CIDADANIA

Sem testagem para prevenir cepa indiana no RN, Anvisa pede para estado aguardar medidas no Maranhão

A chegada da cepa indiana ao Maranhão e Distrito Federal parece não ser motivo de alerta para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), responsável pela fiscalização em portos e aeroportos do país. Técnicos da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) trocaram informações com a Anvisa e pediram informações sobre quais medidas estão sendo adotadas no Aeroporto Internacional de São Gonçalo do Amarante e quais as mudanças no procedimento em relação à cepa indiana. Além disso, o RN também pediu que a Anvisa analisasse a possibilidade de implantação de barreiras sanitárias.

Segundo a Anvisa, desde abril de2020 o aeroporto de São Gonçalo não recebe voos internacionais regulares. No entanto, durante esse período, o RN também não contou com medidas preventivas em relação a esses passageiros que chegam por aqui, apesar de haver portaria do Ministério da Saúde para lidar com a questão.

As medidas adotadas no aeroporto de São Gonçalo permanecem as mesmas voltadas ao SARS-Cov2, como o uso obrigatório de máscara, avisos sonoros no aeroporto, marcações no chão para o distanciamento entre as pessoas e disponibilidade de álcool em gel, sem qualquer tipo de testagem para monitoramento. Como o aeroporto não recebe voos diretos do estado do Maranhão, a recomendação da Anvisa é que, quando detectados passageiros que tenham passado pelo estado nos últimos 14 dias com sintomas de covid-19 a bordo, seja seguido o protocolo de isolamento e monitoramento padrão da Anvisa para casos de covid-19.

A Sesap também comunicou à Anvisa que soube de reunião a ser realizada no Maranhão sobre medidas no aeroporto de lá com barreiras sanitárias e testagem rápida de passageiros. Mas, a Agência já adiantou que para fazer o mesmo no RN, seria preciso a reserva de um espaço no aeroporto para isolamento de passageiros com resultados positivos, além de discussão sobre os desdobramentos para estes passageiros quanto a transporte, unidade para consulta médica e outras condutas a serem providenciadas nas barreiras mais restritivas.

Diante dos pedidos e questionamentos do Rio Grande do Norte, a Anvisa afirmou que ainda não há comprovação de transmissão comunitária da variante indiana e que o momento seria de aguardar as ações por parte do estado do Maranhão. Na possibilidade de implantação de barreiras sanitárias no Rio Grande do Norte, os técnicos municipais e estaduais poderiam atuar, mas em áreas de não segurança do aeroporto, como o checkin e desembarque.

Porto de Natal

No Porto de Natal, segundo nota técnica Anvisa, os tripulantes desembarcam com a realização de RT-PCR e avaliação médica.

Maranhão

Além do Maranhão, que possui um caso confirmado, o Distrito Federal já possui um caso suspeito da cepa indiana da covid-19. O paciente é um brasileiro vindo da Índia que fez conexão em São Paulo num voo que já trazia um passageiro com suspeita da doença. A cepa indiana é até 50% mais transmissível e no último dia 20, o Maranhão já tinha registrado o 1º caso no Brasil em um homem que chegou em um navio vindo da Malásia. Ele está internado e outros 15 passageiros, dentre uma tripulação de 21 pessoas, testaram positivo para a covid-19. Eles continuam na embarcação em isolamento em alto mar durante o período de quarentena. Cerca de 100 pessoas tiveram contato com a tripulação e estão sendo monitoradas pelo Governo do Maranhão.

Cepa descoberta na Índia

A variante da covid-19 descoberta na Índia foi batizada cientificamente de B.1.617 e é a 4ª a receber sinal de “variante de preocupação” pela Organização Mundial da Saúde. Ela ainda tem mais três variantes: B.1.617.1, a B.1.617.2 e a B.1.617.3, e já foi encontrada em 50 países: Reino Unido, EUA, Alemanha, Singapura, Austrália, Dinamarca, Irlanda, Itália, Bélgica, Suíça, Japão, França, Holanda, Canadá, Bahrein, Espanha, China, Nova Zelândia, Polônia, Suécia, África do Sul, Indonésia, Portugal, Angola, México, Luxemburgo, Romênia, Coréia do Sul, Rússia, Jordânia, Uganda, Bangladesh, Noruega, República Checa, Malásia, Aruba, Tailândia, Guadalupe, Grécia, São Martinho, Sri Lanka, Curaçao, Áustria, Marrocos, Ilha da Reunião, Eslovênia, Cambodia, Botswana e Argentina.

Além da cepa descoberta na Índia, outras três cepas foram classificadas pela OMS como de “atenção global”: a cepa descoberta no Reino Unido (B.1.1.7), Na África do Sul (B.1.351) e em Manaus (P1). Até o dia 20, foram registrados 119 navios de quarentena na costa do Rio de Janeiro, outros 26 em São Paulo, seis na Bahia, quatro no Pará, quatro em Pernambuco e mais onze em locais não identificados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

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