8M em Natal: mulheres (ainda) pedem direito à vida em manifestação
Natal, RN 17 de jul 2024

8M em Natal: mulheres (ainda) pedem direito à vida em manifestação

8 de março de 2023
7min
8M em Natal: mulheres (ainda) pedem direito à vida em manifestação

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Na calçada da avenida Salgado Filho, em frente ao Midway Mall, vítimas de feminicídio foram lembradas com cruzes de madeira para, mais uma vez, denunciar esse tipo de violência. Centenas de pessoas foram às ruas de Natal na tarde deste Dia Internacional da Mulher, 8 de março, motivadas pelo tema “Pela Vida das Mulheres: reconstruir o Brasil com a Democracia, contra o fascismo e pelo bem viver".

O ato contou com coletivos feministas, centrais sindicais, movimentos sociais e estudantis, partidos políticos, presença de parlamentares, e seguiu em marcha até as imediações do Natal Shopping, em Candelária.

Márcia Souza | Foto: Isabela Santos

“As mulheres, historicamente, sempre estão em luta, mas hoje, mais do que nunca, a gente está pela vida das mulheres. O número de feminicídios é alto e muitas de nós estão passando fome. Estamos aqui pelo combate à pobreza e à violência”, destacou a funcionária pública Márcia Souza.

Kalina de Azevedo Marques, de 43 anos, morta a tiros pelo marido em fevereiro de 2022. | Foto: Isabela Santos

Diretora do SindSaúde/RN, Érica Galvão lembrou Kalina Azevedo, morta a tiros em 2022, aos 43 anos de idade, pelo marido que não aceitou a separação. “Era uma colega da Enfermagem que foi brutalmente assassinada. O feminicídio geralmente é brutal. eles matam na frente dos filhos”, lamentou, ao destacar também a luta das trabalhadoras da saúde e da educação, que estão hoje em greve, pelo pagamento do piso salarial.

Nomes de vítimas foram lembrados em manifestação | Foto: Isabela Santos

Militante do grupo “Amélias: mulheres do projeto popular”, Pollyana Galvão exaltou a adesão de tantas mulheres à manifestação popular: “O machismo disse que as ruas não eram nossas, mas estamos aqui. É com a nossa rebeldia que iremos avançar muito mais. O inimigo é o sistema capitalista. O inimigo é o patriarcado. Vamos seguir em marcha, em luta, em sintonia e com o desejo de viver uma vida mais igualitária”.

Movimento Amélias ajudou a construir ato | Foto: Isabela Santos

“Reconstruir a vida das mulheres em diversos aspectos” é a motivação maior do movimento, para a professora aposentada Wilma Geruza, ressaltando que o grupo passa ainda por negação de direitos e violência exacerbada. “Nossa luta é pela igualdade de gênero para que todos e todas tenham seus direitos assegurados”, pontuou.

Wilma reuniu grupo de militantes | Foto: Isabela Santos

Acompanhando a caminhada, a Subsecretária de Políticas para as Mulheres do Governo do RN, Wanessa Dutra Fialho disse que a gestão potiguar prioriza a independência das mulheres. “O governo tem investido na autonomia financeira das mulheres e no acesso à renda. A exemplo: ações voltadas para a agricultura familiar, com destinação de microcréditos. O enfrentamento à violência também é prioridade, inclusive com equipamentos de segurança, com a implantação de delegacias especializadas e da patrulha Maria da Penha”.

Estudantes

Mesmo com o fim do governo Bolsonaro, denunciar o período recente sombrio e pedir responsabilização pelos crimes cometidos ainda é uma pauta das mulheres.

“O último governo foi inimigo das mulheres, estudantes, mulheres trans, mulheres LGBTs, as mulheres negras. A luta estudantil não se desvincula de forma nenhuma da luta das mulheres pelos seus direitos e pelos que foram retirados no último período”, apontou a coordenadora do DCE-UFRN e vice-presidenta da União Estadual dos Estudantes, Raquel Rocha.

Estudantes da UFRN e outras instituições se manifestaram | Foto: Isabela Santos

A estudante lembrou ainda que as mulheres são maioria da população (mais de 51%, segundo IBGE), mas que o percentual não se reflete na comunidade acadêmica.

“Nossa mobilização tem que ser além de nós. Nesse espaço do 8M, a gente tá passando nas salas mobilizando, falando da importância da luta contra o assédio, uma realidade escancarada fora da universidade e dentro dela não é diferente. É o sistema que é machista e que coloca a gente nesse lugar vulnerável, a ponto de ameaçar a nossa permanência estudantil”, completou Raquel.

Mulheres pautam moradia digna | Foto: Isabela Santos

Moradia

Sempre integrando as manifestações unificadas, os movimentos que lutam por moradia digna marcaram presença.

“O que mais me inspirou a vir pra rua foi ver meu barraco alagado com a chuva de hoje”, disse Camila Tâmara. A jovem, de 22 anos, vive com o filho e o marido na ocupação Aurora Maria, no bairro Cidade da Esperança.

Jovens do MLMP juntas no ato | Foto: Isabela Santos

Camila milita junto ao Movimento de Luta por Moradia Popular (MLMP), como Lauroana Pereira, de 20 anos, da ocupação Olga Benário: “É um direito de todos vir pra rua se manifestar por direitos, mostrar que unidas não seremos vencidas”.

Mães e crianças

Alguns grupos direcionam esforços na proteção de mães e crianças. A professora Marcela de Souza, junto com a Coletiva Raízes da Luta, apresenta o movimento pela revogação da Lei da Alienação Parental (LAP): “Lutamos contra todas as violências que a nós são investidas, cultural, social, política e economicamente. Neste 8 de março, outras coletivas pelo Brasil estão denunciando o quanto a LAP é abusiva, nociva e tem destruído a vida de mães e suas crianças. Trata-se de uma lei criada para atacar mães que denunciam abusos dos genitores. A lei é fundamentada em estudos de um médico militar, Gardner, que tem trabalhos defendendo até mesmo a pedofilia”.

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