Samba de Arruar é pausado por falta de pagamento da Funcarte, em Natal
Natal, RN 14 de jun 2026

Samba de Arruar é pausado por falta de pagamento da Funcarte, em Natal

28 de abril de 2026
5min
Samba de Arruar é pausado por falta de pagamento da Funcarte, em Natal
O projeto é idealizado pela cantora e compositora Valéria Oliveira e produzido por Mônica Mac Dowell - Foto: divulgação

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O projeto Samba de Arruar, nascido em 2024 em Natal, pausou a realização de edições neste ano por falta de pagamentos da Fundação Cultural Capitania das Artes (Funcarte), ligada à Prefeitura de Natal. As seis edições de 2025 foram realizadas sem que a verba pública tenha chegado até o momento. Já os cinco eventos previstos para este ano têm a previsão de receber emenda parlamentar, que também não foi destinada até agora.

O alerta público foi feito por meio do Instagram do Samba de Arruar (@sambadearruar) nesta segunda-feira (27). “Ao longo de 2025, realizamos 6 edições do projeto, todas executadas e entregues ao público com responsabilidade e dedicação. No entanto, esses trabalhos seguem sem pagamento até o momento. Além disso, já temos 5 edições previstas para 2026 que permanecem sem qualquer previsão de realização, diante da falta de interesse e compromisso com a cultura local por parte da Prefeitura em dar continuidade a iniciativas que levam arte, cultura e lazer à população”, disse o comunicado.

O projeto é idealizado pela cantora e compositora Valéria Oliveira e produzido por Mônica Mac Dowell. Algumas das edições foram realizadas via emenda parlamentar do ex-vereador Robério Paulino, e a última teve emenda da ex-vereadora Ana Paula. Além disso, em 2024, quatro edições contaram com um apoio parcial da Lei Djalma Maranhão.

“A gente tem destinado neste ano cinco edições também pelo professor Robério Paulino, mas essas a gente nem imagina quando é que vai receber para a gente poder recomeçar o projeto. Por enquanto, a gente quer ao menos receber as que já foram realizadas”, explica Mônica à reportagem.

A produtora explica que tem ido há alguns meses à Funcarte, sendo informada de que o projeto consta da primeira página da ordem cronológica para pagamentos. Ainda assim, o dinheiro ainda não caiu. 

“Desde dezembro que a gente é informado lá toda vez que vai que parte das nossas emendas estão na primeira página, outra parte na segunda e alguma coisa na terceira. Ou seja, até onde nos informaram, essas três páginas não chegam a 800 mil reais, desde dezembro, e a gente sabe que a Prefeitura já fez repasse para a Funcarte depois disso. Ou seja, o que nos preocupa ainda mais é pensar que a ordem cronológica possivelmente não está sendo respeitada”, afirma.

Já Valéria Oliveira afirma que a situação causa frustração. Ela atua há mais de três décadas na música como artista, e há pelo menos 12 anos com o movimento do samba potiguar. O projeto idealizado por ela nasceu com o objetivo de circular pela cidade e valorizar a presença das mulheres nas rodas de samba na capital. As edições feitas até o momento já passaram por locais como o Largo Ruy Pereira (Cidade Alta), largo da Rua Chile (Ribeira) e Praça Gentil Ferreira (Alecrim), sempre gratuitas e abertas ao público. 

“A gente tem a sensação realmente de que os artistas potiguares não estão no radar da Prefeitura. E isso é muito triste, porque um projeto como esse exige da gente um empenho muito grande para todas as etapas do projeto acontecer, desde a pessoa que acredita no projeto, que quer chegar junto, que quer patrocinar toda a documentação, prestação de conta, emissão de nota fiscal, você adianta imposto, enfim. Ou seja, paga o imposto da nota, queira ou não queira adiantado. Nós acertamos com todo mundo da equipe”, explica.

“Gerador quando necessário, toda essa parte de brigadista, de segurança, tudo isso foi adiantado no ano passado até onde a gente pôde. Aí esse ano chega um ponto em que a gente não tem mais de onde tirar dinheiro. Então a gente interrompeu, não tem como. A gente já está lá com dívidas, inclusive”, completa Mac Dowell.

Ainda na publicação nas redes sociais, a produção afirma que o Samba de Arruar é construído por profissionais que trabalham, planejam, produzem e colocam cada roda na rua. “Sem o pagamento pelos serviços já realizados, não há como sustentar a continuidade do projeto”, informa a página. Valéria Oliveira aponta que ela e Mônica possuem um perfil propositivo, de buscar alternativas para sanar as questões — mas que a publicação foi necessária diante do atual cenário.

“Quem faz as coisas acontecerem durante o ano são os produtores, são os movimentos de samba. E acho que é importante reconhecer isso. A população está recebendo um evento gratuito porque precisa de arte, cultura, lazer, e a gente só consegue viabilizar isso com toda essa estrutura com os apoios que nós temos recebido”, diz a artista.

A Agência SAIBA MAIS procurou a Funcarte para um pronunciamento, mas não obteve retorno até a publicação da reportagem.

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