uma caminhada que eu quero fazer de Pipa até a Baía da Traição [na Paraíba, a mais de 70 km], então tem muita coisa que ainda vai rolar pelo Rio Grande do Norte.”

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