Oposição articula CEI para investigar gestão Allyson em Mossoró
Natal, RN 14 de jun 2026

Oposição articula CEI para investigar gestão Allyson em Mossoró

28 de janeiro de 2026
5min
Oposição articula CEI para investigar gestão Allyson em Mossoró
Documento já reúne seis assinaturas — de sete necessárias para que a CEI seja instaurada - Foto: divulgação

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A oposição na Câmara Municipal de Mossoró anunciou na manhã desta quarta-feira (28) que vai buscar a instauração de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar a gestão do prefeito Allyson Bezerra (União), que é pré-candidato ao governo do Rio Grande do Norte. O documento já reúne seis assinaturas — de sete necessárias para que a CEI seja instaurada — e conta com aliados improváveis, como parlamentares do PT, PL, MDB e União Brasil, este último o próprio partido do prefeito. O documento foi apresentado pela vereadora Plúvia Oliveira, do PT, e recebeu apoios de Marleide Cunha (PT), Jailson Nogueira (PL), Mazinho do Saci (PL), Cabo Deyvison (MDB) e Wiginis do Gás (União). 

Durante a coletiva, os vereadores destacaram que a crise na saúde tem afetado diretamente a população mossoroense, com falta de medicamentos, precarização dos serviços e denúncias de contratos suspeitos. Eles defenderam o andamento das investigações. “Mossoró não pode fechar os olhos para o que está acontecendo na saúde. Estamos falando de denúncias graves, de possíveis esquemas de corrupção e de um serviço que deveria cuidar da vida das pessoas, mas que hoje gera insegurança e indignação. A CEI é um instrumento legítimo da Câmara para investigar, dar transparência e proteger o dinheiro público”, afirmou Plúvia Oliveira.

Já Marleide Cunha (PT) cobrou o empenho de vereadores da base do prefeito para que assinem a CEI. “O prefeito é citado em diálogos que recebe propina. Então, isso é muito grave, não é coisa pequena. E essa Casa tem a obrigação constitucional e a obrigação com o povo de buscar as respostas, os esclarecimentos, de ter todas as explicações devidas”, disse.

Cabo Deyvison (MDB) afirmou, por sua vez, que a “CEI é importante porque ela consegue ter acesso a materiais, a investigações sigilosas”. Jailson Nogueira (PL) defendeu que a oposição dê uma resposta à situação vivida no município. “Nós temos que esclarecer o que é que está acontecendo em Mossoró, através da CEI ou através de ofício ao Ministério da Saúde, ao MP, para que eles também se pronunciem a respeito desse fato.”

Apoio estadual não se reflete no município

Cabo Deyvison deve deixar o partido depois que o MDB, por meio do vice-governador Walter Alves, anunciou apoio a Allyson Bezerra para governador. Já Wiginis do Gás, embora filiado à mesma sigla de Bezerra, está rompido com o chefe do Executivo desde o fim de 2025. Em novembro, ele disse que a decisão se deu por não apoiar a pré-candidatura da esposa de Allyson à deputada. “Não faço mais parte da base do prefeito Allyson Bezerra. Fui expulso da base, já comuniquei ao líder Alex do Frango (PSD), por não me curvar, por não baixar a cabeça”, disse ele em 5 de novembro. Já o PL em Mossoró 

Já PT e PL não apoiam o prefeito desde o início da gestão; nas eleições de 2024, o PT apoiou a candidatura de Lawrence Amorim (PSDB) e o PL lançou candidatura própria com Genivan Vale.

Operação da PF

A Polícia Federal, em ação conjunta com a Controladoria-Geral da União, deflagrou a Operação Mederi com o objetivo de desarticular um esquema criminoso voltado ao desvio de recursos públicos e a fraudes em procedimentos licitatórios na área da saúde no Rio Grande do Norte.

Ao todo, foram cumpridos 35 mandados de busca e apreensão, além da adoção de medidas cautelares e patrimoniais autorizadas pela Justiça Federal, em diferentes cidades do estado. As diligências incluíram o cumprimento de ordens judiciais em Mossoró, Natal, Paraú, São Miguel, Upanema, Serra do Mel, Pau dos Ferros e José da Penha. Em vídeo publicado após a ação, Allyson revelou que a PF apreendeu em sua casa um celular, um notebook e dois HDs pessoais.

Além de Allyson, também foram alvo de mandados de busca da PF o vice-prefeito de Mossoró, Marcos Medeiros (PSD) — que deve assumir a Prefeitura em abril quando Allyson renunciar para concorrer ao Governo do RN —, o prefeito de São Miguel, Leandro do Rego Lima (União), o Prefeito de Paraú, Júnior Evaristo (PP) e a chefe de gabinete de José da Penha, que é irmã do prefeito. Outro endereço visitado pela PF foi a casa do irmão do prefeito de São Miguel.

Segundo as investigações, há indícios de irregularidades em contratos de fornecimento de insumos à rede pública de saúde, envolvendo empresas com sede no RN que atuavam junto a administrações municipais de diversos estados. Relatórios de auditorias da CGU apontam falhas na execução contratual, como indícios de não entrega de materiais, fornecimento inadequado e sobrepreço nos produtos adquiridos.

A PF informou que os investigados poderão responder por crimes relacionados a desvios de recursos públicos e fraudes em contratações administrativas, em apurações que ainda se encontram em fase de aprofundamento e coleta de provas.

Até às 18h11 desta terça, segundo a PF, a operação resultou na apreensão de R$ 251.502,00 em espécie, distribuídos em sete locais de busca, além de 33 aparelhos celulares, 34 mídias diversas (pen drives e computadores), quatro veículos e 114 documentos.

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