Defesa Civil alerta para risco nas falésias após chuvas em Pipa
As chuvas intensas registradas em Tibau do Sul na terça-feira (21) transformaram temporariamente a paisagem de um dos principais cartões-postais do Rio Grande do Norte. Nas praias de Pipa, a água acumulada no topo das falésias passou a escorrer pelas encostas, formando pequenas quedas d’água sobre os paredões. O fenômeno, registrado em vídeos compartilhados nas redes sociais, chamou a atenção de moradores e turistas na Praia do Centro.
Apesar do efeito visual, a água escorrendo pelas falésias também serve de alerta para um risco conhecido na região. As formações geológicas de Pipa são constituídas por sedimentos arenosos e argilosos da Formação Barreiras, moldados ao longo de milhares de anos pela ação do vento, das chuvas e do mar. Durante períodos de precipitações intensas, a infiltração da água pelas fraturas naturais do terreno reduz a resistência desses materiais e aumenta a possibilidade de deslizamentos e desprendimento de blocos.
O estudo”Aspectos morfoestruturais e fatores erosivos em Falésias: o caso de Pipa – RN” desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) apontam que esse processo é agravado pela combinação entre a infiltração da água no interior das falésias e a erosão provocada pelas ondas na base dos paredões. Essa dinâmica torna as encostas naturalmente instáveis, sobretudo após episódios de chuva intensa.
Diante desse cenário, a Defesa Civil de Tibau do Sul orientou moradores e visitantes a não permanecerem próximos às falésias, tanto na faixa de areia quanto nas áreas superiores, devido ao risco de acidentes.
“Há um risco real de acidentes. Após o fim das chuvas, o risco continua, pois os taludes, morros e falésias encontram-se saturados em razão do grande volume de água”, informou o órgão.
Segundo a Defesa Civil, o perigo não termina quando a chuva cessa. A água permanece infiltrada no solo por dias, mantendo as encostas encharcadas e aumentando a probabilidade de deslizamentos, especialmente em áreas onde já existem rachaduras ou sinais de erosão.
A preocupação com a estabilidade das falésias de Pipa ganhou ainda mais atenção após o desabamento registrado em novembro de 2020, quando parte de uma falésia cedeu na Praia de Pipa e matou três pessoas da mesma família. Desde então, órgãos públicos e pesquisadores intensificaram os estudos e o monitoramento das áreas consideradas mais vulneráveis para reduzir o risco de novos acidentes.
Em razão dos impactos provocados pelas chuvas desta semana, a Prefeitura de Tibau do Sul também alterou o trânsito na região central de Pipa. A Ladeira do Largo São Sebastião, no trecho entre a Igreja de São Sebastião e a Sorveteria Preciosa, foi interditada preventivamente.
Como alternativa, a via localizada abaixo da Praça do Pescador passou a operar temporariamente em mão dupla para garantir a circulação de veículos.
A administração municipal orienta que motoristas e pedestres redobrem a atenção ao circular pela região enquanto persistirem os efeitos das chuvas. Equipes da Defesa Civil seguem monitorando as áreas de risco e recomendam que moradores e turistas respeitem as interdições e evitem permanecer próximos às falésias até que as condições de segurança sejam restabelecidas.
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