‘Bolsonaro Nunca Mais’: a insatisfação das Mulheres toma forma nas ruas
Natal, RN 13 de abr 2024

‘Bolsonaro Nunca Mais’: a insatisfação das Mulheres toma forma nas ruas

5 de dezembro de 2021
‘Bolsonaro Nunca Mais’: a insatisfação das Mulheres toma forma nas ruas

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Por aquelas que vieram antes e pelas que virão, mulheres de todas as idades e diferentes histórias ocuparam as ruas da capital potiguar neste sábado, 4, na mesma luta pelo direito à vida. Sob o mote “Bolsonaro Nunca Mais”, o Dia Nacional de Mobilização das Mulheres foi marcado por protestos também nas cidades de Assú e Mossoró contra o avanço e fortalecimento do machismo, da misoginia, da miséria e da falta de políticas públicas voltadas para a proteção das mulheres e à prevenção da violência.

Em defesa da vida das mulheres | Natal/RN | Foto: Jana Sá
Em Mossoró, Mulheres denunciam agenda de Bolsonaro | Foto: Ellen Dias
Assú/RN
olsonaro Nunca Mais em Assu/RN

Os atos foram convocados nacionalmente pelas mulheres de 29 entidades que também compõem a Campanha Fora Bolsonaro. Com arte, música, cartazes e palavras de ordem, as mulheres de todo o país lembraram que as desigualdades de classe e gênero, que se agravaram diante do cenário de pandemia causada pela covid-19, carregam também a marca dos piores desempenhos de Bolsonaro na execução do orçamento voltado às mulheres.

De janeiro de 2019 a julho de 2021, o planalto não gastou R$ 376,4 milhões dos R$ 1,1 bilhão disponíveis para 10 rubricas que têm as mulheres como público-alvo no Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos e no Ministério da Saúde.

Enquanto estudante e mulher, quero expressar a minha raiva e meu desprezo por tudo o que o governo Bolsonaro representa para as mulheres do nosso país. O governo Bolsonaro tem como principal alvo as mulheres estudantes e trabalhadoras”, avaliou a estudante de Psicologia da UFRN, Ana Beatriz Sá, coordenadora de Mulheres do Diretório Central dos Estudantes (DCE), ao tratar da necessidade de se estabelecer uma luta de massas que unifique estudantes, trabalhadores e o povo pobre.

Estudante de Psicologia da UFRN, Ana Beatriz Sá, coordenadora de Mulheres do DCE | Foto: Minervino

No Rio Grande do Norte, 368 mil famílias foram excluídas de políticas de distribuição de renda pelo governo Bolsonaro, após o fim do Bolsa Família (programa permanente, instituído no Governo Lula). No estado, 734 mil famílias recebiam Auxílio Emergencial, com a criação do Auxílio Brasil (com duração até 2022), a redução de beneficiários chega a 50%. No Brasil, são mais de 25 milhões de pessoa em extrema pobreza.

“Nós não estamos satisfeitos com o botijão de gás que está no custo de R$ 110,00. A cesta básica a gente não consegue mais comprar. As coisas hoje estão difíceis e a gente vem para rua para mostrar que nós temos força, temos garra para parar isso”, afirmou Valéria Patrícia, moradora da Ocupação Emmanuel Bezerra e militante do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB).

Valéria Patrícia, moradora da Ocupação Emmanuel Bezerra e militante do MLB | Foto: Jana Sá

Acompanhada da filha, a estudante Fernanda Silva disse que sempre participa de manifestações de rua quando a pauta é o direito das mulheres. Para ela, nesse contexto político, a mobilização é mais importante do que nunca.

“Todos os avanços de políticas públicas que tiveram nas últimas décadas estão sendo desmontados. Então, não podemos ficar dentro de casa, é importante demonstrar nossa insatisfação”, disse.

Num país em que 52% do eleitorado é feminino, as mulheres afirmam que não renunciarão à construção que têm feito até aqui por um país menos violento. Com críticas à retirada de direitos, exemplificada pelo desmonte das legislações trabalhista e previdenciária, representantes dos movimentos de Mulheres denunciaram que é o governo de Bolsonaro quem dirige toda a agenda neoliberal, antidemocrática e conservadora, além de trazer temas caros para a luta das mulheres, como o combate à violência.

No Rio Grande do Norte, estiveram presentes ao ato a Marcha Mundial das Mulheres, o Coletivo Negras da Periferia, Movimento Mulheres em Luta (MML), o Coletivo Feminista Classista Ana Monte Negro, a União Brasileira de Mulheres (UBM), o Movimento Olga Benário, a Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), Pão e Rosas, Amélias, Federação das Mulheres do Rio Grande do Norte, Unegro, Levante Popular da Juventude, DCE/UFRN, Movimento Correnteza, Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), Movimento de Luta Por Moradia Popular (MLMP), partidos políticos (PT, PSTU, PCdoB, PSOL, UP e POR), Centrais Sindicais (CUT, CTB e Pública) e mandatos parlamentares - deputada federal Natália Bonavides (PT), deputada estadual Isolda Dantas (PT), vereadoras de Natal Brisa Bracchi (PT) e Divaneide Basílio (PT), e o vereador Pedro Gorki (PCdoB).

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