Selo comemorativo e homenagem em cordel abrem celebração do centenário de Luiz Ignácio Maranhão Filho
Natal, RN 17 de jul 2024

Selo comemorativo e homenagem em cordel abrem celebração do centenário de Luiz Ignácio Maranhão Filho

25 de janeiro de 2021
Selo comemorativo e homenagem em cordel abrem celebração do centenário de Luiz Ignácio Maranhão Filho

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Na contramão das ações do governo federal de desmonte das políticas públicas de realização da memória e verdade no Brasil, o Rio Grande do Norte faz um resgate este ano da figura do professor, advogado e comunista Luiz Ignácio Maranhão Filho. Nesta segunda-feira, 25, data de celebração do seu centenário, foi lançada a comissão criada para este fim, presidida pelo economista e ativista dos direitos humanos, Roberto Monte. A solenidade aconteceu no Auditório da Escola de Governo com a presença da governadora Fátima Bezerra (PT).

O ato contou com o lançamento de um selo comemorativo, idealizado pelo cartunista Cláudio Oliveira e executado em parceria com os Correios, e de um cordel de autoria do presidente da Fundação José Augusto (FJA), Crispiniano Neto.

Uma extensa programação ao longo deste ano, com o lançamento de livros e a republicação da biografia “Luiz, o Santo Ateu”, de Eloneida Studart, deverá lembrar “a vida e trajetória política de Luiz Ignácio Maranhão Filho”, esclarece Roberto Monte. Segundo ele, a comissão está fazendo um “levantamento de tudo que está em áudio, vídeo e material impresso” para que este material seja disponibilizado em bibliotecas públicas, escolas e casas de cultura num trabalho com a FJA e a secretaria estadual de Educação.

“Em tempos tão desafiadores, recordar e trazer à tona a vida de lutadores e lutadoras sociais é trabalhar a questão da memória, é cimentar a identidade e forjar os alicerces da democracia”, afirmou Roberto.

Roberto Monte é o presidente da comissão e falou sobre a importância da preservação da memória / foto: Rômulo Sckaff

Marcadas pela emoção de parentes e colegas do Partido Comunista Brasileiro que conviveram com Luiz Ignácio Maranhão Filho, as falas deram conta de quem ele foi como ser humano e político. Segundo o historiador Alexandre de Albuquerque Maranhão, sobrinho de Luiz Maranhão Filho e vice-presidente da comissão, “ele renunciou a tudo, à vida profissional de advogado, jornalista e professor. A sua escolha e sua aposta foi por lutar contra qualquer forma de opressão”, lembrando aos presentes que tudo o que conhece é através do pai e familiares de Luiz, já que perdeu o contato com o tio em 1964, quando tinha apenas 2 anos de idade.

O privilégio da convivência foi ressaltado pelo militante comunista Antônio Capistrano, professor aposentado da UERN, ex-reitor, ex-deputado estadual e por duas vezes vice-prefeito da cidade de Mossoró. “Tive o privilégio de conhecer e conversar com Luiz Ignácio Maranhão em seu apartamento, quando recebia a juventude do PCB”, afirmou. Para o amigo, Luiz estará “sempre presente na memória da classe trabalhadora”.

Juliano Homem de Siqueira, o primeiro vereador eleito pelo Partido Comunista do Brasil em Natal, no ano de 1994, disse que conheceu Luiz Ignácio Maranhão Filho quando tinha apenas 11 anos através do seu pai, o médico, professor e escritor Esmeraldo Homem de Siqueira.

Preso político no início da década de 70, Juliano falou também sobre seu ingresso na luta política na década de 60, como militante comunista, a missão de reorganização do Partido Comunista Brasileiro (PCB) no Estado, e a importância da orientação de Vulpiano Cavalcanti e Luiz Ignácio Maranhão. Para Juliano, Luiz é uma “figura ecumênica, marxista, socialista, democrática e humanista”.

O presidente da FJA, Crispiniano Neto, recitou o cordel “Viva Luiz Maranhão”. “O Rio Grande do Norte | Despertando da omissão | Traz do silêncio da História | Um grito contra a opressão | Pra falar de um libertário | Descrevendo o centenário | Do herói Luiz Maranhão!”, diz a primeira estrofe.

O evento foi encerrado com a fala da governadora Fátima Bezerra (PT). “Toda a gratidão pela vida e história de Luiz Maranhão, um homem justo, um homem inteligente e sagaz. Sua luta é sagrada para nós, pois é a luta por igualdade de direitos, por cidadania e pela democracia”, afirmou a governadora. Ela destacou ainda que nenhum ato trará de volta a vida dos ativistas políticos ceifados pela ditadura ou por qualquer outro sistema de opressão: “mas, todos os atos importam para a gente continuar lutando”.

Estiveram presentes ao ato solene, cujo número de participantes foi limitado devido à pandemia, o vice-governador Antenor Roberto; a titular da Semjidh, Eveline Guerra; a secretária-adjunta de Estado da Educação, Márcia Gurgel; a Assessora de Comunicação do RN, Guia Dantas; o subsecretário de Esportes e Lazer, Canindé de França; o diretor da Fundação José Augusto, Fábio Lima; o superintendente dos Correios, Rodrigo do Patrocínio; além de outras personalidades, como Mariana Prestes; Antônio Capistrano; Hermano Paiva; Gileno Guanabara e Hugo Manso.

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