DEMOCRACIA

Militante sem-teto é lançado candidato ao Senado do RN

A Unidade Popular pelo Socialismo (UP) realizou sua conferência partidária estadual na noite desta quinta-feira (28) e homologou a candidatura do militante sem-teto Marcos Antônio Ribeiro para o Senado Federal pelo Rio Grande do Norte. O evento aconteceu na Ocupação Emmanuel Bezerra, no bairro da Ribeira, zona Leste de Natal.

Marcos Antônio tem 48 anos, é militante e dirigente estadual do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB). Na organização há 15 anos, atualmente vive na Ocupação Valdete Guerra, organizada pelo MLB em 2021, num terreno abandonado pela Prefeitura de Natal.

No primeiro discurso como candidato ao Senado, Marcos disse que sua candidatura “vem para representar o povo pobre e aqueles que nunca estiveram de fato ocupando esses espaços”. 

“Lançamos meu nome para Senado por querer combater o fascismo e as oligarquias aqui no RN. Queremos construir um mandato junto com o povo. Não podemos temer a opinião pública. Ao contrário, queremos que eles participem das decisões que vão mudar suas vidas”, declarou. 

O socialista ainda disse que o mandato de senador não deve servir para perpetuar as famílias dos ricos no poder. “Quando o senado abre mão do povo brasileiro, ele está nos entregando ao que há de pior numa sociedade capitalista”. 

Anteriormente, o sem-teto seria candidato a deputado estadual e a disputa ao Senado ficaria com a militante negra e feminista Samara Martins, vice-presidenta nacional da UP. Mas, no último domingo (24), o partido realizou conferência nacional em Natal e definiu o nome de Martins para compor a chapa à presidência como vice de Leonardo Péricles, do mesmo partido. 

Com a mudança, Marcos foi alçado à candidatura ao Senado. A representante da Unidade Popular como candidata a deputada estadual será a estudante Thalia Lima, integrante do Movimento de Mulheres Olga Benário.

Na convenção nacional da UP em que Ribeiro foi anunciado como pré-candidato ao Senado Federal, um integrante da mesa lembrou uma história passada do sem-teto. “Uma vez, o companheiro Marcos foi levar uma reivindicação do povo pobre de Natal a um órgão público”, começou. 

“Chegou lá, o companheiro Marcos estava de chinelo. Aí tinha alguém na portaria que disse: ‘não, aqui não pode entrar de chinelo não’. Marcos se abaixou, tirou as Havaianas, entregou ao guarda e entrou descalço”, afirmou, para o entusiasmo dos militantes presentes.

Essa será a primeira disputa eleitoral de Marcos Antônio, e a segunda eleição da Unidade Popular tanto no RN quanto no Brasil. O partido teve a aprovação do registro em 2019 e disputou a primeira eleição no ano seguinte. 

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