CIDADANIA

Feminicídio: jovem de 22 anos é morta por ex-companheiro em Mossoró

Mais um caso de feminicídio ocorreu na manhã deste sábado (16) no RN. Desta vez, a vítima tinha apenas 22 anos e foi morta pelo ex-companheiro que usou uma faca para tirar a vida de Ana Carolina Ferreira de Oliveira.

Segundo informação do site da TCM, de Mossoró, a jovem estava em casa, no bairro Aeroporto. O ex-companheiro não aceitava a separação e chegou de surpresa no local, aplicou vários golpes de faca na vítima e fugiu após cometer o crime.

De acordo com informações da Polícia Militar, os vizinhos acionaram a polícia e também uma ambulância, mas quando o socorro médico chegou, Ana já estava sem vida.

A morte de Ana Carolina ocorre um dia após o “Dia de Combate ao Feminicídio no Rio Grande do Norte”. A data foi reconhecida por lei estadual assinada pela governadora Fátima Bezerra (PT) em 2019, após a aprovação do projeto da deputada estadual Isolda Dantas (PT). O dia foi escolhido (15 de julho) em alusão à data em que cinco mulheres foram assassinadas num bar localizado no município de Itajá.

Em 10 anos, 1.050 mulheres do RN foram vítimas de feminicídio

Um estudo realizado pela Rede de Pesquisa OBVIO Observatório da Violência da UFRN, publicado em 2021, mostra que em uma década (entre 2011 e 2020) 1.050 potiguares foram assassinados por serem mulheres. Isso significa que nesse período, a cada três dias uma mulher foi morta no Estado. E esse massacre tem cor. O mesmo estudo mostra que oito em cada 10 dessas mulheres vítimas de feminicídio eram negras.

A Secretaria Estadual de Segurança publicou em março deste ano dados que indicam que há uma diminuição do feminicídio nos dois últimos anos. Pelos números houve uma redução de 50% nos casos de feminicídios ocorridos no Estado quando comparados os primeiros três anos da gestão passada com os três primeiros anos do atual governo.

Entre os anos de 2015 e 2017, foram registrados 108 casos de feminicídio e 240 casos de homicídios dolosos de mulheres no RN. Já entre janeiro de 2019 a dezembro de 2021, ocorreram 54 ocorrências de feminicídios e 186 casos de homicídios dolosos contra a mulher, o que representam uma redução de 50% nos casos de feminicídios e de 20,9% no total de homicídios dolosos contra as mulheres.

Número de feminicídio volta a crescer em 2022

Mas quando analisamos apenas o início de 2022 (janeiro a março), os casos de feminicídio voltam a crescer. No primeiro trimestre deste ano, foram registrados 8 casos, ou seja, a cada oito dias deste ano, uma mulher foi assassinada no RN (entre 1º de janeiro e 7 de março). Para se ter ideia da gravidade deste número, em todo o ano anterior (2021), a Polícia Civil registrou 20 casos de feminicídio no RN.

RN é um dos estados mais perigosos para mulheres

Mesmo com a redução apontada pela Secretaria Estadual de Segurança Pública, o problema é que o RN tem um índice altíssimo desse tipo de crime. O Mapa da Violência 2021 – com dados analisados de 2009 a 2019), mostra que o Rio Grande do Norte é o segundo estado do Brasil onde mais cresce a violência contra a mulher.

Nesse período, o Brasil teve uma redução de 18,4% nas mortes de mulheres, mas em 14 das 27 unidades da federação a violência letal contra a mulher aumentou. As maiores altas foram registrados nos estados do Acre (69,5%), Rio Grande do Norte (54,9%), Ceará (51,5%) e do Amazonas (51,4%). No caminho contrário, o Espírito Santo (-59,4%), São Paulo (-42,9%), Paraná (-41,7%) e Distrito Federal (-41,7%) apresentaram as menores taxas, com redução nas ocorrências de violência contra a mulher.

No Rio Grande do Norte há uma média de 5,4 mortes de mulheres para cada grupo de 100 mil mulheres no estado. Isso coloca o RN em 5º lugar entre os estados mais violentos para as mulheres em todo o país. As informações foram retiradas do Atlas da Violência 2021, divulgado em novembro passado.

Saiba como denunciar:

A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180

O que faz: o serviço registra e encaminha denúncias de violência contra a mulher aos órgão competentes, bem como reclamações, sugestões ou elogios sobre o funcionamento dos serviços de atendimento.

O serviço também fornece informações sobre os direitos da mulher, como os locais de atendimento mais próximos e apropriados para cada caso: Casa da Mulher Brasileira, Centros de Referências, Delegacias de Atendimento à Mulher (Deam), Defensorias Públicas, Núcleos Integrados de Atendimento às Mulheres, entre outros.

A ligação é gratuita e o serviço funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana. São atendidas todas as pessoas que ligam relatando eventos de violência contra a mulher.

O Ligue 180 atende todo o território nacional e também pode ser acessado em outros países.

 

SAIBA MAIS

Violência contra a mulher triplicou no Brasil em 2021 e em 2022 houve um feminicídio a cada 8 dias no RN

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