RN pode ganhar três novas unidades de conservação marinhas; veja o que muda
Natal, RN 15 de jun 2026

RN pode ganhar três novas unidades de conservação marinhas; veja o que muda

15 de junho de 2026
3min
RN pode ganhar três novas unidades de conservação marinhas; veja o que muda
Foto: Danny Nunes

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O mar que banha o Rio Grande do Norte pode ganhar uma nova camada de proteção. O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) realizará, no próximo dia 23 de junho, em Natal, uma consulta pública para discutir a criação de três novas unidades de conservação marinhas em áreas oceânicas consideradas estratégicas para a preservação da biodiversidade brasileira.

A proposta envolve a criação da Área de Proteção Ambiental (APA) dos Montes Oceânicos das Cadeias de Fernando de Noronha e Norte do Brasil, além de dois Refúgios de Vida Silvestre (Revis): um na Cadeia de Fernando de Noronha e outro na Cadeia Norte do Brasil.

As áreas abrangem montes submarinos localizados em alto-mar, formações geológicas que funcionam como verdadeiros oásis de vida no oceano e servem de abrigo, alimentação e rota de passagem para diversas espécies marinhas.

A criação de novas unidades de conservação marinhas está alinhada aos compromissos assumidos pelo Brasil para ampliar a proteção de seus ecossistemas e conservar áreas consideradas essenciais para a manutenção da biodiversidade e dos recursos pesqueiros“, explica Luiz Carmo, oceanógrafo e pesquisador.

A consulta pública é aberta à participação da sociedade civil, órgãos ambientais, entidades públicas, organizações não governamentais, associações de moradores e pescadores, povos e comunidades tradicionais, representantes do setor turístico e demais segmentos produtivos.

O objetivo é apresentar os estudos técnicos que embasam a proposta e receber contribuições da população antes da decisão final sobre a criação das unidades.

Além de Natal, o ICMBio também promoverá uma consulta pública em Fortaleza (CE), no dia 25 de junho.

Ecossistemas únicos e espécies ameaçadas de extinção

Segundo o ICMBio, as regiões propostas para proteção concentram ecossistemas únicos e espécies ameaçadas de extinção, além de desempenharem papel importante nas rotas migratórias de animais como tubarões, raias, tartarugas marinhas, cetáceos e aves oceânicas.

Embora fiquem distantes da costa, os montes oceânicos exercem influência sobre a produtividade dos mares brasileiros. Essas formações elevam nutrientes das profundezas para camadas mais superficiais da água, favorecendo a presença de peixes e outros organismos marinhos. Por isso, são consideradas áreas prioritárias para conservação em diversos estudos científicos.

Para o diretor técnico do Idema, Thales Dantas, a consulta pública representa uma etapa fundamental do processo de criação das unidades.

“Consultas públicas como esta são fundamentais para garantir a participação social no processo de criação das unidades e possibilitam que diferentes setores contribuam com informações e sugestões às propostas apresentadas“, diz.

O que pode mudar para o RN

Além da preservação ambiental, a proposta pode trazer reflexos para atividades econômicas ligadas ao mar e para a produção de conhecimento científico sobre o Atlântico brasileiro.

“Os montes oceânicos funcionam como áreas de concentração de biodiversidade e podem influenciar a distribuição de diversas espécies de interesse ecológico e pesqueiro. A proteção dessas regiões ajuda a garantir a manutenção desses ecossistemas no longo prazo”, explica Luiz do Carmo.

O especialista também destaca possíveis impactos para a pesca, o turismo, a pesquisa científica e a conservação da biodiversidade marinha.

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