Tinta industrial em rio que deságua em Oiticica pode conter metais pesados cancerígenos, afirma professor de Ecologia
Natal, RN 22 de abr 2024

Tinta industrial em rio que deságua em Oiticica pode conter metais pesados cancerígenos, afirma professor de Ecologia

22 de agosto de 2022
3min
Tinta industrial em rio que deságua em Oiticica pode conter metais pesados cancerígenos, afirma professor de Ecologia

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O Rio Barra Nova, em Caicó, que deságua na Barragem Oiticica, foi contaminado por tinta industrial no último final de semana. A conclusão é do coordenador do Laboratório de Ecologia da UFRN, professor Diógenes Costa, após coleta e análise da água.

“Muita gente pensa que é um espaçozinho parado, mas na verdade nós temos um intenso fluxo de água, infelizmente não tratada, que circula ali. É um fato muito triste pra sociedade, porque oficialmente toda a poluição do Rio Barra Nova entra pra Barragem de Oiticica”, alertou o professor em entrevista ao Programa Panorama 95, na Rádio Rural 95.9 FM.

Apesar de ter a maior parte na cidade de Caicó, a nascente se localiza na Paraíba, passando pela Serra do Equador, em Parelhas. Em sua bacia existem açudes, sendo dois públicos (Itans e Palma), um comunitário (Barbosa) e outros privados, nas cidades de Santana do Seridó, Ouro Branco, Jardim do Seridó e Caicó.

O trecho urbano de Caicó é o mais degradado e poluído, inclusive por esgotos, de acordo com Diógenes, que também chama atenção para a composição de tintas. Geralmente, elas possuem metais pesados, altamente cancerígenos. Por esse motivo, a pesca na região também do rio Seridó deve ser imediatamente suspensa.

“O nosso papel dentro dessa pesquisa é confirmar se existe de fato uma contaminação ambiental. Esses metais pesados são elementos químicos que não se diluem no nosso sangue, são elementos que ficam na pele, nos músculos, dentro das nossas veias, fica circulando no nosso corpo. Pra quem já tem pequena propensão a ter câncer ou principalmente quem já está com alguma doença relacionada à contaminação ambiental, esse processo pode ser muito acelerado”, detalhou ainda durante a entrevista.

O trabalho da UFRN está sendo realizado em parceria com o Instituto de Gestão das Águas do RN (Igarn) e o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema). Um relatório será encaminhado ao Ministério Público do Rio Grande do Norte.

O grupo de pesquisadores apoia investigação criteriosa, considerando que esse tipo de contaminação não acontece de forma aleatória. Os especialistas vão também buscar alternativas para revitalização do rio. “Eu quero usar aquela imagem pra dizer ‘chega, já basta’, nós estamos em 2022. Caicó tem muita gente esclarecida, tem um comércio vivo, instituições de ensino e de pesquisa, muitas escolas de alto gabarito. Todos nós direta ou indiretamente já sabíamos da situação degradante do Rio Barra Nova”.

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