“Bandagália, o reinado da irreverência” será lançado nesta quinta (1)
Natal, RN 22 de fev 2024

“Bandagália, o reinado da irreverência” será lançado nesta quinta (1)

30 de janeiro de 2024
5min
“Bandagália, o reinado da irreverência” será lançado nesta quinta (1)
Lançamento ocorre nesta quinta (1º) no 294 Bar e Restaurante, a partir das 19h | Foto: reprodução

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Uma banda de carnaval criada em meio à ditadura numa cidade conservadora, inspirada nos povos bárbaros da Idade Média e influenciada pelo frevo das ladeiras de Olinda. Essa é parte da história que agora vira livro por meio das mãos do jornalista Rafael Duarte, diretor executivo da Agência SAIBA MAIS. O lançamento de “Bandagália, o reinado da irreverência” acontece nesta quinta-feira (1), a partir das 19h, no 294 Bar e Restaurante, em Petrópolis. 

A Bandagália marcou época e mudou a cultura do carnaval de Natal nos anos 1980. Criada por um grupo de jovens de classe média recém-formados, arrastou foliões de 1981 a 1990, quando a violência urbana venceu a alegria. O fim veio após a morte de um folião, o arquiteto Chicão, que foi tentar ajudar uma pessoa que estava sendo roubada e sofreu dois tiros à queima roupa. Mas a semente foi plantada e deixou muitos frutos, que permanecem nas ruas da cidade até hoje. 

“A Bandagália revolucionou, mudou a cultura do carnaval da cidade”, atesta Rafael Duarte.

Para o jornalista e escritor, a Bandagália foi precursora de alguns dos blocos que já se tornaram tradicionais na capital potiguar, como a Banda Independente da Ribeira, a Banda do Siri e o bloco Poetas, Carecas, Bruxas e Lobisomens.

“Eu entrevisto no livro várias pessoas, líderes de blocos de rua, e eles mesmo falam que a Bandagália foi a inspiração, foi a ‘mãe’ do carnaval de rua de Natal”, comenta.

Segundo Duarte, a obra também derruba alguns mitos, como o de que a Tragédia do Baldo teria acabado com o carnaval de Natal. A tragédia foi um atropelamento de um bloco ocorrido em 1984 que matou 19 pessoas.

“Muita gente fala de que o carnaval de Natal tinha acabado ali, o que é uma mentira enorme. A Bandagália, inclusive, tem um papel importante de reunir outros blocos para saírem ali naquele carnaval como homenagem às pessoas que morreram e que iriam pular carnaval naquele ano”, aponta. 

“E houve uma mobilização grande. Era época das Diretas Já, e a banda teve um papel importante de não deixar, inclusive, que aquela tragédia abalasse o carnaval e aí sim sucumbisse de vez o carnaval da cidade, tanto que a banda vai até 1990”, continua.

Os gauleses

A Bandagália tem origem na mítica Casa da Gália, localizada na praia da Redinha, onde um grupo de amigos bons de copo passava o veraneio no final dos anos 1970. Consumindo quantidades industriais de cachaça e comendo tudo o que viam pela frente, incluindo uns aos outros, a turma ficou conhecida na cidade como “os gauleses”, uma referência à história de Asterix, Obelix e companhia.

Eugênio Cunha foi um desses “gauleses” e parte da turma que fundou o bloco. Ele ainda conta que o nascimento veio em meio a um blackout que deixou a cidade às escuras. 

“Em 1981 teve uma cheia que derrubou umas torres de energia perto de Campo Redondo e Santa Cruz, e Natal ficou praticamente uma semana sem energia. Só para você ter uma ideia, tinha energia só nos hospitais, num bar e num motel. No restante era tudo no blackout, no escuro”, diz.

Coincidentemente, durante o blackout, a turma que iria para Olinda, em Pernambuco, resolveu convidar a cidade inteira para uma farra coletiva e tentar revitalizar o carnaval de rua da capital, naquele longínquo abril de 1981. Assim nasceu a banda de carnaval. Eram profissionais recém-formados como engenheiros, arquitetos, gente ligada à cultura e à política. Do público da classe média, cada vez foi chegando mais gente para democratizar a folia.

“Iam adultos e crianças. Era uma festa para todo mundo. Os carnavais hoje não atingem todo esse público. Hoje a gente verifica que essa coisa não é tão inclusiva. As pessoas vão assistir um show, mas não são parte desse espetáculo. Isso pra gente era fundamental”, atesta Eugênio Cunha.

O começo, o meio e o fim dessa epopéia está guardado em quase 200 páginas do livro. Durante a festa de lançamento, além de um momento de autógrafos com o autor e os fundadores da Bandagália, haverá uma orquestra de frevo para animar os antigos e novos foliões.

O livro conta ainda com o prefácio de Vicente Serejo e a orelha de Woden Madruga, os dois jornalistas que mais divulgaram os bastidores, os perrengues, as festas e saídas da Bandagália durante uma década.

SERVIÇO 

Lançamento do livro “Bandagália: o reinado da irreverência”

Dia: 1° de fevereiro (quinta-feira)

Hora: 19h

Local: Bar e restaurante 294

Preço do livro: R$ 70

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