Natália Bonavides critica absolvição de Ratinho e denuncia “permissão da misoginia na política”
Natal, RN 14 de jul 2026

Natália Bonavides critica absolvição de Ratinho e denuncia “permissão da misoginia na política”

5 de janeiro de 2026
3min
Natália Bonavides critica absolvição de Ratinho e denuncia “permissão da misoginia na política”
Natália Bonavides e Ratinho I Imagens: reprodução redes sociais

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Ao comentar a absolvição, em segunda instância, do apresentador Ratinho (SBT) no processo que tratava de falas consideradas ameaçadoras contra ela, a deputada federal Natália Bonavides (PT-RN) afirmou que a decisão judicial reforça um cenário em que a misoginia na política é tratada com naturalidade no Brasil. Para a parlamentar, o resultado do julgamento passa a mensagem de que ataques misóginos contra mulheres que ocupam espaços de poder seguem sendo tolerados, especialmente quando partem de figuras públicas com grande alcance midiático.

Essa ação foi uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal para afirmar que os ataques misóginos dirigidos não atingiram apenas a mim, mas representam violência política de gênero contra todas que ocupam espaços de poder“, avalia Bonavides.

O apresentador Ratinho foi absolvido, em segunda instância, em um processo movido pelo Ministério Público Federal (MPF) que considerou ameaçadoras falas proferidas contra Bonavides em dezembro de 2021, durante o programa de rádio “Turma do Ratinho”.

Na ocasião, Ratinho sugeriu a morte da deputada potiguar porque ela havia apresentado um projeto de lei sugerindo que fosse retirado do Código Civil a expressão “declaro marido e mulher”.

Tinha que eliminar esses loucos. Não dá para pegar uma metralhadora, não?”, disse. “Natália, você não tem o que fazer?”, proferiu o apresentador.

A decisão de absolver Ratinho é do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5). Na ação, o MPF pedia indenização de dois milhões de reais por danos morais e que a Rádio Massa, da qual Ratinho é proprietário, exibisse campanhas de conscientização sobre o direito das mulheres e combate à violência de gênero por um ano. A Justiça negou os pedidos tanto em 1ª, quanto em 2ª instância. O MPF recorreu da decisão e o caso vai para o Supremo Tribunal de Justiça.

Na mesma ocasião, o apresentador também fez ataques à aparência física da deputada e disse que ela era “feia do capeta”, quando a imagem da potiguar apareceu no monitor do estúdio. Ratinho ainda chamou Bonavides de “imbecil” e disse que o país tinha assuntos mais importantes a serem discutidos.

Vai lavar roupa, costurar a ‘carça’ do seu marido, a cueca dele. Isso é uma imbecilidade, querer mudar esse tipo de coisa“, comentou o apresentador.

Apesar das declarações, a 7ª turma do TRF-5, que julgou o caso, entendeu que as manifestações de Ratinho tiveram como alvo o projeto de lei e não a deputada, não tendo ultrapassado o limite da “liberdade de expressão”.

Essa ação cumpre um papel político importante: afirmar que a misoginia na política é um problema coletivo, não individual. E, por isso, espero que o judiciário reveja essa decisão. Como se trata de uma ação do MPF, eu não faço parte do processo e não posso recorrer, a decisão de seguir adiante ou não é exclusivamente do Ministério Público“, comentou a deputada Natália Bonavides.

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