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Boaventura de Sousa Santos receberá título Honoris Causa da UFRN

Cientista social, ativista dos Direitos Humanos e um dos principais pensadores contemporâneos do mundo, o professor português Boaventura de Sousa Santos receberá, em 2019, o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. A concessão do prêmio foi aprovada dia 7 de dezembro, por unanimidade, pelo Conselho Universitário (Consuni) por sugestão do professor Itamar Nobre, do Departamento de Comunicação da UFRN. A aula magna que abrirá o primeiro semestre de 2019 será proferida em março, ainda sem data definida, pelo próprio Boaventura.

A UERN já havia aprovado a mesma honraria ao professor português em agosto de 2018.

A reitora Ângela Maria Paiva Cruz ressaltou a importância da aprovação do título em razão do trabalho desenvolvido ao longo da vida pelo professor Boaventura, “em defesa da humanidade e do papel fundamental das universidades no processo de civilização”. Já na opinião do pró-reitor de Planejamento, João Emanuel Evangelista de Oliveira, “a concessão do título coloca a Universidade em sintonia com o que há de melhor no pensamento internacional”.

A relatora da proposta foi a conselheira e diretora do Centro de Educação da UFRN Márcia Gurgel Ribeiro. Ela lembrou que a homenagem faz ainda mais sentido durante as comemorações pelos 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos:

– “Esse título tem uma importância enorme principalmente porque Boaventura é um intelectual comprometido com as causas sociais, tem uma produção reconhecida e desenvolve várias atividades com grupos de pesquisa da UFRN. Há um convênio firmado entre a UFRN e a Universidade de Coimbra desde 2006. E nesse período em que o mundo celebra os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos essa homenagem é ainda mais justa”, disse.

A ponte entre Boaventura Santos e a UFRN foi realizada pelo professor e cientista social Willington Germano, que conheceu a obra do colega português quando foi apresentado ao livro Pela mão de Alice:

– Um dia a professora Brasília Carlos Ferreira me emprestou o livro Pela mão de Alice e, ao ler a obra, me senti como a gente se sente quando alguém escreve tudo aquilo que você queria ter escrito, mas não conseguiu ou não teve oportunidade. E a partir dali eu comecei a introduzir a obra de Boaventura nas minhas aulas, nos meus cursos. Numa das vezes que estive em São Paulo participar de uma banca, fui a casa do meu amigo José Cortez (dono da editora Cortez) e, por coincidência, lá estava o Boaventura. Por acaso eu tinha em mãos um dos livros dele, pedi um autógrafo e começamos os contatos.

Como pro-reitor de extensão da UFRN, Germano tentou trazer Boaventura a Natal algumas vezes, mas isso só foi possível a partir de 2006, quando a UFRN assinou um convênio com a Universidade de Coimbra, onde o português dirige o centro de estudos sociais. A partir daí iniciou-se um intercâmbio entre estudantes e professores brasileiros e portugueses:

Embora tenha tido uma responsabilidade no estudo e divulgar da sua obra na UFRN, foi um trabalho coletivo, desenvolvido, sobretudo, a partir do grupo de pesquisa “Cultura, política e educação”, então sob a minha coordenação. Desse modo contamos com a colaboração desse coletivo de estudantes e professores. E gostaria de destacar a colaboração da professora Vânia Gico, do departamento de ciências sociais, e da professora Lenina Lopes, do IFRN e de vários outros, a exemplo dos professores Itamar Nobre, departamento de ciências, e de Zéu Palmeira, do curso de Direito da UFRN. Esses dois professores, entre outros, fizeram pós doutorado no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, dirigido por Boaventura.

A revista Cronos, produzida e editada pela pós-graduação de Ciências Sociais da UFRN publicou um dossiê sobre Boaventura, que acabou se tornando colaborador da própria revista.

Willington Germano destaca o compromisso de Boaventura com a diversidade e o pensamento contemporâneo:

– Ele identificou várias monoculturas do mundo, como a do conhecimento, a ciência clássica. Se aprofunda sobre os saberes das populações subalternas, como negros, índios… e mostra que quando os saberes são selecionados, cessam as vozes. Boaventura é um estudioso das formas alternativas de produção de conhecimento, econômica de diversidade democrática. Esse é Boaventura, autor que tem essa amplidão, essa identificação, e com uma atuação politica muito grande, tanto que é um dos formuladores do Fórum Social Mundial.

Quem é Boaventura de Sousa Santos

Boaventura de Sousa Santos nasceu em 1940 em São Pedro de Alva, em Portugal. É professor catedrático jubilado da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, Distinguished Legal Scholar da Faculdade de Direito da Universidade de Wisconsin-Madison e Global Legal Scholar da Universidade de Warwick. Também dirige o Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e é coordenador científico do Observatório Permanente da Justiça.

O professor tem trabalhos publicados sobre globalização, sociologia do direito, epistemologia, democracia e direitos humanos, a maioria traduzido para o espanhol, inglês, italiano, francês, alemão, chinês e romeno.

Boaventura dirige atualmente o projeto de investigação ALICE – Espelhos estranhos, lições imprevistas: definindo para a Europa um novo modo de partilhar as experiências o mundo, um projeto financiado pelo Conselho Europeu de Investigação (ERC), um dos mais prestigiados e competitivos financiamentos internacionais para a investigação científica de excelência em espaço europeu.

 

 

 

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Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"