“Na ditadura você era preso se botasse o pé na rua só por ser travesti”, lembra coordenadora da SEMJIDH
Natal, RN 20 de jun 2024

"Na ditadura você era preso se botasse o pé na rua só por ser travesti", lembra coordenadora da SEMJIDH

26 de maio de 2023

Ajude o Portal Saiba Mais a continuar produzindo jornalismo independente! Apoie com qualquer valor e faça parte dessa iniciativa.

Quero Apoiar

No Balbúrdia desta sexta (26), Rebecka de França, que assumiu a coordenadora de Diversidade Sexual e Gênero da Secretaria de Mulheres, Juventude, Igualdade Racial e Direitos Humanos (SEMJIDH) fala sobre as recentes políticas públicas criadas para a população LGBTQIAP+ e da luta histórica por essas conquistas.

Há dez anos pedimos, solicitamos uma pasta que atenda nossas demandas e só conseguimos agora com o governo da professora Fátima. O estado nunca teve nada para LGBT’s no Rio Grande do Norte e olhe que é um dos mais antigos do Brasil! Natal foi fundada em 1599 e só veio a ter algo agora. A demanda é grande, é gigantesca”, contextualizou Rebecka de França.

Entre as conquistas recentes, ela citou a criação dos ambulatórios Trans. Agora, são quatro em todo o RN. O primeiro foi instalado no Hospital Gisela Trigueiro e o mais recente, na cidade de Mossoró.

A coordenadora de Diversidade Sexual e Gênero da SEMJIDH também lembrou que o RN foi um dos primeiros estados do país a lançar um provimento para retificação de nome, que permitia modificar toda a documentação com o nome social, medida que, posteriormente, acabou sendo adotada também por outros estados.

Se cobrava uma taxa de R$ 400 nos cartórios por esse provimento, o que é cobrado até hoje, mas aqui no RN esse provimento era gratuito”, ressalta.

Meio Ambiente

Como LGBT’s, nós produzimos muita moda e reaproveitamos roupas feitas para corpos de mulheres cis num padrão que acho que nem existe... 36...34... parece que a mulher tem sempre que estar naquele formato, mostrando as curvas”, critica Rebecka de França.

Fascismo

A população LGBT é perseguida em todos os espaços. Vimos recentemente que a aprovação de uma lei, principalmente nos países africanos, que permite matar pessoas que se dizem LGBT’s e o Brasil se dispôs a receber essas pessoas. O Brasil vende uma imagem de país livre do preconceito, mas sabemos que apesar das duras pancadas que recebemos aqui, o Brasil também acolhe as pessoas LGBT’s. Se na África posso ser morta ou apedrejada, no Brasil, com toda a LGBTfobia, ainda consigo sair na rua e ir comprar o pão”, coloca.

A dor

Falo da aproximação da LGBTFobia com o racismo. É uma dor que dói na alma e não tem como expressar sua grandiosidade. Só quem realmente é negro, LGBT ou mulher, na questão do machismo, sabe. Não tem como comparar. A gente não quer sair na rua pra não ter que sentir de novo, só pra vocês terem uma ideia”, explica Rebecka de França.

A importância da organização

A duros passos estamos nos organizando. Desde a ditadura, no projeto Tarântula, você era preso se botasse o pé na rua só por ser travesti. Muitas vezes iam para os institutos de medicina ou delegacias para lavar cadáver. Nossa trajetória é muito dura. Hoje temos respeito e estamos nesta pasta para mostrar às pessoas o que sofremos ao longo do tempo. Não é ter direito acima dos outros, é uma compensação histórica”, defende a coordenadora de Diversidade Sexual e Gênero da Secretaria de Mulheres, Juventude, Igualdade Racial e Direitos Humanos (SEMJIDH).

Confira a entrevista na íntegra:

(52) Diversidade sexual e gênero: entrevista com Rebecka Franca - YouTube

Apoiar Saiba Mais

Pra quem deseja ajudar a fortalecer o debate público

QR Code

Ajude-nos a continuar produzindo jornalismo independente! Apoie com qualquer valor e faça parte dessa iniciativa.

Quero Apoiar

Este site utiliza cookies e solicita seus dados pessoais para melhorar sua experiência de navegação.