Por Rômulo Sckaff
Antes de virar indústria, moda ou estampa de camiseta, o rock nasceu da luta do povo negro nos Estados Unidos.
Foi resultado da mistura entre o blues e o gospel, expressões criadas em meio ao racismo, à segregação, à exploração e à violência. Da dor surgiu a música, da opressão nasceu uma nova forma de liberdade.
O rock surgiu como ruptura.
Rompia com uma sociedade que queria negros e brancos separados, corpos controlados, juventudes obedientes e vozes populares silenciadas.
Quando essa música ganhou força, atravessou barreiras raciais, ocupou novos espaços e incomodou os setores mais conservadores.
Por isso o rock causou medo.
Não era apenas o som da guitarra.
Era o trabalhador transformando sofrimento em arte.
Era a juventude recusando o silêncio.
Era o povo dizendo que também tinha direito ao corpo, à palavra, à festa e à liberdade.
No Brasil, o rock também ganhou voz própria.
Raul Seixas questionou a ordem e o conformismo. Rita Lee enfrentou padrões impostos às mulheres e abriu caminhos de liberdade. Cazuza denunciou a hipocrisia de uma sociedade desigual. Os Titãs cantaram a violência, a exploração e a falta de direitos. A Legião Urbana transformou indignação em pergunta, “Que país é este?”
Mais tarde, Chico Science misturou guitarras, maracatu, periferia e identidade popular, mostrando que rebeldia também nasce quando o povo recupera sua própria cultura e se recusa a aceitar o apagamento.
Durante a ditadura, o rock brasileiro enfrentou a censura, denunciou a repressão e ajudou gerações a dizer aquilo que o poder queria calar.
A indústria tentou transformar rebeldia em mercadoria, mas a origem do rock continua viva.
Ela está na música feita por quem resiste, denuncia, sonha e se recusa a aceitar a injustiça como destino.
Celebrar o rock é lembrar que a música do povo nunca é apenas entretenimento.
Ela também é memória, consciência, confronto e luta.
Viva o rock.
Viva a luta antirracista.
Viva a cultura popular.
Viva o povo que transforma dor em resistência.