PM interrompe batalha de hip hop em Natal e agride jovem com tapa no rosto
Natal, RN 16 de jun 2024

PM interrompe batalha de hip hop em Natal e agride jovem com tapa no rosto

28 de agosto de 2023
4min
PM interrompe batalha de hip hop em Natal e agride jovem com tapa no rosto

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O que era pra ser mais uma noite comum de batalha de hip hop acabou se tornando um episódio de agressão policial. O caso aconteceu na noite deste sábado (26), no Conjunto Gramoré, zona Norte de Natal, e foi gravado em vídeo (veja abaixo).

Nas imagens, um policial aparece segurando uma mochila e pergunta a quem ela pertence. Uma pessoa diz algo, que não é possível identificar, e o PM retruca: 

“Cala a boca. Eu pedi a sua opinião, seu b*****?”, xinga.

Um outro jovem exclama um “oxe”, e é nesse momento que o policial o confronta e dá um tapa em seu rosto. 

“Cala a boca. ‘Oxe’ o quê?”, diz novamente o PM.

A situação de violência ocorreu em meio à seletiva do Duelo Nacional de MCs, maior competição de freestyle do Brasil que realizava a quarta pré-seletiva do estado sediada pela Batalha Clandestina na praça Garotinho da Copa, no bairro Lagoa Azul. 

Segundo a organização do evento, jovens, crianças e mulheres - inclusive grávidas - assistiam à batalha, que era transmitida ao vivo pelas redes sociais. Os militares teriam chegado ao local às 22h30, interrompendo as atrações e revistando o público e os participantes. Os homens queriam saber a quem pertencia uma mochila, e ninguém soube informar. 

De acordo com uma nota de repúdio emitida pela Batalha Clandestina, apenas o “oxe” foi o motivo para que um artista fosse agredido com um tapa na cara. O grupo afirmou ainda que, após a agressão, um policial tentou conversar e ao ver que um DJ gravava a situação, mandou parar. O rapaz foi puxado para um canto afastado, fora do foco da transmissão, e ameaçado. A polícia ainda teria tirado fotos do DJ e feito perguntas abusivas.

Um dos organizadores da disputa da noite, o cientista social Aleson da Cruz reivindicou o direito do rap estar nas ruas e criticou a violência cometida pela PM.

“O Estado já nega pra gente o direito à cultura e ao lazer. Simplesmente a PM chegou, parou a batalha, agrediu nosso companheiro, ameaçou outras pessoas e foi embora como se nada tivesse acontecido. Essa agressão está sendo apurada”, disse ele.

Ainda de acordo com Aleson, uma audiência foi marcada às 11h desta segunda-feira (28) na Governadoria. A reunião deve contar com a presença da Secretaria das Mulheres, da Juventude, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos (Semjidh), Secretaria da Segurança Pública e da Defesa Social (Sesed), além da Corregedoria e Ouvidoria da PM.

“É muito triste ver que isso ainda acontece e vamos colocar para frente, para que casos como esse não se repitam, e que as batalhas de rima e cultura periférica sejam respeitadas. Elas nasceram nas ruas e vão continuar nas ruas”, frisou Aleson.

O caso foi divulgado por páginas nacionais e ganhou o apoio de MV Bill, um dos mais consagrados rappers do país, contra o abuso.

“Um tapa em todos Noiz. Solidariedade ao MC e demais agredidos”, escreveu o artista em uma publicação.

Em nota, a Polícia Militar informou que vai instaurar um procedimento legal e disciplinar com o objetivo de apurar todas as circunstâncias que envolvem a ocorrência.

“A Corporação reafirma o seu compromisso em proteger a sociedade potiguar e não compactua com qualquer desvio de conduta ou excesso por parte de seus integrantes”, disse.

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