DEMOCRACIA

Após tentar privatizar os Correios, Fábio Faria festeja lucro recorde da empresa

Em 2021, uma das duas principais bandeiras administrativas do ministro das comunicações, o potiguar Fábio Faria, foi lutar pela privatização dos Correios. Ao longo de todo o ano, ele festejava nas redes sociais cada passo do planejamento da venda da empresa – que foi aprovada na Câmara Federal, mas foi barrada no Senado. O ministro não escondia a alegria da celeridade no processo. Mas esta semana, o ministro das Comunicações festejou o lucro recorde da empresa. Os Correios fecharam o ano de 2021 com lucro de R$ 3,7 bilhões Esse valor representa o dobro do registrado em 2020 e o melhor resultado nos últimos 22 anos.

No Twitter, o ministro festejou os números dos correios: “Correios tem lucro RECORDE de R$ 3,7 bilhões! Resultado é mais que o dobro de 2020. 👊🚀”, escreveu na legenda de uma imagem de gráfico mostrando os dados da empresa.

No final de 2021, quando a privatização foi barrada no Senado, Fábio Faria reclamou da decisão e chegou a responsabilizar o “ano eleitoral” e o Partido dos Trabalhadores por travar a privatização.

Fábio Faria é o principal articulador da venda dos Correios. Em junho do ano passado, o ministro do RN divulgou um vídeo mostrando uma reunião que ajustava os últimos detalhes do projeto de privatização. Nesse encontro havia sido tratada uma mudança substancial nessa venda. Até então, o Governo Bolsonaro dizia que venderia 70% da empresa. Mas o projeto articulado por Fábio Faria e que foi para o Congresso vendia 100% da estatal.

Postagem de 2021, defendendo a privatização
Postagem de 2021, defendendo a privatização

O plano de Fábio Faria era publicar o edital de privatização dos Correios até o fim do ano passado e realizar a operação até março de 2022. O texto do projeto permitia que serviços postais, inclusive os prestados hoje pelos Correios em regime de monopólio, fossem explorados pela iniciativa privada. Hoje, os Correios têm o monopólio do envio de cartas, telegramas e outras mensagens. Hoje, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos é 100% pública.

Venda afeta 100 mil funcionários
A venda dos Correios mexe com a vida de quase 100 mil funcionários que não sabem o que vai ocorrer com suas vidas profissionais após a privatização. Há o temor – caso ocorra a privatização – que os pequenos municípios do Brasil, que não dão lucro na operacionalização dos postos, deixem de contar com o serviço que, hoje, continua abrangendo todos os municípios do Brasil.

Nas postagens de Fábio Faria ao longo de 2021 não havia detalhes financeiros que justifiquem a venda da empresa. As vagas justificativas apontadas são de que é preciso ‘’melhorar” e “modernizar” os serviços. O presidente do sindicato dos Correios no RN, Shampoo Zen, disse à época que Fábio Faria não recebeu os trabalhadores dos Correios para conversar. “Esse ministro sequer conhece os Correios. Ele não sabe nenhum detalhe da empresa. Vai vender os Correios – uma das mais respeitadas empresas do Brasil, e uma empresa financeiramente lucrativa e independente”, analisa.

Correios no RN
O site dos Correios informa que a empresa está em 5.570 municípios e entrega, em média, 15,2 milhões de objetos postais por dia. A diretoria dos Correios no RN confirmou à Agência Saiba Mais que o Estado conta com 1.200 funcionários e 190 agências distribuídas em todos os 167 municípios do Rio Grande do Norte. Na região metropolitana de Natal, há 8 unidades operacionais e 14 de atendimento.

Segundo o presidente do Sindicato, há quatro anos o número de funcionários dos Correios no RN era de mais de 2 mil trabalhadores. O último grande concurso da estatal ocorreu há mais de 10 anos e um outro, em 2017, foi em áreas restritas. De lá pra cá, houve alguns programas de demissão voluntárias o que diminuiu ainda mais a quantidade de funcionários.

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