Greve na UFRN: para professores, decisão por plebiscito é antidemocrática
O plebiscito lançado pela Associação dos Docentes da UFRN (Adurn-Sindicato) para decidir sobre a continuidade ou suspensão da greve na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) será encerrado nesta sexta-feira (31). Porém, em uma carta aberta que já conta com a assinatura de mais de 80 pessoas, os professores da instituição questionam a legitimidade da realização de um plebiscito sem uma discussão anterior em assembleia.
“É a ruptura do método que vínhamos realizando anteriormente. Todo e qualquer plebiscito deve ser precedido de assembleia. Essa decisão de ir direto ao plebiscito foi sem participação de membros do comando de greve, foi decidido por um grupo menor de pessoas do sindicato. Na nossa interpretação, houve um encaminhamento antidemocrático, é na assembleia o espaço para discussão de argumentos. O plebiscito vai sem discussão do conteúdo político, o que traz um prejuízo enorme. Não questionamos a legitimidade do plebiscito, mas sua realização sem uma discussão anterior. Houve a quebra do método de discussão coletiva na UFRN”, argumenta o professor César Sanson, do Departamento de Ciências Sociais da UFRN.
Saiba +
Proifes vai recorrer da decisão judicial que cancela acordo com governo
O plebiscito foi aberto na quarta (29) e termina hoje (31). Nele, apenas os professores da ativa podem votar se aceitam a proposta do governo federal e encerram a greve ou se permanecem a paralisação, o que também não passou despercebido pelos docentes.
“O plebiscito foi realizado num feriado e sem a participação dos aposentados, que estão entre os mais prejudicados na proposta feita pelo governo. Eles não têm direito ao voto, apesar de serem parte expressiva dos docentes da Universidade”, acrescenta Sanson.
O plebiscito para votação foi aberto depois que a Federação de Sindicatos de Professores e Professoras de Instituições Federais de Ensino Superior e de Ensino Básico Técnico e Tecnológico (Proifes-Federação) assinou um acordo com o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), na última segunda (27). Os professores, porém, se manifestaram contra o acordo e chegaram a mobilizar um abaixo-assinado pela desfiliação do Adurn-Sindicato à Proifes.
“Temos percebido uma resistência às discussões de caráter coletivo na UFRN, em assembleia. O sindicato, ao invés de se colocar ao lado das decisões decididas na assembleia, parece não se sentir parte do que é decidido coletivamente e, na falta de argumentos para sustentar as próprias posições, esvazia os debates. Essa é uma clara medida de esvaziamento do debate político dentro da universidade, o que é contraditório já que as universidades são, justamente, o espaço para discussão. É vergonhoso que o sindicato se coloque dessa maneira”, aponta Sanson, que integra o comando de greve pelo Centro de Ciências Humanas Letras e Artes (CCHLA) da UFRN.
Na atual greve dos professores dos Institutos e Universidades federais, que na UFRN começou no dia 22 de abril, a categoria já havia votado dois plebiscitos, mas ambos foram precedidos por assembleias para debater o conteúdo da votação. No 1º foi decidido a adesão da Universidade à greve e no 2º foi votada a rejeição da proposta feita pelo governo federal.
A Agência Saiba Mais tentou contato com o Adurn-Sindicato por ligação e mensagem, mas não obtivemos retorno até a publicação desta matéria.
Confira a carta na íntegra:
Prezadas e prezados colegas docentes da UFRN
Depois de duas décadas sem greve na UFRN, não nos restam mais dúvidas que estávamos enferrujados. Tanto a gestão da instituição como a direção sindical evidenciaram debilidades que logo precisaremos encarar.
O plebiscito é um expediente que deve ser melhor discutido. Ele rompe com uma tradição clássica do movimento sindical que sempre teve nas assembleias o espaço por excelência da argumentação política e seus contraditórios.
Em nome de uma ampliação quantitativa e supostamente mais democrática, exime alguns de se manifestarem publicamente e joga para o privado aquilo que é essencialmente coletivo. E pior: exclui os aposentados da tomada de decisão, num claro etarismo neoliberal. Precisamos conversar sobre isso.
Dos fatos:
Nas duas vezes que utilizamos o plebiscito nesta greve foi como confirmação ou rejeição de encaminhamentos prévios e democraticamente debatidos nas assembleias. Já este plebiscito é decorrência de um acordo rejeitado pela categoria, tanto aqui quanto na ampla maioria das UFs de todo o Brasil.
Com ele se busca legitimar um acordo ilegítimo, assinado pela PROIFES à revelia da opinião majoritária da categoria e que insiste em nos comparar com sindicatos cartoriais sem base alguma. Isso é indigno para os nossos 2503 associados ao Adurn Sindicato e as centenas de não filiados. Ainda mais: o PROIFES, com a assinatura do acordo, tenta impedir a continuidade das negociações e nos empurra o vergonhoso 0%.
Este plebiscito em curso, parcialmente realizado num feriado, sem assembleia nem debates prévios, é um erro. Precisamos de uma assembleia na próxima semana que traga nossa pauta de desfiliação da PROIFES. Os expedientes para inviabilizar as greves estão no DNA desta federação.
No “silêncio” do clic, a política morre!
- Haroldo Loguercio Carvalho – Departamento de História
- Cesar Sanson – Departamento de Ciências Sociais
- Gabriel E. Vitullo – Departamento de Ciências Sociais
- Erika dos Reis Gusmão Andrade – Departamento de Fundamentos e Políticas da Educação
- Sávio Araújo – Departamento de Artes
- Ilana Paiva – Departamento de Psicologia
- Fernando Pureza – Departamento de Práticas Educacionais e Currículo
- Henrique Wellen – Departamento de Serviço Social
- Esther Majerowicz – Departamento de Economia
- Janaynna de Moura Ferraz – Departamento de Ciências Administrativas
- Fellipe Coelho Lima – Departamento de Psicologia
- Túlio Souza – Departamento de Fisioterapia
- Antoinette de Brito Madureira – Departamento de Serviço Social
- Aliny Pranto – Departamento de Práticas Educacionais e Currículo
- Walter Pinheiro – Departamento de Fundamentos e Políticas da Educação
- Jacyene Melo de Oliveira Araújo – Departamento de Fundamentos e Políticas da Educação
- Juliane Vargas Welter – Departamento de Letras
- Mauro Dunder – Departamento de Letras
- Ana Virgínia Lima da Silva Rocha – Departamento de Letras
- Marcilio de Souza Vieira – Departamento de Artes
- Juliana Melo, Departamento de Antropologia
- Marisa Narcizo Sampaio – Departamento de Práticas Educacionais e Currículo
- Sílvia Regina Groto – Departamento de Práticas Educacionais e Currículo
- Mariangela Momo – Departamento de Fundamentos e Políticas da Educação
- Jaqueline Castilho Machuca – Departamento de Letras
- Maria da Penha Casado Alves – Departamento de Letras
- Carmen Alveal – Departamento de História
- Patricia Ferreira Botelho – Departamento de Letras
- Roberto Airon Silva – Departamento de História
- Rodrigo Ielpo – Departamento de Línguas e Literaturas Estrangeiras Modernas
- Lucas Trindade da Silva – Instituto Humanitas
- Mahayana C. Godoy – Departamento de Letras
- Magno Francisco de Jesus Santos – Departamento de História
- Thayane Silva Campos – Departamento de Línguas e Literaturas Estrangeiras Modernas
- Clebson Luiz de Brito – Departamento de Letras
- Maria Emília Monteiro Porto – Departamento de História
- Eduardo Aníbal Pellejero – Departamento de Filosofía
- Jáder Ferreira Leite – Departamento de Psicologia
- Nuno Miguel de Morais Pestana Tarouca Camarinhas – Departamento de História
- Laís Guaraldo – Departamento de Artes
- Soraia Maria do S. C. Vidal – Instituto de Políticas Públicas
- Andrey Pereira de Oliveira – Departamento de Letras
- Renata Viana de Barros Thomé – Departamento de Fundamentos e Políticas da Educação
- Gilmar Santana – Departamento de Ciências Sociais
- Cimone Rozendo – Departamento de Ciências Sociais
- Cynara Carvalho de Abreu – Departamento de Psicologia
- Marconi Neves Macedo – Departamento de Administração Pública e Gestão Social
- Mozart Fazito – Departamento de Turismo
- Melissa dos Santos Lopes – Departamento de Artes
- Alessandra Castilho Ferreira da Costa- Departamento de Letras
- Derivaldo dos Santos – Departamento de Letras
- Tadeu Mattos Farias – Departamento de Psicologia
- Susana Isabel Marcelino Guerra Domingos – Departamento de HIstória
- Laura Carolina Lemos Aragão – Departamento de Psicologia
- Paulo Henrique Duque – Departamento de Letras
- Ada Lima Ferreira de Sousa – Escola de Ciências e Tecnologia
- Irene Alves de Paiva -Departamento de Ciências Sociais
- Elisete Schwade – Departamento de Antropologia
- Marta Gonçalves Dep. Letras
- Silvana Mara de Morais dos Santos – Departamento de Serviço Social
- Julie Cavignac – Departamento de Antropologia
- Daniela Neves – Departamento de Serviço Social
- Regina Johas – Departamento de Serviço Social
- Rita Neves – Departamento de Antropologia
- Arlete dos Santos Petry – Departamento de Artes
- Mônica Mourão – Departamento de Comunicação Social
- Janaine Aires – Departamento de Comunicação Social
- José Glebson Vieira – Departamento de Antropologia
- Ana Karenina Arraes Amorim – Departamento de Psicologia
- Larissa Kelly de Oliveira Marques- Departamento de Artes
- Rozeli Porto – Departamento de Antropologia
- Flávio Boleiz Júnior – Departamento de Fundamentos e Políticas da Educação
- Maria Goretti C. Barbalho – Departamento de Fundamentos e Políticas da Educação
- Kátia Regina Lopes Costa Freire – Departamento de Fundamentos e Políticas da Educação
- Danielle Oliveira da Nóbrega – Departamento de Fundamentos e Políticas da Educação
- Antônio de Pádua dos Santos – Departamento de Educação Física
- Denise Maria de Carvalho Lopes – Departamento de Fundamentos e Políticas da Educação
- Alessandra Cardozo de Freitas – Departamento de Fundamentos e Políticas da Educação
- Heloisa Lima Perales – Departamento de Fundamentos e Políticas da Educação
- Luciane Terra dos Santos Garcia – Departamento de Fundamentos e Políticas da Educação
- Andréia da Silva Quintanilha Sousa – Departamento de Fundamentos e Políticas da Educação
- Robério Paulino – Instituto de Políticas Públicas
- Marcelo Taveira – Faculdade de Engenharia, Letras e Ciências Sociais do Seridó
- Dimitre Soares Departamento de Direito – CERES/ UFRN
- Marcello Guedes – Departamento de Fisioterapia
- Sandra Fernandes Erickson – Departamento de Línguas e Literaturas Estrangeiras Modernas
- Verônica Ferreira – Departamento de Serviço Social.
- Luciana Mendes – Departamento de Engenharia Biomédica
- Rosália de Fátima e Silva – DFPE-CENTRO DE EDUCAÇÃO
- Ricardo Valentim – Departamento de Engenharia Biomédica
Saiba +
Justiça cancela acordo para fim da greve nas universidades e IFs
Greve UFRN: Adurn decide por plebiscito sem fazer assembleia antes
IFRN deve seguir em greve mesmo após Proifes fechar acordo com governo
UFRN: professores rejeitam proposta do governo e continuam em greve