Covid: casos diminuíram, mas doença ainda causa mortes no RN
Natal, RN 21 de abr 2024

Covid: casos diminuíram, mas doença ainda causa mortes no RN

28 de fevereiro de 2024
8min
Covid: casos diminuíram, mas doença ainda causa mortes no RN
Fonte: Sesap-RN

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Desde o anúncio do primeiro caso de Covid-19 no Rio Grande do Norte, que ocorreu em 12 de março de 2020, já são praticamente quatro anos, com um triste saldo de 9,2 mil mortes pela doença e quase 90% da população vacinada com a primeira dose. Entretanto, um dos desafios a serem enfrentados é a população seguir com o esquema das doses de reforço.

Quando se considera aqueles que receberam a primeira dose de reforço, a porcentagem de atendidos cai para 59%. Já com a segunda dose de reforço, a D4, o número chega a 26%, menos de um terço dos potiguares.

É claro que o surto pandêmico passou. Inclusive, a preocupação do momento é com o aumento dos casos de dengue. Mas, vale lembrar que os casos de Covid continuam. Segundo dados da Secretaria da Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sesap), o RN teve 3.155 casos confirmados e 40 mortes registradas pela Covid entre 1º de janeiro e 24 de fevereiro deste ano. Em todo o estado, 89% da população já está com a campanha de vacinação completa, segundo a plataforma RN+Vacina. São 2.829.188 pessoas que receberam a segunda dose ou a dose única. 

Internações

A ocupação dos leitos pela infecção do coronavírus também segue baixa. No Rio Grande do Norte, apenas a 7ª Unidade Regional de Saúde, correspondente à região metropolitana de Natal, possui pacientes internados, de acordo com a Sala de Situação de Leitos da plataforma RegulaRN. 

Em relação aos adultos, a Grande Natal possui 0,74% de pacientes na UTI e 0,15% na enfermaria. Em relação aos leitos pediátricos, 5,88% dos internados em UTI são decorrência da Covid-19. Todos estão concentrados no Hospital Giselda Trigueiro, nas Quintas, zona oeste da capital, ou no Maria Alice Fernandes, no bairro de Nossa Senhora da Apresentação, zona norte.

Série histórica

De 26 de fevereiro de 2023 até o mesmo período deste ano, apenas um mês registrou mais do que 10 internações pela Covid-19 no RN. Foi em abril do ano passado, quando 12 solicitações para internação foram feitas, todas de adultos.  

Em janeiro deste ano, ainda foi alcançada a segunda maior quantidade de solicitações de regulação no período (8), sendo 7 para adultos e 1 pediátrico. Em fevereiro, o recuo voltou: 4 solicitações para adultos e 1 para criança. Em todo o período — de fevereiro a fevereiro — foram 57 solicitações.

Mas o que mudou de 2020 pra cá? No Brasil, o primeiro caso confirmado de covid foi registrado em 26 de fevereiro daquele ano. Em Natal, o primeiro caso foi identificado no dia 12 de março, em uma jovem de 24 anos, paciente do sexo feminino, que havia retornado de uma viagem à Europa. A vigilância do município identificou que a jovem, nesse período de infecção, teve contato próximo com cerca de 21 pessoas, que passaram a ser imediatamente monitoradas.

“Nesse período a gente saiu de um profundo desconhecimento, do surgimento de um vírus que a gente não tinha muitos detalhes sobre ele, sobre a forma de transmissão, de replicação, etc, para o desenvolvimento de uma vacina eficaz que sem dúvida tem mantido milhares ou milhões de vidas no estado e no mundo inteiro”, explica o biomédico Leonardo Lima, especialista em imunologia e pesquisador do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (LAIS), ligado à UFRN.

“Isso se deu também pela comunicação, pela velocidade de troca de informação entre os pesquisadores do mundo todo”, aponta Lima.

“A gente sabe que o vírus continua circulando, mas felizmente a gente não tem mais pacientes aguardando o leito de enfermaria ou de UTI”, diz.

Medicamentos

Desde maio de 2022, a Anvisa aprovou uma nova indicação do medicamento Veklury (Remdesivir) para o tratamento da Covid-19. A indicação aprovada é para pacientes adultos que não necessitem de administração suplementar de oxigênio e que apresentem risco aumentado de progredir para caso grave de Covid-19. 

“É um medicamento muito mais efetivo quando o paciente precisa de um suporte ventilatório mais invasivo, por exemplo, quando ele está numa enfermaria ou UTI. Ele não é indicado para casos leves”, diz o biomédico. 

Além do Remdesivir, o RN também recebeu, em 2022, o Paxlovid, aprovado para uso emergencial pela Anvisa em março daquele ano.

O biomédico do LAIS ainda explica que a ciência não tem a pretensão de erradicar o vírus, já que outros subtipos vão se proliferando.

“A ciência não tem a pretensão de erradicar o vírus. Isso não vai acontecer, e desde o começo a gente deixa isso bem claro. Porque é como se a gente pensasse em erradicar o vírus da gripe, por exemplo. Eu posso diminuir muito a circulação de um determinado grupo de vírus, mas por seleção natural eu vou abrir espaço pra que a outra linhagem passe a infectar a população”, comenta.

Ele ainda faz uma analogia com a situação atual da dengue:

“Quando um sorotipo contamina muito a população em um determinado período, a tendência é que aquele sorotipo diminua a sua transmissibilidade e os outros subtipos aflorem. Então se esse ano eu tenho circulando o tipo 3, a tendência é que nos próximos anos o sorotipo 3 diminua e o sorotipo 1 e 2, por exemplo, aumentem. Isso é o esperado. A mesma coisa para covid.”

A sazonalidade de transmissibilidade, diz Leonardo Lima, é sabida que vai persistir por muitos. Mas outros vírus já conseguiram ser erradicados com vacinação, como é o caso da poliomielite. 

“A gente não tem casos ou não tinha casos de poliomielite pro Brasil com vacinação. É o caso da varíola que erradicou no mundo inteiro, não tem mais casos de varíola no mundo por causa da vacina”, destaca.

Natal

Na capital do Rio Grande do Norte, em todo o ano passado, foram notificados 25.417 casos de Covid-19, sendo destes 9.372 suspeitos/inconclusivos, 2.602 confirmados e 13.443 descartados, com uma prevalência de 346/100 mil habitantes de casos confirmados e 29 mortes.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), constatou-se um aumento de notificações e resultados positivos nos meses de janeiro a abril de 2023. 

Fonte: Boletim epidemiológico da SMS Natal
Fonte: Boletim epidemiológico da SMS Natal

“Devido à sensibilização dos profissionais e da população, em solicitar exames e buscar atendimento ao iniciar os sintomas, respectivamente, houve um aumento nas notificações nos meses de novembro e dezembro de 2023. Comportamento semelhante ao que ocorreu no mesmo período do ano de 2022. No entanto, os números são bem inferiores quando comparado com o mesmo período do ano de 2022”, registrou a SMS em seu último boletim epidemiológico. 

Em Natal, a faixa etária mais acometida no ano passado foi entre 20 a 59 anos, com predominância entre as mulheres. Quando analisada a raça, a branca é predominante (45,26%), seguida da parda (43,47%), amarela (7,91%) e preta (3,36%).

Ainda segundo a pasta municipal, houve redução no número de óbitos quando comparados com o mesmo período de 2022 . A proporção de óbitos de Covid-19 revela que a população idosa ainda é a mais atingida: 79,31%.

Já entre os óbitos confirmados pela Covid, a maior proporção de doenças preexistentes foi a cardiopatia, com 37,93%, seguido de diabetes (27,59%).

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