Defesa Civil alerta para risco nas falésias após chuvas em Pipa
Natal, RN 22 de jul 2026

Defesa Civil alerta para risco nas falésias após chuvas em Pipa

22 de julho de 2026
4min
Defesa Civil alerta para risco nas falésias após chuvas em Pipa
Foto: Sérgio Henrique Santos

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As chuvas intensas registradas em Tibau do Sul na terça-feira (21) transformaram temporariamente a paisagem de um dos principais cartões-postais do Rio Grande do Norte. Nas praias de Pipa, a água acumulada no topo das falésias passou a escorrer pelas encostas, formando pequenas quedas d’água sobre os paredões. O fenômeno, registrado em vídeos compartilhados nas redes sociais, chamou a atenção de moradores e turistas na Praia do Centro.

Apesar do efeito visual, a água escorrendo pelas falésias também serve de alerta para um risco conhecido na região. As formações geológicas de Pipa são constituídas por sedimentos arenosos e argilosos da Formação Barreiras, moldados ao longo de milhares de anos pela ação do vento, das chuvas e do mar. Durante períodos de precipitações intensas, a infiltração da água pelas fraturas naturais do terreno reduz a resistência desses materiais e aumenta a possibilidade de deslizamentos e desprendimento de blocos.

O estudo”Aspectos morfoestruturais e fatores erosivos em Falésias: o caso de Pipa – RN” desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) apontam que esse processo é agravado pela combinação entre a infiltração da água no interior das falésias e a erosão provocada pelas ondas na base dos paredões. Essa dinâmica torna as encostas naturalmente instáveis, sobretudo após episódios de chuva intensa.

Diante desse cenário, a Defesa Civil de Tibau do Sul orientou moradores e visitantes a não permanecerem próximos às falésias, tanto na faixa de areia quanto nas áreas superiores, devido ao risco de acidentes.

“Há um risco real de acidentes. Após o fim das chuvas, o risco continua, pois os taludes, morros e falésias encontram-se saturados em razão do grande volume de água”, informou o órgão.

Segundo a Defesa Civil, o perigo não termina quando a chuva cessa. A água permanece infiltrada no solo por dias, mantendo as encostas encharcadas e aumentando a probabilidade de deslizamentos, especialmente em áreas onde já existem rachaduras ou sinais de erosão.

A preocupação com a estabilidade das falésias de Pipa ganhou ainda mais atenção após o desabamento registrado em novembro de 2020, quando parte de uma falésia cedeu na Praia de Pipa e matou três pessoas da mesma família. Desde então, órgãos públicos e pesquisadores intensificaram os estudos e o monitoramento das áreas consideradas mais vulneráveis para reduzir o risco de novos acidentes.

Em razão dos impactos provocados pelas chuvas desta semana, a Prefeitura de Tibau do Sul também alterou o trânsito na região central de Pipa. A Ladeira do Largo São Sebastião, no trecho entre a Igreja de São Sebastião e a Sorveteria Preciosa, foi interditada preventivamente.

Como alternativa, a via localizada abaixo da Praça do Pescador passou a operar temporariamente em mão dupla para garantir a circulação de veículos.

A administração municipal orienta que motoristas e pedestres redobrem a atenção ao circular pela região enquanto persistirem os efeitos das chuvas. Equipes da Defesa Civil seguem monitorando as áreas de risco e recomendam que moradores e turistas respeitem as interdições e evitem permanecer próximos às falésias até que as condições de segurança sejam restabelecidas.

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