Professor da UFRN é consultor da Unesco para Conferência Nacional
Natal, RN 21 de abr 2024

Professor da UFRN é consultor da Unesco para Conferência Nacional

3 de março de 2024
5min
Professor da UFRN é consultor da Unesco para Conferência Nacional
Fotos Professor José Germano Neto foi selecionado via edital nacional / Foto: Luana Tayze

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Teorias da conspiração à parte qualquer pessoa que utilize a internet - dos oito aos 80 anos - é capaz de perceber que não pode ser coincidência o recebimento dos conteúdos "espontâneos" em seus celulares e computadores. Há até mesmo quem diga que os celulares "ouvem" as conversas e depois aparecem anúncios nas redes sociais sobre os assuntos ligados ao que foi falado.

Pois, é importante saber que governos, cientistas, professores e sociedade civil se preocupam com o uso ético das tecnologias por parte das grandes empresas, e também discutem os modelos de desenvolvimento e de concepções tecnológicas, que atravessam debates bem contemporâneos como raça e racismo; gênero da ciência e neutralidade, e participação social e pública nos sistemas de ciência tecnologia. Todas essas questões fazem parte do cotidiano de sala de aula do professor da Escola de Ciências e Tecnologia da UFRN, José Germano Neto, que soube essa semana de sua seleção, via edital, para fazer parte do time da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), que vai acompanhar o processo de mobilização e articulação das conferências livres que resultarão na 5ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (CNCTI), que ocorrerá no início de junho, em Brasília (DF).

Fonte https://www.tudosaladeaula.com/

Pessoalmente, o que o mobilizou para participar desse edital é o fato de que há alguns anos ele vem atuando nessa pauta da participação social em ciência e tecnologia.

"A conferência tem um tema central que é 'Ciência, Tecnologia e Inovação para um Brasil Justo, Sustentável e Desenvolvido' e se divide a partir dos seguintes eixos estruturantes que orientam a Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (ENCTI) 2024-2030: recuperação, expansão e consolidação do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação; reindustrialização em novas bases e apoio à inovação nas empresas; ciência, tecnologia e inovação para programas e projetos estratégicos nacionais; e ciência, tecnologia e inovação para o desenvolvimento social", informa.

Segundo Germano, esse tipo de atividade é importante porque põe à mesa "assuntos quentes" como questões de bioética e meio ambiente; utilização de algoritmos e consumo, na relação entre tecnologia e produção de sistemas de capitalismo, dentre outros.

"Discussões que são adensadas por alguns sociólogos como é o caso de Tony Sampson, que falar, por exemplo, sobre engajamento e a estrutura que é dada do capitalismo, a partir de sua própria apropriação. As estratégias psicológicas que são utilizadas para que a gente se mantenha consumindo conteúdos que nos são agradáveis, por processos de assimilação, e não tendo contato, por exemplo, com o que a gente rejeita", explica ele, confirmando que não é teoria da conspiração o que muitos imaginam por aí.

Mobilização é a saída

Indagado sobre o acesso à internet, democratização, velocidade e conectividade, dentre outros temas que evidenciam que, não há um só, mas vários tipos de internet, Germano poetisa:

"Em 1997, Gilberto Gil lançou uma música intitulada 'Pela Internet' e num dos trechos ele cantava 'Eu quero entrar na rede, promover o debate'. Vinte e 21 anos depois, em 2018, ele lança 'Pela Internet 2' cantando 'estou preso na rede que nem peixe pescado'. Acho que isso diz muito sobre as promessas não cumpridas da democratização da vida a partir da internet. Por vezes, nos prendemos no que alguns teóricos nomeiam por câmaras de eco, somente reproduzindo nosso pensamento entre iguais a partir da modulação dos algoritmos. E essa reflexão fazemos sem mencionar a discussão da infraestrutura técnica, na qual muitas pessoas sequer à internet ou dispositivos de qualidade têm acesso. É o que a comunidade científica chama de ausência de conectividade significativa, onde o acesso é precário ou quase nulo, impossibilitando a efetivação desse direito à comunicação".

No ponto de vista do uso e domínio da tecnologia no século XXI, Germano considera que estamos vivendo um período árido, mas não desanimador, se houver resistência e questionamentos:

"Precisamos criar estratégias de resistência. Existem coletivos que desenvolvem tecnologias sociais, que desenvolvem instrumentos de softftware livre, que quebram a hegemonia posta pelas marcas e sistemas de constituição das práticas tecnológicas atuais".

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