Privatização do Mercado da Redinha: trabalhadores denunciam prejuízos
Natal, RN 2 de jun 2026

Privatização do Mercado da Redinha: trabalhadores denunciam prejuízos

16 de julho de 2024
7min
Privatização do Mercado da Redinha: trabalhadores denunciam prejuízos
protesto na ponte nova | foto: Álex Cristian

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Moradores e trabalhadores da Praia da Redinha, na Zona Norte de Natal, realizaram um protesto na Ponte Newton Navarro no início da manhã desta terça-feira (16) contra o projeto de lei que quer entregar o Complexo Turístico da Redinha à iniciativa privada por 25 anos.

Os moradores bloquearam uma das vias, liberando o tráfego de veículos a cada 5 minutos, com a manifestação sendo encerrada por volta das 8h da manhã.

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Moradores ouvidos pela reportagem relataram seus descontentamentos diante do projeto de privatização do mercado. Isso porque, antes dos inícios das obras, o Executivo municipal prometeu o retorno dos trabalhadores ao complexo e agora, segundo eles, não existe nenhuma garantia que a iniciativa privada mantenha seus postos de trabalhos como antes. Um dos pontos que descontam os trabalhadores é a não garantia da continuação dos seus cargos após o período de 3 anos. 

“A gente só vai ter direito a ficar no mercado durante três anos e depois de três anos a empresa vai decidir o que a gente vai fazer. Estamos aqui contra esse ato criminoso que é a privatização do Mercado da Redinha”, denunciou o comerciante Juninho. 

vídeo: cedido

Agora, os manifestantes se mobilizam para atos futuros na sede da Prefeitura de Natal, para cobrar esses direitos que estão sendo negados.

“Vamos nos mobilizar. Inclusive, vamos estar presentes nas audiências públicas também para continuar pressionando “, diz. 

protesto redinha | foto cedida

Prefeitura quer privatizar mercado 

O prefeito de Natal, Álvaro Dias (Republicanos), enviou à Câmara Municipal um projeto de lei para autorizar a concessão do Complexo Turístico da Redinha à iniciativa privada por 25 anos. A proposta foi enviada por meio da Mensagem nº 135/2024, de 3 de julho, e apresentada à Casa legislativa no dia 8, com solicitação de regime de urgência.

A proposição tem o objetivo de estabelecer as regras necessárias à outorga de concessão do Complexo Turístico da Redinha, compreendendo uma área total de 16.580,60m² incluindo o mercado público, deck do mercado, estacionamentos, estação de tratamento de esgotos (ETE), prédio anexo e áreas de circulação, excluindo a faixa de praia, igreja e ruas. 

“A referida concessão visa a modernização da Redinha, com vistas a incrementar a atividade turística no local e melhorar a oferta de serviços, seja através de uma ação contínua de valorização dos equipamentos públicos colocados à disposição da população local, seja através da implementação de melhores práticas de governança e planejamento com vistas à reocupação do local; à atração de novos empreendimentos ao local, à geração de empregos ou de novas oportunidades para o local”, diz o prefeito.

Pelo projeto, o concessionário deverá garantir o retorno dos antigos ocupantes dos boxes do mercado e dos quiosques, desde que cadastrados e reconhecidos pelo poder concedente, nas seguintes condições.

  • Será garantida a manutenção dos contratos firmados com os antigos ocupantes acima descritos pelo prazo de três anos, prorrogáveis por idêntico período, desde que preenchidos os requisitos e metas exigidas no Edital de abertura da concessão.
  • O valor da locação a ser cobrado pelo concessionário a esses antigos ocupantes não poderá ser superior ao preço público mensal fixado pelo Poder concedente, nos termos da Lei Municipal de nº 7.254/21, considerando a área cedida, tendo isenção no primeiro ano, desconto de 75% no segundo ano, desconto de 50% no terceiro ano e, caso renovada, 25% de desconto no quarto ano, 12,5% de desconto no quinto ano e, por fim, 5% de desconto no sexto ano.

Como forma de preservação da história e cultura local, durante todo o período da concessão, o concessionário deverá, de acordo com a proposta, manter a comercialização, com especial destaque, da iguaria ginga com tapioca, patrimônio imaterial da cidade do Natal; manter, no mínimo, o percentual de 10% das unidades locáveis dos boxes e dos quiosques por empresários domiciliados na praia da Redinha; aplicar 10% das receitas líquidas acessórias à concessão, em melhoramentos no bairro da Redinha, por meio de obras e serviços, previamente aprovados pelo Poder concedente; e manter o percentual de 30% de todos os funcionários contratados pela concessionária, ainda que por meio de terceirização, em atuação direta no escopo da concessão, por moradores do bairro da Redinha.

Além do Complexo, a prefeitura também estuda fazer uma PPP no Teatro Sandoval Wanderley e na área de imagens do novo Hospital Municipal.

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Relembre

A nova estrutura do Complexo Turístico da Redinha, em substituição ao antigo e tradicional Mercado da Redinha, faz parte de um projeto de reestruturação da praia localizada no litoral Norte, no qual foram investidos cerca de R$ 25 milhões de recursos do município e do governo federal. Quando ficar pronto, o espaço será entregue para exploração da iniciativa privada através de uma PPP (Parceria Público-Privada).

As obras do mercado começaram em abril de 2022 com o prazo para o fim do serviço em setembro de 2023. No entanto, o serviço já foi adiado, pelo menos, 3 vezes e diante da situação as famílias que atuavam na praia foram retiradas e impedidas de trabalhar no local. O antigo mercado tinha 17 permissionários na área interna, além de 16 quiosqueiros em seu entorno.

Durante o processo de negociação para deixar o local, a Prefeitura do Natal fez acordo com 20 quiosqueiros. Uma parte aceitou receber R$ 25 mil sob condição de poder continuar atuando no local por seis meses, entre 1º de outubro do ano passado e 31 de março de 2024. Já outros dez permissionários optaram por receber uma indenização maior, de R$ 50 mil, e abrir mão dos seis meses de permissão para trabalhar novamente na praia.

Porém, demais trabalhadores, como garçons, cozinheiros, pescadores, ambulantes e funcionários de outros setores que trabalhavam na praia fizeram vários protestos porque ficaram de fora da negociação. Ou seja, não é de hoje que as obras de reestruturação da praia na zona Norte trazem um cenário de insegurança, principalmente econômico, para os trabalhadores da região.

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