Mulheres do MST fazem protesto contra o deputado General Girão em início da semana de luta
Natal, RN 21 de mai 2024

Mulheres do MST fazem protesto contra o deputado General Girão em início da semana de luta

8 de março de 2022
6min
Mulheres do MST fazem protesto contra o deputado General Girão em início da semana de luta

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Na madrugada desta terça-feira (8), Mulheres que compõem o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Rio Grande do Norte realizaram protestos em frente à sede do gabinete do deputado federal General Girão (PSL-RN), em Natal. A ação expressa o descontentamento da população com medidas como a aprovação do Projeto de Lei 6299/02, conhecido como Pacote do Veneno, que teve o voto favorável do parlamentar potiguar na Câmara Federal.

Em nota, as Mulheres denunciam a atuação do deputado, “disseminador de notícias falsas, investigado pelo STF por patrocinar processos anti-democráticos com recursos de mandato parlamentar, um dos nomes que votou a favor do PL do Pacote de Veneno, além de aprovar o projeto político de um governo genocida, que representa a fome, a destruição da vida, da natureza e a paralisação da reforma agrária”.

A ação integra a Jornada de Lutas das Mulheres Sem Terra, organizada durante o mês de março, que inclui protestos, ações de solidariedade e atividades de formação política em todo o país. No RN, a montagem do acampamento Elza Soares, na Praça Vermelha, centro da capital potiguar, na madrugada desta segunda, 7, marcou o início da Jornada no Estado.

Uma representação de 40 Mulheres de todas as regiões do estado foi recebida pela Governadora Fátima Bezerra na tarde desta segunda-feira, 7, e fez a entrega simbólica de pautas que não são novas para o Governo do RN. As reivindicações serão objeto de discussão numa comissão que será formada pelo Governo do RN e pelo MST. Até o final de maio, o governo deve apresentar respostas às demandas.

Leia na íntegra a nota das Mulheres Sem Terra do Rio Grande do Norte sobre ação contra o deputado General Girão.

NOTA DAS MULHERES SEM TERRA DO RIO GRANDE DO NORTE SOBRE PORQUE ESCRACHAMOS O DEPUTADO GENERAL GIRÃO

GIRÃO TEM SANGUE, VENENO E FOME NAS MÃOS!

Nós, Mulheres Sem Terra Potiguares, mobilizadas em Jornada Nacional de Lutas, ocupamos o campo e a cidade de todo país, denunciando as violências estruturais, retrocessos e desmandos do atual governo Bolsonaro e seus apoiadores, que impede nosso acesso à terra, ao trabalho digno, aos nossos direitos e a tudo que viola nosso direito de existir gritando. Diante disso, só nos resta resistir, denunciar e lutar.

No final do ano de 2019, o atual deputado General Girão tornou- se alvo de investigação junto ao STF. Investigação essa que apura divulgação e financiamento de atos antidemocráticos, sendo apontado como um dos quatro parlamentares envolvidos. O esquema se dava por meio de pagamentos a agências de publicidade, que divulgavam e convocavam participantes para atos onde as reivindicações eram: “Fechamento do Congresso Nacional, fechamento do STF, intervenção militar e cobrança da volta do AI-5”.

De acordo com o levantamento, o deputado Girão foi um dos mais generosos contribuintes no financiamento, injetando entre dezembro de 2019 e junho de 2020 cerca de R$87.700,00 (oitenta e sete mil e setecentos reais), sendo que desses, R$ 51.800,00 (cinquenta e um mil e oitocentos reais), correspondem aos gastos do mesmo com a agências de publicidade investigadas por divulgação de atos antidemocráticos.

E não para por aí! No último dia 14 de fevereiro de 2022, integrantes do Grupo de Trabalho (GT) Agrotóxicos e Saúde, da Fiocruz, chamaram a atenção para a “PL do Veneno”, demonstrando que, tal PL, formalmente conhecida por PL6299/2002, traria prejuízos para o meio ambiente e também para a saúde da população, alertando ainda aos danos irreparáveis no processo de registro, monitoramento e controle de riscos e perigos de AGROTÓXICOS no Brasil.

Além da Fiocruz, especialistas, artistas, defensores do meio ambiente, órgãos e instituições manifestaram seu completo repúdio à aprovação da PL. A Fiocruz, assertiva em expor no documento apresentado aos senadores, que ao promover essa flexibilização, o PL “permite o registro de produtos mais tóxicos, como aqueles que causam câncer, problemas reprodutivos, distúrbios hormonais e para o nascimento”. E nós? Como ficamos nós com uso abusivo, desenfreado, sem monitoramento e fiscalização? Uma loteria de perdas que não queremos apostar para ver em qual das mazelas nos surpreenderá primeiro. Existem interesses financeiros e políticos que são as bases para a defesa do "PL do Veneno”, tendo em vista as consequências absurdas. Não é a nossa qualidade de vida e o direito à saúde que estão sendo uma prioridade. Quem deveria representar, é quem nos joga contra os nossos interesses, contra a dignidade, vida e saúde de seu povo, além de covarde, é desumano!

Aqui no Rio Grande do Norte, dos oito deputados, seis foram a favor desse absurdo: Walter Alves, João Maria, Beto Rosado, Carla Dickson, General Girão e Benes Leocádio. O povo do Rio Grande do Norte precisa saber quem usa do parlamento para votar contra o povo e reiteramos que ELES não podem ser reeleitos!

Quanto vale uma vida, senhores(a) deputados (a)? O povo potiguar gostaria de saber de vocês!

Na Câmara dos Deputados a votação do PL 6299/2002, se deu numa quarta-feira à noite, em caráter de urgência. Debatido em menos de 4 horas, a Câmara dos Deputados APROVOU, por 301 a 150 votos o “Pacote de Veneno - PL 6299/2002”, sem prévia discussão, participação ou consulta popular.

Durante o governo Bolsonaro foi registrado um aumento recorde de liberação de agrotóxicos, parte deles extremamente tóxicos e muitos proibidos na União Europeia. Foram mais de 1.500 novos AGROTÓXICOS liberados desde o início da gestão e só no ano de 2021 foram 641 novos.

Com quem fica o lucro??? Afinal, só nos foram oferecidos os prejuízos.

Provavelmente o senhor deputado Girão saberá nos responder, foi dele um dos 301 votos a favor do pacote de veneno ao povo.

Em meio a pandemia, desemprego, a fome, a incerteza, as violências e violações diárias - no meio social, político, estrutural, negociam nossas vidas, nossa terra, nossas águas, nosso alimento, nosso direito de existir. Enquanto assim for, nós mulheres sem-terra resistiremos, marcharemos, lutaremos, denunciaremos. Cabe a nós a construção de dias melhores, seja no campo, na cidade, nas florestas.

Que a voz das mulheres possa ecoar nas ruas “Terra, Trabalho e Direito de Existir. Mulheres em Luta não vão sucumbir!”

Pelas que vieram antes de nós, por nós e pelas que virão depois de nós.

Seguimos!

Direção Estadual do MST/RN

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