DEMOCRACIA

Em live com filho de Bolsonaro, Rogério Marinho diz que aumento da fome é “factoide” de pesquisadores

O ex-ministro do Desenvolvimento Regional e atual candidato a senador pelo Rio Grande do Norte, Rogério Marinho (PL), criticou nesta quarta-feira (24) uma pesquisa divulgada em junho que mostra que o Brasil tem atualmente cerca de 33 milhões de pessoas passando fome e sem ter o que comer diariamente. Ele disse que os pesquisadores criaram um “factoide”.

Segundo Marinho, há uma “fake news sendo repetida pela esquerda de que existem 30 milhões de miseráveis no Brasil, que é o maior da história, quando na verdade nós estamos diminuindo a extrema pobreza no Brasil, na contramão do que acontece no mundo”. 

Para o candidato, os responsáveis pelo estudo não têm condições de fazer um estudo científico. “Esses militantes de esquerda estão se utilizando de um factoide de um estudo feito por pessoas que não tem a condição científica de produzir esse estudo, para querer dizer que nós estamos passando um momento de dificuldade”, alegou.

A fala foi em uma live no canal do YouTube do deputado federal e filho do presidente, Eduardo Bolsonaro (PL-RJ), em que também participou o candidato da família Bolsonaro ao governo da Bahia, João Roma (PL-BA). A transmissão dos três políticos durou cerca de uma hora, e Rogério Marinho abordou o assunto a partir do minuto 43.

Para exaltar o Auxílio Brasil, Roma ainda criticou as pesquisas que mostram um cenário de fome no país, também acusando-as de propagar notícias falsas, e se referiu diretamente ao ex-ministro potiguar. “Combater obviamente essas fake news, Rogério, que nos deixam muito indignados com a falta de responsabilidade com a maneira torpe com que tratam as pessoas necessitadas no Brasil”, afirmou. 

O estudo citado por eles é do 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, realizado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede PENSSAN). 

De acordo com o órgão, os mais de 33 milhões de brasileiros com fome são quase o dobro do contingente em situação de fome estimado em 2020. São 14 milhões de pessoas a mais do que o registrado há dois anos. A Rede PENSSAN indicou que o país voltou ao patamar da fome que era registrado na década de 1990.

Os números mostraram ainda uma escalada da insegurança alimentar no Brasil. No primeiro inquérito, divulgado em abril do ano passado, havia uma estimativa de 19 milhões de brasileiros que não tinham nada para comer em 2020, cerca de 9 milhões a mais que em 2018. 

Para rebater a pesquisa, Eduardo Bolsonaro e Rogério Marinho recorreram a outro estudo, desta vez feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), uma fundação ligada ao Ministério da Economia, para dizer que a fome no Brasil está diminuindo. 

Neste mês, o presidente do Ipea, Erik Figueiredo, apresentou um estudo próprio em reunião com o governo. Ele projetou uma queda de 24% da extrema pobreza no país ao final de 2022, enquanto no mundo esse número deve crescer 15%, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU). O estudo do presidente do Ipea foi o primeiro a mostrar uma redução da extrema pobreza em solo nacional.

Confira o trecho da fala:

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