Rede de apoio ao belgo-brasileiro Andreas Pereira
Natal, RN 22 de abr 2024

Rede de apoio ao belgo-brasileiro Andreas Pereira

6 de dezembro de 2021
Rede de apoio ao belgo-brasileiro Andreas Pereira

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Andreas Hugo Hoelgebaum Pereira, olha o nome do cara. Olha só a procedência desse menino branco, elegante, bonito, falante e ainda por cima, ainda por cima, belga, quer dizer, ele tem dupla nacionalidade e veio do Manchester United, mesmo nunca tendo se firmado no gigante inglês. Tudo bem, tudo bem, também, evidente, sou contra essa coisa de "bode expiatório", mas o que queria mostrar nesse texto é a absurda e abissal diferença de tratamento e a hipocrisia enraizada, aliás, o futebol do Brasil, convenhamos, tem muito mais coisas ruins, infelizmente e a discriminação é um dos piores males. Já imaginaram se a falha na final da Libertadores entre Flamengo e Palmeiras tivesse sido cometida pelo ala piauiense Renê???

Pois bem. A falha bizarra do belgo-brasileiro foi motivo de vômito doentio, passional de torcedores e até mesmo de muitos jornalistas esportivos, aqueles que mudam de opinião a cada três dias. Os caras não sabem como parar uma bola com os pés, mas desfiam todo tipo de injúrias quando acontece esse tipo de lance. Até parece que sabem do que falam. Sei que o Andreas, 25 anos, que já tinha caído nas graças da torcida (vindo da Premier isso era líquido e certo, a não ser que fosse um trombolho, e ele não é, é sim um bom jogador) passou por maus bocados, ainda deve estar passando, mas ele está contando com o apoio de muita gente.

Essa é a questão.

"O Departamento de futebol do Flamengo se preocupa em dar suporte psicológico a Andreas", tá escrito lá em garrafais. Jogadores do Flamengo, como David Luiz e Diego, saíram publicamente para defender, com ênfase, o companheiro, isso é normal até. Foi criada, por craques famosos - Neymar, Kaká e Menphis Depay, uma rede de apoio ao menino. Até o polêmico Deyverson, num gesto de grandeza, saiu em sua defesa

— Tive oportunidade de roubar na falha de um colega de profissão. Que ele se recupere, as criticas são pesadas, mas errou, e pude fazer o gol da Libertadores. Não torcemos pelo mal, mas temos que defender nosso escudo -, disse o atacante do Palmeiras.

Aí me vem à e lembrança os absurdos que escuto sobre o Renê, mesmo já tendo feito grandes jogos e gols pelo rubro-negro. A imprensa já o quer como terceiro reserva, mesmo diante do futebol apenas discreto apresentado pelo garoto Ramon. Será que o Renê teria metade desse "passar a mão na cabeça" que está sendo repetido ao meio campista metade estrangeiro?

Duvido.

Volto no tempo e me lembro de outro perseguido, o Pará. Se o Flamengo perdia, já sabem, o Pará seria desqualificado, falhando ou não, jogando bem ou mal. Querem outro exemplo talvez dos mais emblemáticos? O Márcio Araújo, esse cara, segundo volante, em todos os clubes que defendeu - grandes como Atlético Mineiro, Flamengo e Palmeiras - era mestre nos quesitos roubadas de bolas sem falta e passes certos. Mesmo assim, principalmente no Flamengo, não teve vida fácil. Cria do Corinthians de Alagoas e depois Galo, Márcio Araújo, coincidentemente, isso mesmo,  também veio da parte de cima do mapa, ele é maranhense.

Tenho certeza absoluta de uma coisa: Renê, ou até mesmo Gustavo Henrique, Léo Pereira ou alguns do meninos da base, talvez os que mais precisam de apoio nessas horas (lembro da queimação ao goleiro Hugo Souza), nenhum deles receberia metade da "compreensão" que o Andreas está contando. Vi twitters atualizados de torcedores, ao invés de xingamentos, lí: "fica, dá a volta por cima", entre tantas e tantas outras mensagens de carinho. E na imprensa, o rapaz teve direito a várias matérias e a mais emblemática a da Esporte News Mundo: Andreas Pereira pede desculpas à torcida do Flamengo por falha na final: 'Vou reconquistar vocês'.

Renê, os outros que citei, nunca fariam parte desse grupo seleto que conta com essa rede de apoio. Eles teriam, nada além de muita malhação, esquecimento e contrato rescindido. E não pensem que isso é primazia do Flamengo, não é. Esse tratamento diferenciado, o preconceito, o viralatismo está entranhado no esporte mais popular do Brasil. Quem disse que essas coisas são criações de quem tem mania de perseguição nunca conversou com Souza, Juninho Pernambucano, Matheus Matias e até mesmo o imortal Marinho Chagas que sofreu horrores nos seus primeiros dias de Rio de Janeiro e Botafogo. Mas ele era a "Bruxa".

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