Refinaria vendida por Bolsonaro anuncia mais um aumento de combustível no RN
Natal, RN 14 de jun 2026

Refinaria vendida por Bolsonaro anuncia mais um aumento de combustível no RN

19 de março de 2026
5min
Refinaria vendida por Bolsonaro anuncia mais um aumento de combustível no RN
Empresa que administra a refinaria Clara Camarão comuniciuo aumento a partir desta quinta-feira (19) - Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

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Os preços da gasolina e do diesel sofreram mais um aumento no Rio Grande do Norte a partir desta quinta-feira (19). O comunicado foi feito pela Brava Energia, empresa que administra a refinaria Clara Camarão, localizada em Guamaré, que foi vendida durante o governo de Jair Bolsonaro.

A gasolina A, que na semana passada era comercializada a R$ 3,19, passou para R$ 3,82 com o novo reajuste, uma alta de R$ 0,63 por litro. O diesel A S500 aumentou de R$ 5,07 para R$ 5,52, salto de R$ 0,45 por litro. O GLP (gás de cozinha) não sofreu reajuste.

A refinaria Clara Camarão, antes pertencente à Petrobras, foi vendida para a empresa 3R Petroleum em janeiro de 2022, no último ano da gestão Bolsonaro. O negócio foi fechado por 1,1 bilhão de dólares, cerca de R$ 5,5 bilhões, e envolveu também um conjunto de 20 concessões de campos de petróleo que compõem o chamado Polo Potiguar.

Saiba Mais: Petrobras aprova venda de 22 campos no Rio Grande do Norte; Refinaria Clara Camarão está incluída

Esta é a quarta semana consecutiva de reajustes com aumento no RN. Na quinta-feira passada (12), a Brava Energia já havia reajustado o diesel em R$ 1,00 por litro e a gasolina em R$ 0,30.

A situação levou o Ministério Público a abrir investigação sobre o aumento dos combustíveis no estado, após pedido da deputada federal Natália Bonavides (PT). No início da semana, foi a vez do Instituto de Proteção e Defesa do Consumidor do Rio Grande do Norte (Procon-RN) autuar postos de combustíveis em Natal após identificar aumento arbitrário no preço da gasolina, mesmo sem reajuste anunciado pela Petrobras. A fiscalização ocorreu nas últimas semanas, depois que o órgão recebeu diversas denúncias de consumidores sobre elevações repentinas nos valores cobrados nos estabelecimentos da capital potiguar.

Saiba Mais: Procon-RN identifica aumento arbitrário da gasolina e autua postos em Natal

Em alguns postos, o litro da gasolina comum chegou a R$ 7,49. De acordo com o Procon-RN, as reclamações chegaram pelos canais oficiais de atendimento e também pelas redes sociais, onde motoristas relataram aumentos inesperados nos preços da gasolina. O número de postos autuados, no entanto, não foi divulgado.

Em alguns casos, ainda segundo o órgão, verificou-se que houve uma margem de lucro bruto no etanol de 86%, sem justificativa proporcional ao custo de aquisição.

Investigação federal

A alta recente nos preços dos combustíveis no Rio Grande do Norte também entrou no radar do governo federal. A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, solicitou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a abertura de investigação sobre aumentos registrados em quatro estados e no Distrito Federal.

Entre os estados citados está o Rio Grande do Norte. O pedido foi motivado por indícios de possível combinação de preços entre concorrentes — prática conhecida como cartel — que pode prejudicar a livre concorrência e elevar artificialmente o valor pago pelos consumidores.

O pedido, segundo informou a Senacon, foi motivado pelas declarações públicas de representantes de sindicatos do setor, como o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado do Rio Grande do Norte (Sindipostos-RN), que registraram aumentos ou previsão de alta para gasolina e diesel, apesar de não ter havido reajustes nos valores praticados pela Petrobras.

A alegação das distribuidoras para aumentar os preços, segundo os sindicatos do setor, é a alta no preço internacional do petróleo desde o início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.

O Sindipostos-RN, em publicação nas redes sociais, afirmou que a guerra “já começa a refletir na alta do preço do petróleo no mercado internacional, acendendo um sinal de atenção para o setor de combustíveis no Brasil”.

“A Fecombustíveis [Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes] avalia com preocupação os possíveis desdobramentos no mercado interno, especialmente porque mais de 20% do abastecimento nacional depende de produto importado ou de refinarias privadas, que acompanham as oscilações do cenário global”, diz a publicação.

A Senacon, no entanto, ressaltou que a Petrobras, apesar do conflito no Oriente Médio, até o momento “não anunciou aumento nos preços praticados em suas refinarias”.

Diante disso, o órgão solicitou que o Cade “avalie a existência de possíveis indícios de práticas que possam prejudicar a livre concorrência no mercado e que podem indicar tentativa de influência à adoção de conduta comercial uniforme ou combinada entre concorrentes”.

“A Secretaria ressalta que o pedido decorre do monitoramento realizado continuamente pelos órgãos responsáveis, com o objetivo de garantir transparência nas práticas comerciais e proteger os consumidores”, diz o comunicado da Senacon.

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