Natal: audiência pública na Câmara debate saúde mental nesta sexta, 10
Natal, RN 29 de mai 2024

Natal: audiência pública na Câmara debate saúde mental nesta sexta, 10

7 de maio de 2024
3min
Natal: audiência pública na Câmara debate saúde mental nesta sexta, 10
Centro de Convivência, em Natal, trabalha com a perspectiva do cuidado em liberdade. Foto: @cecconatal

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Discutir a saúde mental e o cuidado em liberdade, no mês da luta antimanicomial, que acontece em maio. Esse é o objetivo da Audiência pública: Temos direito à saúde mental!, que acontece nesta sexta-feira (10), às 9h, na Câmara Municipal de Natal, a partir de uma iniciativa do mandato do vereador Daniel Valença (PT).

"Nós estamos propondo esta audiência para trazer ao debate público mais uma vez a importância de ouvir todos os atores da rede de atenção psicossocial em saúde, sejam usuários, familiares, trabalhadores e gestores. Queremos compreender qual estrutura e qual orçamento temos dedicado ao cuidado de pessoas em sofrimento psíquico ou com transtornos mentais", declarou o mandato do vereador.

Dentre os convidados, estará presente o Centro de Convivência (CECCO), que atua numa perspectiva do cuidado em liberdade para as pessoas com demandas de saúde mental.

Cuidado em liberdade: entenda o que é

A proposta visa lidar com as pessoas que necessitam de uma atenção especializada em saúde mental de uma forma que respeite a cidadania do sujeito, explica a psicóloga Daniele Lima, do Centro de Referência em Direitos Humanos Marcos Dionísio.

“Antes de falar do cuidado em liberdade, precisamos trazer um breve histórico do que foi a Reforma Psiquiátrica, que no Brasil se consolidou enquanto marco fundamental da política de atenção à saúde mental”

De acordo com a psicóloga, a Reforma Psiquiátrica vem como uma necessidade de desconstruir um modelo manicomial e asilar, para construir uma nova proposta de clínica pautada no paradigma do cuidado e exercício da cidadania, vendo as pessoas que necessitam do cuidado especializado em saúde mental enquanto sujeitos de direitos.

Assim, surge o conceito do cuidado em liberdade, numa proposta dos ensinamentos de Paulo Freire, pontua Lima.

“Não estamos falando de um estabelecimento ou instituição. Liberdade vamos entender como um conceito mais ampliado do exercício de libertação de práticas de cuidado, que está ligado à relação que esses sujeitos estabelecem com outras pessoas, outros serviços e outros modos de ser e estar no mundo”.

Dessa forma, é estabelecida uma relação de cuidado às pessoas com demandas de saúde mental que dizem respeito ao desenvolvimento desses sujeitos e que deve ser singular, ou seja, adaptada a cada caso.

“E isso vem para fomentar criatividade, plano de vida e saúde para essas pessoas. Vamos no sentido de relação de cuidado com esse usuário para que ele possa produzir novas formas de estar no mundo”, defende a psicóloga.

A atitude de incluir usuários da rede de atenção psicossocial em uma audiência pública para contribuir no debate sobre suas próprias demandas já é uma forma de promoção em liberdade, explica Lima.

“Você sai de um contexto institucional e coloca essas pessoas dentro de um outro espaço e possibilita que elas consigam falar sobre si: sobre o que falta, o que já se tem e sobre a própria vida”.

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