Styvenson sobre Arthur do Val: “É uma pessoa doente; se houver condições jurídicas, que tenha o mandato cassado”
Natal, RN 18 de jun 2024

Styvenson sobre Arthur do Val: "É uma pessoa doente; se houver condições jurídicas, que tenha o mandato cassado"

9 de março de 2022
5min
Styvenson sobre Arthur do Val:

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A divulgação dos áudios do deputado estadual Arthur do Val (Podemos/SP) conhecido como "Mamãe Falei", onde ele em suposta viagem recente à Ucrânia, indica sexismo e turismo sexual com refugiadas de guerra ao afirmar que "são fáceis porque são pobres" e "a fila das refugiadas é mais bonita que a fila das baladas de São Paulo" causaram indignação no mundo político e muitas declarações e pronunciamentos condenando o deputado.

Até mesmo o pré-candidato à presidência pelo Podemos, ex-juiz Sérgio Moro, havia se pronunciamento sobre o episódio: "Lamento profundamente e repudio veementemente as graves declarações do deputado Arthur do Val divulgadas pela imprensa. O tratamento dispensado às mulheres ucranianas refugiadas e às policiais do país é inaceitável em qualquer contexto. As declarações são incompatíveis com qualquer homem público", disse Moro, em publicações suas redes sociais. A presidente nacional do Podemos, Renata Abreu, chamou de "gravíssimas e inaceitáveis" as declarações do deputado.

O mundo político estava estranhando o silêncio do senador Styvenson Valentim, único parlamentar federal do Rio Grande do Norte, filiado ao Podemos. Procurado pela reportagem da Agência Saiba Mais, através de sua assessoria, Styvenson quebrou o silêncio, quase uma semana depois, e decidiu sair do muro sobre o colega de partido.

"O que penso a respeito desse deputado é bem simples: não consigo entender como uma pessoa em sã consciência pessoa vá a um outro país, ou diz que foi, nem sei que é verdade ou mentira, dizendo que vai fazer bomba, mas na verdade, fala com lascívia de mulheres desalojadas, vivendo o terror de uma guerra. Concluo que é um pessoa doente", disse o senador.

"Além das intenções dele, o deputado ainda fez questão de externar o pensamento com os amigos dele, muitos devem ser doentes também. Ele deveria procurar ajuda psicológica", continuou Styvenson.

Sobre os pedidos de cassação do mandato que estão ganhando corpo na Assembleia Legislativa de São Paulo e já chagaram à mesa diretora, Styvenson também foi assertivo: "se houver requisitos dentro do arcabouço jurídico da Assembleia, perfeito, que se casse o mandato dele. Se for cassação meramente política, vamos ter outros deputados que também falaram e fizeram outras coisas ruins", sentenciou o senador, em declaração exclusiva ao Saiba Mais.

"SEI LÁ O QUE ESSA MULHER FEZ PARA MERECER OS TAPAS"

Contudo, Styvenson já se envolveu em alguns casos de desrespeito a mulheres. O mais notório deles aconteceu em julho de 2021, quando um vídeo feito pelo próprio senador em seu Instagram circulou nas redes sociais, quando ele comentou um caso de agressão cometida por um policial militar contra uma mulher, no município de Santo Antônio, afirmando que não sabia o que a vítima tinha feito "para merecer os tapas". Internautas e políticos do estado criticaram o senador pela fala.

“Um dia me pegaram numa entrevista e disseram: capitão o caba deu na mulher com uma criança e não sei nem o que, não sei nem o que. E eu disse: amigo, eu não estava na ocorrência. Eu não estava. Eu não sei como foi. Como eu vou dar uma explicação de uma coisa que eu... Pelo vídeo aí, eu estou vendo que ele está dando dois tapa (sic) na mulher, uns tapa (sic) bom, na mulher. Agora, eu sei lá o que essa mulher fez para merecer dois tapa. Será se ela estava calada, rezando o Pai Nosso, para levar dois tapa (sic)? Eu não sei, eu não sei”, declarou Styvenson.

Após a repercussão da fala, o senador tentou reverter o quadro. "Não concordo com violência contra mulher, mas quis entender a natureza da ocorrência e o motivo do PM agredi-la, pois isso seria um bom diagnóstico da saúde mental dos nossos policiais que estão na rua", tentou explicar. "Em momento algum eu disse que quero que a mulher seja espancada ou admito que mulher seja agredida", reforçou.

ENTENDA O CASO DE ARTHUR DO VAL

Arthur do Val viajou à Ucrânia na segunda-feira, 28 de fevereiro, com Renan Santos, um dos dirigentes do MBL (Movimento Brasil Livre), do qual é um dos membros. Eles foram até o leste europeu para acompanhar a guerra do país comandado por Volodymyr Zelensky com a Rússia, de Vladimir Putin.

Na sexta-feira, dia 4, houve o vazamento e divulgação de áudios que ele enviou para um grupo de zap de amigos no Brasil, com declarações machistas e misóginas. “As refugiadas ucranianas são fáceis, porque elas são pobres. E aqui minha carta do Instagram, cheia de inscritos, funciona demais. Não peguei ninguém, mas eu colei em duas ‘minas’, em dois grupos de ‘mina’. É inacreditável a facilidade. Essas 'minas' em São Paulo você dá bom dia e ela ia cuspir na sua cara e aqui são super simpáticas", diz o áudio.

Após o vazamento das mensagens, o deputado pediu desculpas, disse que o que falou foi um erro e abandonou a pré-candidatura ao governo do estado de São Paulo no sábado (5). Depois, o deputado gravou um vídeo no qual declarou que suas frases foram "machistas" e "escrotas" e afirmou que se comportou "como um moleque" ao responder a perguntas de amigos em um grupo de conversas entre parceiros do futebol. Na Assembleia Legislativa de São Paulo já existem processos pedindo a cassação de seu mandato.

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