Uma história de Rogério Marinho
Natal, RN 21 de jun 2026

Uma história de Rogério Marinho

21 de junho de 2026
7min
Uma história de Rogério Marinho
Andressa Anholete/Agência Senado Fonte: Agência Senado

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Em 26 de novembro de 1963, o mundo ainda estava em choque com o assassinato do presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy, que tinha ocorrido dias antes. Em Natal, em todo canto só se falava da morte do mandatário norte-americano. Mas a vida seguia normalmente na capital potiguar. Naquele dia 26, estava programado um show de Nelson Gonçalves na sede do América Futebol Clube, o comércio funcionava e o Cinema São Pedro exibia, no Alecrim, o filme “Salteador Solitário”. Na mesma data, nascia Rogério Simonetti Marinho, filho do casal Valério e Sônia.

Em 1963, Valério era funcionário da Assembleia Legislativa e estava prestes a concluir o curso de Direito. O seu avô materno, Arnaldo Simonetti, era Subprocurador Geral do estado. Já o seu avô paterno era o deputado federal pela UDN, Djalma Marinho.

Na infância, Rogério morava na avenida Rodrigues Alves, nas proximidades da sede social do América. Por influência do tio materno Marcelo, aos 7 anos, se tornou torcedor do ABC Futebol Clube. Jogava bastante futebol na região, não era nenhum craque, mas dizia que atuava com muita raça e gana. Em 1971, para realização de um curso do pai, a família Simonetti Marinho transferiu-se por 6 meses para o Rio de Janeiro. Na ocasião, o filho de Valério também se tornou flamenguista quando teve a oportunidade, no dia 09 de junho, de assistir um jogo entre Flamengo e Vasco. O rubro-negro venceu o confronto no Maracanã por 1 a 0 com o gol marcado por Fio Maravilha.

Prestes a completar 11 anos em 1974, Rogério Marinho teve sua primeira experiência em campanhas eleitorais sem muita sorte. O deputado federal pela Arena, Djalma Marinho, disputava uma vaga para o Senado Federal. Arena era o partido que dava sustentação à ditadura miliar. O pré-adolescente compareceu a diversos comícios no interior do Rio Grande do Norte, chegando até a figurar como orador em Goianinha. Apesar do favoritismo do avô, o feirante Agenor Maria (MDB), de forma surpreendente, venceu o pleito.

Em 1978, Djalma foi novamente eleito para uma cadeira na Câmara dos Deputados, mas faleceu durante o mandato em 1981. Durante a campanha, Valério Marinho foi acusado de ter desviado recursos da CAERN quando foi diretor da companhia estadual. Não constam registros da participação de Rogério no pleito.

Passados os anos, Rogério estudou no Marista e, tardiamente, aos 20 anos, terminou o segundo grau no Atheneu Norte-Riograndense em 1983. Na época, havia em paralelo, na mesma escola, o curso profissionalizante de Transações Imobiliárias. No período, o hoje senador militou no movimento estudantil secundarista.

No início de 1984, o neto de Djalma Marinho foi aprovado no vestibular da UNIPEC, que na década seguinte virou UNP, para cursar a recém-criada graduação em Economia na instituição potiguar. O curso de ciências econômicas tinha o prazo de conclusão de 4 anos, mas o aluno levou o dobro do período estipulado e se formou apenas em dezembro de 1991. Como uma premonição, foi necessário o tempo equivalente ao mandato de senador para concluir a formação acadêmica. Na faculdade, Rogério Marinho se envolveu com o Centro Acadêmico e Diretório Central dos Estudantes nos seus últimos 3 anos. Apenas em 1995 obteve o registro de economista no Conselho Regional da categoria.

Durante a graduação em Economia, o atual Senador da República esteve vinculado à Secretaria Estadual de Educação do Rio Grande do Norte. Oficialmente, nos dias atuais, o político declara que foi professor da rede estadual de ensino, lecionando entre os anos de 1987 e 1989 as disciplinas de História, Geografia e Matemática. Acredita-se ser extremamente complexo encontrar algum ex-aluno ou uma caderneta escolar com a assinatura de Rogério Simonetti Marinho.

Em 1988, Wilma de Faria foi eleita prefeita de Natal pela primeira vez. Uma de suas promessas de campanha era a criação da Secretaria das Regiões Administrativas (SECRA). A pasta era responsável pela criação de quatro zonas administrativas da cidade, uma espécie de subprefeitura das regiões Leste, Oeste, Sul e Norte. Na formação do secretariado no início do mandato, Valério Marinho foi o escolhido para gerir a região Oeste. Tempos depois, Rogério Marinho passou a ser o titular do cargo que, inicialmente, foi destinado para o pai. Na reta final da gestão da chefe do Executivo, Rogério foi promovido a titular da SECRA.

A partir de primeiro de janeiro de 1993, Aldo Tinoco Filho tornou-se prefeito da capital potiguar após eleição bastante acirrada contra Henrique Alves. O novo mandatário venceu o pleito porque era o candidato de Wilma de Faria. Rogério Marinho era um nome de confiança da ex-prefeita e foi indicado para o cargo de Assessor Especial. O filho de Valério permaneceu por um curto prazo na função, visto que houve o rompimento político entre Aldo e Wilma.

Socialista de carterinha

Rogério Marinho, filiado ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), entrou em 1994 pela primeira vez em uma eleição como candidato. Na oportunidade, combinado com uma nominata de baixa densidade eleitoral, o candidato a deputado estadual obteve uma votação muito pequena. Mas o insucesso político não o impediu de assumir o diretório municipal da legenda em Natal a partir do ano seguinte.

Em 1997, Wilma de Faria assumiu pela segunda vez a prefeitura de Natal. O economista teve seu espaço garantido na área de Assistência Social do município. Porém, o atual parlamentar deixou o cargo no ano posterior para atuar no assessoramento de governos estaduais e outras prefeituras.

Para a eleição municipal de 2000, Rogério Marinho foi candidato a vereador pela primeira vez. O resultado não foi suficiente para se eleger, mas garantiu a suplência. Durante o período do terceiro mandato de Wilma – que renunciou em 2002 para disputar o governo estadual – e sob a gestão de Carlos Eduardo Alves, o atual senador foi titular da Secretaria de Assuntos Parlamentares, Secretário Especial da Prefeitura e assumiu a cadeira de vereador por um ano.

Na eleição de 2004, Rogério Marinho foi finalmente eleito vereador com a expressiva marca de 9.009 votos, o que lhe garantiu a terceira colocação geral entre todos os candidatos ao legislativo municipal.

Foram 40 anos para Rogério Marinho conquistar o primeiro mandato eletivo. Hoje, defensor da meritocracia e contrário às cotas, mas no passado herdou um cargo público do pai e levou 8 anos para concluir o curso de Economia. Assim como não se localiza um ex-aluno ou uma caderneta assinada pelo ex-vereador, é muito difícil encontrar informações para comprovar o que o credenciou para estar na vida pública, até mesmo em suas redes sociais, entrevistas ou pronunciamentos, o senador não faz questão de deixar registrado o caminho que o levou do Atheneu até o Senado Federal.

Mas uma coisa é preciso parabenizar. Rogério Marinho saiu de um patrimônio declarado na eleição de 2018 de R$ 983.228,66 para R$ 1.984.482,76 no pleito de 2022. O fato mostra que o curso profissionalizante em Transações Imobiliárias foi muito bem executado.

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