Thabatta Pimenta leva voz trans potiguar à Escócia em conferência internacional
A vereadora potiguar Thabatta Pimenta (PSOL), primeira parlamentar trans eleita no Rio Grande do Norte, participou nos dias 30 de junho e 1º de julho de 2025 da conferência internacional “Pessoas trans na política no Sul Global: Participação política, ativismo e liderança”, realizada na School of Social and Political Sciences da Universidade de Glasgow, na Escócia. A atividade reuniu lideranças políticas trans e especialistas de diversas regiões do Sul Global para discutir os desafios e estratégias de fortalecimento das representações trans na política institucional.
Convidada formalmente pela universidade, Thabatta compartilhou sua experiência enquanto vereadora e ativista no interior do Nordeste brasileiro, destacando o papel da representatividade trans e das políticas públicas voltadas para grupos vulnerabilizados, como pessoas LGBTQIA+, pessoas com deficiência e comunidades historicamente marginalizadas.
“Mais um dia pra ficar marcado na minha história política! Mais um dia pra ficar dentro do meu coração e lembrar que eu saí daquele tamborete na feira livre de Carnaúba para estar hoje palestrando na University of Glasgow!”, publicou Thabatta nas redes sociais.
A conferência, organizada pela própria universidade em parceria com a Glasgow Trans Studies Network, teve financiamento da Open Society Foundation, o que garantiu a cobertura integral dos custos de viagem, hospedagem e alimentação dos convidados internacionais, inclusive da vereadora brasileira.
Acusações e ataques transfóbicos
A participação de Thabatta no evento, no entanto, foi alvo de ataques por parte do vereador Subtenente Eliabe (PL), de Natal, que insinuou em suas redes sociais que a viagem teria sido custeada com recursos públicos. Sem apresentar provas, o parlamentar bolsonarista levantou suspeitas sobre o uso de verbas do contribuinte, buscando desacreditar a presença da vereadora em um evento acadêmico de relevância internacional.
Thabatta reagiu. Em um vídeo publicado nas redes sociais, ela desmentiu as informações e classificou as acusações como fake news: “Quem tá pagando tudo isso é o Reino Unido. […] só que aí o senhor vereador vai ter que mostrar de onde é que ele tirou essa história dos contribuintes. Só se for os contribuintes da Escócia”, afirmou.
No vídeo, a vereadora também relembrou que Eliabe já havia sido ofensivo em outras ocasiões, inclusive quando ironizou o sofrimento de Thabatta ao falar publicamente sobre a perda de sua mãe durante a pandemia de Covid-19: “Esse senhor me ama é o mesmo que disse que o choro era livre quando eu falava das vítimas da Covid e da perda da minha mãe.”
Reconhecimento internacional e transfobia estrutural
A fala da vereadora nas redes não foi apenas uma resposta pontual aos ataques, mas também um posicionamento político diante das tentativas de deslegitimação que mulheres trans enfrentam cotidianamente ao ocupar espaços de poder. Ela destacou que a tentativa de associar sua viagem a um suposto uso de dinheiro público segue a mesma lógica das perseguições feitas contra outras lideranças trans do país, como a deputada estadual Erika Hilton (PSOL-SP), frequentemente alvo de campanhas difamatórias da extrema direita.
“Mexeu com a travesti errada. Estou aqui, na Europa, falando da importância de políticas públicas para minha comunidade, coisa que os privilégios do senhor nunca vão saber o que é. Em seis meses de mandato, trazer uma vereadora do interior para um lugar como esse, para falar sobre política… O senhor não sabe o que é isso, porque perde o tempo tentando ganhar engajamento usando a minha imagem.”
Thabatta também ironizou o suposto interesse obsessivo do vereador que a ataca com frequência:
“Só fala sobre mim, só tem engajamento se falar da musa mais seguida do Estado. Mas você não faz nem meu tipo, vereador.”
Enquanto lida com ataques, a vereadora reforça que continuará atuando com coragem e transparência: “Enquanto eu puder levar o nome do nosso estado e da nossa cidade para espaços como esse, eu vou. Falando, lutando e tendo reconhecimento no nosso país e aqui também, de uma forma agora mundial”, finaliza.