OPINIÃO

PSG pode repetir o Real

Wijnaldum, Hakimi, Sergio Ramos, Donnarumma e Lionel Messi. Eles se juntam a Neymar, Mbappé, Marquinhos e Di Maria, é garantia de títulos para o PSG? Essa é a grande questão a ser respondida em campo. “Dinheiro não é garantia de vitórias no futebol”. Quem repetia muito essa frase era ninguém menos que Johan Cruyff, um dos maiores gênios da bola em todos os tempos.

Todo mundo vai cobrar. Todo mundo vai achar que vai ser fácil ganhar títulos com um time desses. Mas me ocorreu alguns exemplos de constelações que não deram resultado nenhum e para quem acompanha o futebol do planeta lembra imediatamente dos “Galácticos” do Real Madrid, em 2003. O mais contundente fracasso do investimento milionário de Florentino Pérez, quando montou um time com Casillas; Salgado, Helguera, Samuel e Roberto Carlos; Guti, Beckham, Figo e Zidane; Raúl e Ronaldo Fenômeno, porém, não ganharam nada importante.

Até hoje é difícil de acreditar que Ronaldo nunca venceu uma Liga dos Campeões, principalmente por ter feito parte desse elenco, mas a verdade é que a decepção foi enorme, apesar de sofrer eliminações duras contra adversários fortes como Manchester United e Juventus.

Já o provável PSG 2021 deverá ser escalado por Mauricio Pochettino com: Donnarumma; Hakimi, Marquinhos, Sergio Ramos e Bernat; Verratti, Wijnaldum e Di María; Neymar, Messi e Mbappé, pode ser uma repetição daquele fantástico Real?

Dá para montar uma lista de grandes clubes e seleções que não conseguiram o que parecia óbvio, títulos e glória. Serve um exemplo do Brasil, o Flamengo do ataque dos sonhos em 1995 – Edmundo, Romário e Sávio treinado pelo comentarista Apolinho que sentiu na pele a diferença abissal entre ser “pedra” e  “vidraça”. Cinco anos depois, outro Flamengo criaria as mesmas expectativas. O time em 2000, no papel, dava medo em qualquer adversário do mundo.

O elenco contava com nomes de peso como Denílson, Edílson Capetinha, Alex, Adriano Imperador, Juan, Petkovic, Athirson, Júlio César e Gamarra.Mas o que se viu em campo foi outro fracasso. O time sequer se classificou para a segunda fase da Copa João Havelange, após ficar em 15º lugar no módulo azul, que tinha times da primeira divisão da época.

A seleção brasileira de 1982 é, para muitos, o melhor time já montado na história do futebol. Eu concordo. O time jogava um futebol técnico, bonito de se ver, e ganhava jogos com certa facilidade. Não é qualquer treinador que tem à sua disposição nomes como Zico, Sócrates,  Júnior, Leandro, Cerezo, Falcão, Éder e Serginho Chulapa. Telê Santana teve, em 1982, mas o resultado não foi o esperado. Idiotas falam em fracasso, isso nunca! O brilho ficou para sempre, mesmo sem título. Quando a seleção perdeu para a Itália, zebra monumental, uma manchete de um jornal espanhol naquele dia dizia tudo: “O futebol se despede da Copa do Mundo”.

Outra seleção brasileira pode ser citada, desta vez no mundial da Alemanha, em 2006. O time tinha Ronaldo, Ronaldinho, Adriano Imperador, Kaká, Robinho, Roberto Carlos, Cafu e mais uma série de craques lendários. Até o banco de reservas da equipe tinha jogadores que seriam titulares em qualquer outra seleção daquela Copa. Faltou treinador e moral. Nesse caso específico, a bagunça da “Casa Bandida”, dirigentes desmoralizados, rede de tevê ditando pautas, jogadores deslumbrados, festas e bebidas, tudo isso contribuiu para aquela melancólica derrota para a França.

E para encerrar, mais Flamengo. O time comandado por Jesus em 2019, campeão do Brasil e da Libertadores, vice-campeão do mundo. Talentos juntos que deram certo. Uma reedição agora com Renato Gaúcho no comando, sem Gerson, mas ainda muito estrelado. Vai conseguir repetir os feitos? Será que esses dois têm uma chance de se encontrar num futuro próximo?

Voltando ao PSG

Uma coisa bem interessante que ninguém está levando em consideração: a arrumação tática desse ajuntamento de dois gênios e grandes coadjuvantes: quem será o atacante de referência? Quem vai abrir espaços para as entradas, chegadas de Neymar e Messi? Um amontoado de gente no meio-campo, sim pois esse povo que nada sabe de bola escala Messi e Neymar como atacantes que eles não são. Os dois são goleadores, mas monstros na criação de jogadas e que têm sempre que jogar de frente para os adversários.

Alguém pode citar o exemplo do Brasil, copa de 1970. Sim, tínhamos vários meias-atacantes e um só atacante rompedor, o Jairzinho, mas vale lembrar que Tostão era centroavante nato, da elite dos habilidosos, e só saiu mais da área, do choque por conta do problema no olho, mesmo assim, sabia, como ninguém tirar o zagueiro da área, abrir espaços.

O PSG? Quero ver para crer. Se bem que Neymar e Messi juntos podem sim resolver qualquer dilema.

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Edmo Sinedino é jornalista, ex-jogador de futebol e escreve aos domingos