Ruínas de antiga igreja de Extremoz vão ganhar restauração pelo PAC
Natal, RN 28 de mai 2024

Ruínas de antiga igreja de Extremoz vão ganhar restauração pelo PAC

11 de abril de 2024
5min
Ruínas de antiga igreja de Extremoz vão ganhar restauração pelo PAC

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Tombado em nível estadual - e negligenciado por anos -, o conjunto das ruínas da antiga Igreja de São Miguel Arcanjo com o Convento Jesuíta, em Extremoz, vai ganhar sua primeira intervenção restaurativa. Os recursos são do novo PAC: Patrimônio Histórico. E o projeto, curiosamente, é resultado de um trabalho de conclusão de curso (TCC) de um jovem arquiteto da própria cidade, Ramon Bezerra, quando ainda era estudante do curso de Arquitetura na Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), em Pau dos Ferros.

Intitulado “Manifesto face a inércia: restauro alusivo das ruínas da antiga igreja de São Miguel Arcanjo e convento Jesuíta na cidade de Extremoz/RN”, o TCC foi desenvolvido em 18 meses, sendo defendido em novembro de 2022, com a orientação da professora Monique Lessa. 

Segundo o arquiteto, que atualmente é mestrando na Pós-Graduação de Arquitetura e Urbanismo na UFRN, o trabalho discute “formas de intervir em bens tão delicados como o caso das ruínas e áreas arqueológicas, e expõe estratégias que vão além da mera discussão de reconstrução, que nesse caso, é impraticável”. A proposta é trazer a temática do restauro arquitetônico e arqueológico, com olhar para a postura contemporânea “critico-conservativa criativa”, muito adotada no contexto italiano.

A estratégia adotada é a do restauro alusivo. De acordo com o arquiteto, a ideia é facilitar a leitura dos vestígios sem haver reconstrução literal, de modo reversível e distinto da matéria antiga. Conforme a pesquisa feita, o resultado seria algo jamais visto em outras intervenções do tipo em todo o país, partindo do conceito de transparência e fragmentariedade, baseados na vegetação nativa local que está às margens da lagoa de Extremoz, o Guajiru.

“Esse conceito se aplica à intervenção de modo que de longe seja notável a silhueta da antiga igreja e sua magnitude, e de perto os vestígios históricos sejam evidenciados, uma vez que são os protagonistas da intervenção”, explica. [Seria promover uma] “fácil leitura do monumento histórico, sem interromper a interpretação livre e criativa, mas também sem determinar estritamente uma mentira ou um falso histórico do que viria a ser essa ambiência”.

Orientadora de Ramon no TCC, a professora Monique Lessa comenta que “o trabalho faz um interessante diálogo entre teoria e exercício projetual, demonstrando o rigor teórico-metodológico necessário para este tipo de projeto, assegurando o direito ao conhecimento e à memória deste bem cultural”.

Ainda segundo a professora, o projeto “reflete uma questão crucial no campo da preservação do patrimônio cultural edificado: as reflexões sobre as formas de intervir em edifícios e áreas de reconhecido valor patrimonial e, consequentemente, sobre a formação profissional para esse tipo de atuação, em especial a do arquiteto e urbanista”.

Parceria Extremoz-Brasil/Extremoz-Portugal e aprovação no PAC

Na época em que estava escrevendo seu TCC, Ramon estagiava na Secretaria de Obras da Prefeitura de Extremoz e com isso teve a oportunidade de apresentar seu projeto para a

equipe da gestão municipal, que adorou o material e incentivou o jovem a buscar alternativas de viabilizá-lo. O orçamento completo era de R$ 15 milhões, incluso desde o estudo arqueológico até a montagem da estrutura, bem como os meios para manter funcionando o parque arqueológico.

Com o aval da prefeitura, Ramon foi em busca de caminhos financeiros. Conseguiu um acordo internacional entre as cidades-irmãs Extremoz-Brasil e Extremoz-Portugal, a partir de mediação do cônsul de Portugal, celebrado com o Projeto de Lei N° 073/2023.

Também elaborou um dossiê que foi submetido ao IPHAN solicitando o tombamento pelo órgão federal de preservação. O documento contou com a assinatura de diversos pesquisadores da área e pelas autoridades do município. Este processo está em fase de análise técnica.

O otimismo aumentou com a abertura do edital do novo “PAC: Patrimônio Histórico”. Seu projeto foi submetido com o auxílio da prefeitura, e a aprovação veio, com garantia de destinação de R$ 350 mil para inicio do processo de preservação e de implementação.

“Um valor mesmo que pequeno diante do orçamento, poderá proporcionar novas ações que jamais foram feitas no local. Dessa forma, é notório que o fruto de um trabalho de conclusão de uma graduação, de um curso de arquitetura e urbanismo, numa pequena cidade no Alto Oeste do estado, pode reverberar de maneira admirável e gerar impactos pertinentes na vida de muita gente, como o caso da ruína que possui tanto valor patrimonial e representa a história de tanta gente”, comemora o arquiteto.

Com informações da Assecom UFERSA.

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