CIDADANIA

Quase um ano depois de inaugurar obra com Rogério Marinho, Bolsonaro suspende licitação para transposição do São Francisco no CE 

Bolsonaro e Rogério Marinho fazem inauguração de obras do Rio São Francisco sem água em Jucurutu, interior do RN I Imagem: reprodução

O governo de Jair Bolsonaro (PL) suspendeu, na última sexta (5), uma das obras complementares da transposição do Rio São Francisco que abasteceria 54 municípios do semiárido do Ceará. Segundo matéria publicada na madrugada desta quarta (10), no portal UOL, em outubro do ano passado Bolsonaro participou de um evento em Russas, CE, acompanhado pelo ex-ministro do Desenvolvimento Regional, o potiguar Rogério Marinho (PL), para anunciar e assinar a obra orçada em R$ 600 milhões. 

A vírgula 

A suspensão da licitação teria ocorrido por causa de um erro no posicionamento de uma vírgula. Segundo o governo, é preciso fazer um intervalo mínimo de desconto entre os lances das empresas interessadas. O edital estabelecia intervalo de 0,01%, o que resultaria numa diferença de R$ 42 mil entre os lances. No entanto, o documento foi publicado com a diferença mínima de 0,1%, o que daria uma diferença bem maior, de R$ 420 mil entre os lances. Com isso, as empresas não conseguiriam dar lances intermediários. De acordo com o governo federal, um novo edital deve ser publicado até o início da próxima semana. 

Em campanha pela reeleição, a conclusão das obras para transposição do Rio São Francisco é uma promessa antiga de Bolsonaro, que tenta ganhar eleitorado na região Nordeste, onde o PT tem maioria, historicamente. 

Inauguração sem água 

Em fevereiro deste ano, a transmissão da cerimônia de inauguração das obras do Rio São Francisco no Rio Grande do Norte, realizada na cidade de Jucurutu, foi encerrada sem que fosse vista uma gota de água sair da mangueira segurada pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) e pelo ex-ministro do Desenvolvimento Regional, o potiguar Rogério Marinho. 

A barragem de Oiticica fica localizada entre os municípios de Jardim de Piranhas, São Fernando e Jucurutu, onde foi organizado o evento da presidência. Mas, por causa de um erro de cálculo, até o fim da cerimônia, a água não tinha chegado sequer à cidade de São Bento, que fica a 18 quilômetros de Jardim de Piranhas, município que faz parte da Barragem de Oiticica e que fica a uma hora distância de Jucurutu. Com isso, apesar de todo o evento, a água presente no rio era proveniente apenas das chuvas na região e não do São Francisco. 

O pai da transposição  

Apesar de toda propaganda em torno das obras de transposição do Rio São Francisco e do proveito político que tenta tirar para sua campanha à reeleição, principalmente na região Nordeste do país, Jair Bolsonaro (PL) é responsável por apenas 1,74%% da conclusão dos serviços, de acordo com documentos do Ministério do Desenvolvimento Regional, que era comandado pelo potiguar Rogério Marinho, aos quais a Revista Fórum teve acesso. 

As informações foram retiradas de dois relatórios elaborados pelo ministério. O primeiro, com data de abril de 2019, aponta que Bolsonaro assumiu a presidência com 96,9% da obra concluída.  

No relatório, os técnicos concluem que as obras de transposição foram finalizadas em 92,5% durante os governos de Lula e Dilma Rousseff. Já em um novo relatório elaborado em janeiro de 2022, os técnicos revelam que Bolsonaro foi responsável pelo andamento de 1,74% da obra, o que resultou no avanço do projeto para 98,64% do total da obra de transposição. 

O Projeto de Integração do Rio São Francisco foi aprovado em 2005 pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos e começou a sair do papel ainda em 2007, durante o governo Lula. A obra é o maior empreendimento hídrico do país e quando todas as estruturas e sistemas complementares nos estados estiverem em operação, cerca de 12 milhões de pessoas em 390 municípios de Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte, serão beneficiadas.  

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