Greve na UFRN: para professores, decisão por plebiscito é antidemocrática
Natal, RN 19 de jun 2024

Greve na UFRN: para professores, decisão por plebiscito é antidemocrática

31 de maio de 2024
9min
Greve na UFRN: para professores, decisão por plebiscito é antidemocrática
UFRN I Foto: Cícero Oliveira

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O plebiscito lançado pela Associação dos Docentes da UFRN (Adurn-Sindicato) para decidir sobre a continuidade ou suspensão da greve na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) será encerrado nesta sexta-feira (31). Porém, em uma carta aberta que já conta com a assinatura de mais de 80 pessoas, os professores da instituição questionam a legitimidade da realização de um plebiscito sem uma discussão anterior em assembleia.

É a ruptura do método que vínhamos realizando anteriormente. Todo e qualquer plebiscito deve ser precedido de assembleia. Essa decisão de ir direto ao plebiscito foi sem participação de membros do comando de greve, foi decidido por um grupo menor de pessoas do sindicato. Na nossa interpretação, houve um encaminhamento antidemocrático, é na assembleia o espaço para discussão de argumentos. O plebiscito vai sem discussão do conteúdo político, o que traz um prejuízo enorme. Não questionamos a legitimidade do plebiscito, mas sua realização sem uma discussão anterior. Houve a quebra do método de discussão coletiva na UFRN”, argumenta o professor César Sanson, do Departamento de Ciências Sociais da UFRN.

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O plebiscito foi aberto na quarta (29) e termina hoje (31). Nele, apenas os professores da ativa podem votar se aceitam a proposta do governo federal e encerram a greve ou se permanecem a paralisação, o que também não passou despercebido pelos docentes.

O plebiscito foi realizado num feriado e sem a participação dos aposentados, que estão entre os mais prejudicados na proposta feita pelo governo. Eles não têm direito ao voto, apesar de serem parte expressiva dos docentes da Universidade”, acrescenta Sanson.

O plebiscito para votação foi aberto depois que a Federação de Sindicatos de Professores e Professoras de Instituições Federais de Ensino Superior e de Ensino Básico Técnico e Tecnológico (Proifes-Federação) assinou um acordo com o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), na última segunda (27). Os professores, porém, se manifestaram contra o acordo e chegaram a mobilizar um abaixo-assinado pela desfiliação do Adurn-Sindicato à Proifes.

Temos percebido uma resistência às discussões de caráter coletivo na UFRN, em assembleia. O sindicato, ao invés de se colocar ao lado das decisões decididas na assembleia, parece não se sentir parte do que é decidido coletivamente e, na falta de argumentos para sustentar as próprias posições, esvazia os debates. Essa é uma clara medida de esvaziamento do debate político dentro da universidade, o que é contraditório já que as universidades são, justamente, o espaço para discussão. É vergonhoso que o sindicato se coloque dessa maneira”, aponta Sanson, que integra o comando de greve pelo Centro de Ciências Humanas Letras e Artes (CCHLA) da UFRN.

Na atual greve dos professores dos Institutos e Universidades federais, que na UFRN começou no dia 22 de abril, a categoria já havia votado dois plebiscitos, mas ambos foram precedidos por assembleias para debater o conteúdo da votação. No 1º foi decidido a adesão da Universidade à greve e no 2º foi votada a rejeição da proposta feita pelo governo federal.

A Agência Saiba Mais tentou contato com o Adurn-Sindicato por ligação e mensagem, mas não obtivemos retorno até a publicação desta matéria.

Confira a carta na íntegra:

Prezadas e prezados colegas docentes da UFRN

Depois de duas décadas sem greve na UFRN, não nos restam mais dúvidas que estávamos enferrujados. Tanto a gestão da instituição como a direção sindical evidenciaram debilidades que logo precisaremos encarar.
O plebiscito é um expediente que deve ser melhor discutido. Ele rompe com uma tradição clássica do movimento sindical que sempre teve nas assembleias o espaço por excelência da argumentação política e seus contraditórios.
Em nome de uma ampliação quantitativa e supostamente mais democrática, exime alguns de se manifestarem publicamente e joga para o privado aquilo que é essencialmente coletivo. E pior: exclui os aposentados da tomada de decisão, num claro etarismo neoliberal. Precisamos conversar sobre isso.
Dos fatos:
Nas duas vezes que utilizamos o plebiscito nesta greve foi como confirmação ou rejeição de encaminhamentos prévios e democraticamente debatidos nas assembleias. Já este plebiscito é decorrência de um acordo rejeitado pela categoria, tanto aqui quanto na ampla maioria das UFs de todo o Brasil.

Com ele se busca legitimar um acordo ilegítimo, assinado pela PROIFES à revelia da opinião majoritária da categoria e que insiste em nos comparar com sindicatos cartoriais sem base alguma. Isso é indigno para os nossos 2503 associados ao Adurn Sindicato e as centenas de não filiados. Ainda mais: o PROIFES, com a assinatura do acordo, tenta impedir a continuidade das negociações e nos empurra o vergonhoso 0%.
Este plebiscito em curso, parcialmente realizado num feriado, sem assembleia nem debates prévios, é um erro. Precisamos de uma assembleia na próxima semana que traga nossa pauta de desfiliação da PROIFES. Os expedientes para inviabilizar as greves estão no DNA desta federação.
No “silêncio” do clic, a política morre!

  1. Haroldo Loguercio Carvalho – Departamento de História
  2. Cesar Sanson – Departamento de Ciências Sociais
  3. Gabriel E. Vitullo – Departamento de Ciências Sociais
  4. Erika dos Reis Gusmão Andrade – Departamento de Fundamentos e Políticas da Educação
  5. Sávio Araújo – Departamento de Artes
  6. Ilana Paiva – Departamento de Psicologia
  7. Fernando Pureza – Departamento de Práticas Educacionais e Currículo
  8. Henrique Wellen – Departamento de Serviço Social
  9. Esther Majerowicz – Departamento de Economia
  10. Janaynna de Moura Ferraz – Departamento de Ciências Administrativas
  11. Fellipe Coelho Lima – Departamento de Psicologia
  12. Túlio Souza – Departamento de Fisioterapia
  13. Antoinette de Brito Madureira – Departamento de Serviço Social
  14. Aliny Pranto - Departamento de Práticas Educacionais e Currículo
  15. Walter Pinheiro - Departamento de Fundamentos e Políticas da Educação
  16. Jacyene Melo de Oliveira Araújo - Departamento de Fundamentos e Políticas da Educação
  17. Juliane Vargas Welter - Departamento de Letras
  18. Mauro Dunder - Departamento de Letras
  19. Ana Virgínia Lima da Silva Rocha - Departamento de Letras
  20. Marcilio de Souza Vieira - Departamento de Artes
  21. Juliana Melo, Departamento de Antropologia
  22. Marisa Narcizo Sampaio - Departamento de Práticas Educacionais e Currículo
  23. Sílvia Regina Groto - Departamento de Práticas Educacionais e Currículo
  24. Mariangela Momo - Departamento de Fundamentos e Políticas da Educação
  25. Jaqueline Castilho Machuca - Departamento de Letras
  26. Maria da Penha Casado Alves - Departamento de Letras
  27. Carmen Alveal – Departamento de História
  28. Patricia Ferreira Botelho - Departamento de Letras
  29. Roberto Airon Silva - Departamento de História
  30. Rodrigo Ielpo - Departamento de Línguas e Literaturas Estrangeiras Modernas
  31. Lucas Trindade da Silva - Instituto Humanitas
  32. Mahayana C. Godoy - Departamento de Letras
  33. Magno Francisco de Jesus Santos - Departamento de História
  34. Thayane Silva Campos - Departamento de Línguas e Literaturas Estrangeiras Modernas
  35. Clebson Luiz de Brito - Departamento de Letras
  36. Maria Emília Monteiro Porto - Departamento de História
  37. Eduardo Aníbal Pellejero - Departamento de Filosofía
  38. Jáder Ferreira Leite - Departamento de Psicologia
  39. Nuno Miguel de Morais Pestana Tarouca Camarinhas - Departamento de História
  40. Laís Guaraldo - Departamento de Artes
  41. Soraia Maria do S. C. Vidal - Instituto de Políticas Públicas
  42. Andrey Pereira de Oliveira - Departamento de Letras
  43. Renata Viana de Barros Thomé - Departamento de Fundamentos e Políticas da Educação
  44. Gilmar Santana – Departamento de Ciências Sociais
  45. Cimone Rozendo – Departamento de Ciências Sociais
  46. Cynara Carvalho de Abreu - Departamento de Psicologia
  47. Marconi Neves Macedo – Departamento de Administração Pública e Gestão Social
  48. Mozart Fazito – Departamento de Turismo
  49. Melissa dos Santos Lopes - Departamento de Artes
  50. Alessandra Castilho Ferreira da Costa- Departamento de Letras
  51. Derivaldo dos Santos - Departamento de Letras
  52. Tadeu Mattos Farias - Departamento de Psicologia
  53. Susana Isabel Marcelino Guerra Domingos – Departamento de HIstória
  54. Laura Carolina Lemos Aragão - Departamento de Psicologia
  55. Paulo Henrique Duque - Departamento de Letras
  56. Ada Lima Ferreira de Sousa - Escola de Ciências e Tecnologia
  57. Irene Alves de Paiva -Departamento de Ciências Sociais
  58. Elisete Schwade - Departamento de Antropologia
  59. Marta Gonçalves Dep. Letras
  60. Silvana Mara de Morais dos Santos - Departamento de Serviço Social
  61. Julie Cavignac - Departamento de Antropologia
  62. Daniela Neves - Departamento de Serviço Social
  63. Regina Johas - Departamento de Serviço Social
  64. Rita Neves - Departamento de Antropologia
  65. Arlete dos Santos Petry - Departamento de Artes
  66. Mônica Mourão - Departamento de Comunicação Social
  67. Janaine Aires - Departamento de Comunicação Social
  68. José Glebson Vieira - Departamento de Antropologia
  69. Ana Karenina Arraes Amorim - Departamento de Psicologia
  70. Larissa Kelly de Oliveira Marques- Departamento de Artes
  71. Rozeli Porto - Departamento de Antropologia
  72. Flávio Boleiz Júnior - Departamento de Fundamentos e Políticas da Educação
  73. Maria Goretti C. Barbalho - Departamento de Fundamentos e Políticas da Educação
  74. Kátia Regina Lopes Costa Freire - Departamento de Fundamentos e Políticas da Educação
  75. Danielle Oliveira da Nóbrega - Departamento de Fundamentos e Políticas da Educação
  76. Antônio de Pádua dos Santos - Departamento de Educação Física
  77. Denise Maria de Carvalho Lopes - Departamento de Fundamentos e Políticas da Educação
  78. Alessandra Cardozo de Freitas - Departamento de Fundamentos e Políticas da Educação
  79. Heloisa Lima Perales - Departamento de Fundamentos e Políticas da Educação
  80. Luciane Terra dos Santos Garcia - Departamento de Fundamentos e Políticas da Educação
  81. Andréia da Silva Quintanilha Sousa - Departamento de Fundamentos e Políticas da Educação
  82. Robério Paulino – Instituto de Políticas Públicas
  83. Marcelo Taveira - Faculdade de Engenharia, Letras e Ciências Sociais do Seridó
  84. Dimitre Soares Departamento de Direito - CERES/ UFRN
  85. Marcello Guedes – Departamento de Fisioterapia
  86. Sandra Fernandes Erickson - Departamento de Línguas e Literaturas Estrangeiras Modernas
  87. Verônica Ferreira - Departamento de Serviço Social.
  88. Luciana Mendes - Departamento de Engenharia Biomédica
  89. Rosália de Fátima e Silva - DFPE-CENTRO DE EDUCAÇÃO
  90. Ricardo Valentim - Departamento de Engenharia Biomédica

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