ENTREVISTA

Não tem sentido liberar uso de máscara agora, diz secretária adjunta da Saúde no RN, Lyane Ramalho

“Não tem sentido nesse momento – com a nova variante, com coberturas vacinais que ainda não são ideais – liberar uso de máscara”, disse a secretária adjunta de Saúde do RN, Lyane Ramalho, em entrevista ao Programa Balbúrdia nesta sexta-feira (3).

O pesquisador do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (LAIS) Ricardo Valentim chegou a sugerir que a segunda quinzena de dezembro pode ser um período propício à liberação no estado. Lyane disse que respeita o colega (ambos são professores da UFRN) e amigo, mas nesse ponto discordam veementemente.

Ela ressalta que a orientação da Secretaria de Estado da Saúde Pública do RN (Sesap) é que a população continue se protegendo contra a covid-19. Segundo ela, as máscaras ainda vão proteger a população por muito tempo, principalmente em ambientes fechados, porque a pandemia vai se modificando, mostrando características novas, com as variantes.

“Qual é o problema de a gente usar máscara? Nenhum. Eu fico sem entender essa polêmica da máscara. A gente tem tantas polêmicas mais importantes, por que vai ficar polemizando usar máscara?”, questiona.

Regulação no Walfredo Gurgel

Durante a entrevista, Lyane também falou sobre a regulação da porta de entrada (de urgência) do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, que será efetivada até dezembro, após décadas de decisões judiciais. Segundo ela, as filas históricas de ambulâncias que chegavam à unidade especializada em politraumas eram decorrentes da falta dessa regulação.

“Cerca de 50% dos atendimentos do Walfredo Gurgel é de baixa complexidade, quando é um hospital que tem um corpo de profissionais de alta performance, digamos assim. Isso tem a ver, inclusive, com economicidade”, detalhou, ao lembrar que a Justiça interviu, em 2017 houve uma tentativa de implementar a regulação.

“Não tem ocmo você regular, que é um fechamento de porta mais organizado, educado. Quando você diz ‘você tem que ir pra outro canto’, você tem que dar um oportunidade daquele outro canto receber essa pessoa. Mas isso não foi conseguido naquela época”.

A Central de Acesso a Portas Hospitalares (CAP) vai agora receber as várias demandas para organizar e não superlotar a porta do Walfredo Gurgel. A medida será processual, já que as pessoas estão acostumadas a ir a essa unidade.

CPI da Covid no RN

A secretária-adjunta de Saúde Pública avalia os trabalhos da CPI da Covid na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte como “quatro meses de muito sofrimento para os trabalhadores da Saúde”, já que constantemente tem sido usada de forma eleitoreira e para atingir servidores.

Lyane comentou também que no depoimento do secretário, Cipriano Maia, foram usadas técnicas de tortura, ao insistirem em perguntas já respondidas. “Foi uma grande aula, mas o sofrimento é inevitável. A gente sabia que ele iria ficar extremamente cansado, porque aquela estratégia de tortura cansa qualquer ser humano, mas chegou um determinado momento que ele falou ‘não estou em um tribunal de inquisição’”.

Veja entrevista completa:

 

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Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais