Servidores da saúde garantem mudanças em projeto da Prefeitura de Natal
Natal, RN 13 de jul 2026

Servidores da saúde garantem mudanças em projeto da Prefeitura de Natal

28 de maio de 2026
4min
Servidores da saúde garantem mudanças em projeto da Prefeitura de Natal
Projeto de recomposição salarial veio após pressão de servidores e sindicalistas da saúde - Foto: Francisco de Assis

Ajude o Portal Saiba Mais a continuar produzindo jornalismo independente! Apoie com qualquer valor e faça parte dessa iniciativa.

Quero Apoiar

Após pressão de servidores e sindicalistas da saúde, a Câmara de Natal aprovou nesta quarta-feira (27) um Projeto de Lei Complementar (PLC) que concede recomposição salarial a alguns cargos da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e garante que os auxiliares que trabalham como técnicos de enfermagem recebam os valores devidos da função.

O PLC 13/2026 foi enviado pelo prefeito Paulinho Freire (União) à Câmara na terça-feira (26), depois que a Prefeitura arquivou um outro projeto, enviado em abril, que virou alvo de críticas de servidores e gerou protestos na Câmara. O texto anterior continha pontos considerados negativos pela categoria, sendo um deles que poderia a longo prazo rebaixar o salário dos trabalhadores da saúde para abaixo do mínimo.

O novo PLC altera a matriz de remuneração dos cargos de Auxiliar em Saúde, Assistente em Saúde, Técnico em Saúde e Especialista em Saúde e recompõe o salário no percentual de 4,44% com retroativo a março de 2026. Agora, eles serão contemplados pela recomposição salarial que irá incidir sobre todas as letras e níveis dos Planos de Cargos e Carreiras dessas categorias.

Saiba Mais: Prefeitura de Natal retira projeto de tramitação após pressão de servidores da saúde

Além disso, o texto garante a isonomia salarial dos assistentes em saúde com os técnicos, bastando para isso apresentar um diploma de curso de nível técnico. Antes, a Prefeitura havia apresentado a revogação do artigo 1º da Lei Complementar nº 134, de 5 de setembro de 2013, em que os auxiliares de enfermagem constam com o salário equivalente ao de técnico.

Em virtude da pressão das entidades sindicais, a gestão de Paulinho Freire também recuou da revogação do artigo 18 da Lei Complementar nº 120, de 3 de dezembro de 2010 — o Plano de Cargos da saúde, que dispõe que nenhum salário das categorias será menor do que o salário mínimo vigente no país.

A Constituição Federal proíbe que o servidor público receba menos do que o salário mínimo. No entanto, o Supremo Tribunal Federal (STF) possui uma súmula vinculante em que estabelece que a proibição não se refere ao salário base, e sim ao total da remuneração. A proposta de revogação anterior, então, abria margem para que os salários ficassem abaixo do mínimo, o que agora fica de fora de vez do PLC.

O texto retificado foi votado em regime de urgência e aprovado com ampla maioria dos votos.  

Saiba Mais: Natal: servidores da saúde protestam contra projeto que pode reduzir salários

O líder do prefeito na Câmara, vereador Aldo Clemente (PSDB), reconheceu que a atuação sindical foi fundamental para as mudanças no projeto.

O vereador Daniel Valença (PT), da oposição, esteve em assembleia da categoria no final de abril e articulou junto com os servidores da saúde. Segundo ele, após a mobilização dos sindicalistas, o projeto foi retirado de pauta até se chegar a um consenso para garantir a recomposição.

“A gente conquista hoje algo histórico, que é, finalmente, auxiliares de enfermagem estão com proteção jurídica. Desde que eu estou aqui em 2023, que isso é uma pauta histórica, infelizmente, nunca aqui chegou, e quando chegou a primeira vez o projeto, veio atacando esse direito e não reafirmando”, apontou.

Apesar do avanço nas negociações, o Sindsaúde/RN, que representa a categoria, ressaltou que essa não foi a proposta defendida inicialmente pelo sindicato e sua base. Desde 2025 a entidade reivindicava o reajuste da data-base 2026 no percentual de 13,47%, a criação de plano de produtividade no município, a cobrança das perdas acumuladas ao longo dos anos e o reajuste das gratificações a partir do estudo do Instituto Latino Americano de Estudos Socioeconômicos. 

O estudo do ILAESE, apresentado aos servidores em dezembro do ano passado, demonstra distorções históricas na tabela do plano de cargos e nas gratificações da Lei Complementar Nº 120/2010, congeladas desde 2010.

Apoiar Saiba Mais

Pra quem deseja ajudar a fortalecer o debate público

QR Code

Ajude-nos a continuar produzindo jornalismo independente! Apoie com qualquer valor e faça parte dessa iniciativa.

Quero Apoiar

Este site utiliza cookies e solicita seus dados pessoais para melhorar sua experiência de navegação.