Natal será “cidade protótipo” para estudos de mudanças climáticas
Natal, RN 23 de jun 2024

Natal será “cidade protótipo” para estudos de mudanças climáticas

13 de abril de 2023
6min
Natal será “cidade protótipo” para estudos de mudanças climáticas

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Com o tema “Clima e Meio Ambiente no Contexto Urbano: Um Desafio de Governança Multinível”, o Simpósio Klimapolis aconteceu entre esta terça-feira (11) e quarta (12) em Natal. Com pesquisadores do Brasil e da Alemanha, a iniciativa discutiu os impactos das mudanças climáticas, poluição do ar, financiamento de pesquisas, dentre outros temas. Por meio do projeto, Natal será a “cidade protótipo” para investigar os efeitos das mudanças climáticas em outros municípios e regiões.

“Ela não é a maior cidade do Nordeste, mas é uma cidade bem representativa para as outras cidades litorâneas, então se a gente começa a fazer estudos aqui já nos vai dar uma boa ideia de que talvez os motivos e as soluções dos problemas são parecidos aos que podem ser implementados em outras cidades”, aponta a professora Judith Hoelzemann, do Departamento de Ciências Atmosféricas e Climáticas da UFRN.

Segundo a docente, os eventos climáticos extremos acontecerão cada vez mais com maior frequência. 

“Por exemplo, chuvas muito fortes em muito pouco tempo, e o sistema de saneamento das cidades não está preparado para isso. Então já temos em várias cidades problemas com inundações e isso atravessa o país inteiro. Maranhão teve agora problemas severos de inundações, em que casas inteiras ficaram até o telhado inteiro por baixo de água”, explica a docente. 

“Em São Paulo acontece regularmente, então não é um problema só aqui da região, no Brasil inteiro as áreas urbanas sofrem com isso, e se no futuro as mudanças climáticas levarem a uma frequência mais alta desse tipo de evento, é um problema para a população”, continua.

Na capital potiguar, hoje, dois temas ambientais aparecem com frequência: o Plano Diretor sancionado em 2022 e a engorda da Praia de Ponta Negra.

Engorda

“A erosão é um problema de quase todo o litoral brasileiro e as outras cidades do Nordeste que são grandes cidades que são litorâneas também. Então de fato, a gente tem especialistas locais que já trabalham há muitos anos nessa temática do avanço do mar, que é um efeito realmente tanto das mudanças climáticas e provavelmente ainda entram questões ambientais, e o conjunto todo leva a esse avanço do mar. É uma força maior, a gente não consegue parar essas mudanças climáticas de um dia para outro e vai ter que procurar soluções”, comenta Hoelzemann.

Foto: Caroline Macedo/Assecom

Venerando Amaro, do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da UFRN, concorda e vê o litoral brasileiro num “avançado processo erosivo”.

“A gente tem diminuído o volume de areia em todas as praias, então isso já foi apontado há muitos anos atrás em Ponta Negra e a solução encontrada foi essa da engorda, porque outras soluções estavam esbarrando obviamente em valores, e também na questão que as discussões envolveram talvez anos para que, do ponto de vista legal, isso tudo se resolvesse”, explica. 

No processo de Ponta Negra, o professor vê prós e contras. 

“A gente sempre tem as coisas que são contrárias completamente porque vão causar algum tipo de efeito deletério, e aquelas que são positivas. Então toda obra de engenharia tá nessa situação e a engorda é mais uma. A engorda tem a ideia de devolver para Natal a praia de Ponta Negra com areia. Agora os efeitos ambientais negativos, eles vão existir obviamente”, diz.

Plano Diretor

De acordo com Amaro, o Plano Diretor perpassou algumas das discussões do simpósio. Entre quinta (13) e sexta (14), o simpósio continua, mas desta vez para a reunião de síntese do Projeto Klimapolis. Numa mesa interna, o Plano será o tema principal.

“É uma oportunidade pra gente fazer alguns apontamentos de questões que não ficaram tão claras para nós e que têm suscitado o debate. A questão da verticalização, a questão da ocupação da orla por prédios”, afirma.

“Teve uma mesa de debates em que o Plano Diretor passou ali meio transversal na discussão, mas todo mundo trazendo preocupações importantes sobre a questão do desmatamento, da questão da ocupação de áreas muito próximas às ZPA [Zonas de Proteção Ambiental].”

Foto: Alex Régis/ Secom Prefeitura de Natal

Nesta quinta (13), a agência Saiba Mais mostrou que pelo menos três projetos para a construção de um residencial horizontal, além de dois hotéis, que também podem ser utilizados na modalidade de flats, estão sendo analisados pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb). As construções só serão possíveis por causa da flexibilização das regras do novo Plano.

O evento

No simpósio participaram pesquisadores das áreas de ciências climáticas, arquitetura e urbanismo, ciências sociais, ambientais e da vida, além de representantes de órgãos públicos brasileiros para discussões interdisciplinares sobre os desafios da governança urbana no contexto das mudanças climáticas. 

O encontro, que continua agora de modo interno, é organizado pelo Departamento de Ciências Atmosféricas e Climáticas (DCAC/UFRN) e pelo Departamento de Engenharia Civil e Ambiental (DCAM/UFRN), sob coordenação de Hoelzemann e Amaro. A organização ainda conta com o gestor do projeto alemão-brasileiro Klimapolis, do Instituto Max Planck de Meteorologia de Hamburgo, Alemanha, Diego Arruda.

O evento é financiado pelo Ministério Alemão de Educação e Ciência (BmBF), o Centro Alemão de Ciência e Inovação São Paulo (DWIH), a Universidade MacKenzie e o projeto Cliamb (CNPq), com apoio da UFRN.

Na cerimônia de abertura, foi lançado o recém-aprovado Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) Klimapolis, que recebeu financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

As gravações, com tradução simultânea português-inglês e transmissão online nas duas línguas. estão disponíveis no canal de YouTube do Klimapolis. Os debates podem ser acompanhados clicando AQUI.

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