Professores da UFRN decidem deflagração da greve em plebiscito
Natal, RN 24 de mai 2024

Professores da UFRN decidem deflagração da greve em plebiscito

10 de abril de 2024
6min
Professores da UFRN decidem deflagração da greve em plebiscito
Imagem: Reprodução/ADURN-Sindicato.

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Os professores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) aprovaram, no início da noite desta terça-feira (09), um indicativo de greve. A categoria vai decidir se adere à paralisação por meio de um plebiscito que acontece nos dias 15 e 16 deste mês. De acordo com Sindicato dos Docentes da UFRN (ADURN), caso a deflagração da greve seja aprovada, será por tempo indeterminado, a partir do dia 22 de abril.

Com a participação de mais de 250 docentes, a decisão foi tomada em assembleia que ocorreu de forma híbrida, ou seja, remota e também presencialmente no auditório Otto de Brito Guerra, localizado na reitoria da UFRN, campus Natal. “Foram mais de 2 horas de debate, em que foi assegurado o direito dos e das docentes, além de demais entidades que representam a comunidade acadêmica, de se manifestarem contra ou a favor da greve neste momento", declarou o presidente do ADURN-Sindicato, Oswaldo Negrão.

Caso os professores votem a favor da adesão à greve no plebiscito, a categoria se soma aos servidores técnico-administrativos da UFRN, que estão com as atividades paralisadas oficialmente desde o dia 14 de março. 

De acordo com o ADURN-Sindicato, a última greve deflagrada pelos professores da UFRN foi em 2020. Porém, a deflagração ocorreu exatamente no dia em que a instituição suspendeu suas atividades, em virtude da pandemia do Covid-19. Antes disso, houve uma greve realizada pela categoria em 2016.

Atualmente, os professores demonstram insatisfação com a posição atual do governo federal de não dar nenhum reajuste salarial aos servidores em 2024. Além disso, dentre as reivindicações, estão a reestruturação da carreira e a recomposição dos orçamentos das instituições federais de ensino, como ressalta Rodrigo Almeida, professor do Departamento de Comunicação Social da UFRN: “A Universidade está passando por um momento muito complicado. Eu destacaria a questão da precarização, da estrutura. Eu sou chefe de departamento atualmente e tenho que lidar, todos os dias, por exemplo, com ar-condicionado quebrado, alunos que estão tendo que ser deslocados de sala. A gente também não tem salas suficientes”.

É importante lembrar que a UFRN começou o ano de 2024 com um déficit de R$ 4,2 milhões. E para além da questão das verbas orçamentárias, o professor Almeida pontua que a greve dos docentes pode se somar à luta dos demais trabalhadores da instituição. “A greve dos professores também tem um papel de apoiar a greve dos servidores técnicos-administrativos, que já estão paralisados desde março”, ressalta. “Além disso, temos que considerar a situação dos terceirizados, que muitas vezes têm os seus salários atrasados”.

O professor ainda avalia que o ponto principal a ser discutido para deflagrar a greve é o investimento na educação em geral. “A gente já esperou o máximo que podia. Para mim, esse é o momento de deflagrar a greve, para a pressão ser ainda mais forte”, diz, se referindo à mobilização nacional dos servidores federais da educação que lutam pelos direitos da categoria.

A assembleia desta terça (09) também contou com a participação de estudantes e de outros servidores da UFRN. Tazia Maia é dirigente sindical do Sintest, sindicato que representa os técnicos-administrativos da UFRN. Ela afirma que a decisão dos professores é essencial para apoiar a categoria a qual ela representa. “Estamos sempre juntos, porque a gente entende que a educação é responsabilidade de todos nós que fazemos essa universidade”, declara.

“A greve está crescendo muito forte. O governo federal chega para a gente e fala em negociação, mas o reajuste no salário continua zero para 2024. Que negociação é essa? Não é isso que a gente quer, e não vamos aceitar!”, argumenta Maia.

Na manhã desta quarta-feira (10), o Sintest/RN promove uma assembleia na reitoria da UFRN campus Natal, para avaliar a conjuntura e decidir os próximos passos.

A mobilização dos estudantes da UFRN

O movimento estudantil também tem demonstrado apoio à mobilização de greve dos professores da UFRN. Ana Beatriz Sá é estudante de Psicologia, representante da União Estadual dos Estudantes (UEE) e do Movimento Correnteza. Ela defende a importância do indicativo de greve ter sido apontado na assembleia desta terça (09). “Mais da metade dos presentes hoje na assembleia votaram a favor do indicativo de greve, então os professores estão favoráveis a lutar por um orçamento digno para a universidade”, ressalta.

“Existe muito o discurso de que realizar uma greve hoje no nosso país, uma greve dos profissionais de educação, é abrir espaço para a extrema direita. Mas o que abre espaço para a extrema direita é a conciliação com esse tipo de orçamento criminoso para a nossa universidade”, argumenta a estudante, se referindo ao déficit orçamentário que a UFRN vem enfrentando nos últimos anos e que foi agravado pelo governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Para a classe estudantil, a votação da assembleia dos professores é mais um passo para uma grande mobilização. “Essa foi uma assembleia importante, mas a gente precisa ainda ter a tarefa de mobilizar estudantes, professores, para a gente poder de fato caminhar para um horizonte que a gente quer, que é o da construção da greve para um orçamento digno”, revela Sá.

O movimento formado pelos estudantes bolsistas da UFRN vem estudando a possibilidade de paralisação das atividades. Além do apoio aos profissionais da educação, os estudantes reivindicam a não redistribuição do trabalho do servidor para o bolsista, a revisão do regulamento das bolsas na UFRN e a recomposição do orçamento da educação, assim como o aumento no orçamento da assistência estudantil.

Na última semana, os estudantes bolsistas da UFRN se posicionaram, a partir de um formulário que contou com mais de 180 respostas, pela paralisação total da categoria. Segundo o Movimento dos Bolsistas da UFRN, um abaixo-assinado será entregue à Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PROAE), a respeito da decisão dos alunos.

Nesta quinta-feira (10), às 12h15, os estudantes realizam uma Assembleia dos Bolsistas da UFRN, em frente ao Restaurante Universitário (RU) Central, no campus Natal, para decidir o início da paralisação e o calendário de lutas deste momento.

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