TRANSPARÊNCIA

Equipe da Sputnik V avalia que razões para negativa do Brasil são políticas e desafia Anvisa a debate público no Congresso

Com um apelo a salvar vidas no Brasil, o fabricante da vacina russa Sputnik V lançou um desafio através da sua conta no Twitter: “estamos convidando a Anvisa para um debate público perante a comissão competente do Congresso do Brasil”. Para a equipe, “decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de adiar a aprovação da Sputnik V é, infelizmente, de natureza política e nada tem a ver com o acesso do regulador à informação ou ciência”.

Todas as questões técnicas levantadas pelos diretores da Anvisa para emissão do parecer contrário à importação do imunizante foram respondidas pela equipe da Sputnik V em documento divulgado nesta terça-feira, 27.

Segundo a equipe da vacina russa, a declaração da Anvisa sobre “adenovírus de replicação-competente (RCA)” associados com a Sputnik V não é verdadeira. “Uma carta oficial do Centro Gamaleya no 26 de março antes da missão claramente dizia: não um só lote contendo RCA foi registrado”. E afirma que “os controles de qualidade durante todo o processo de produção da Sputnik V garantem que RCA não pode existir na vacina”.

A equipe da Sputnik lembrou, ainda, que a decisão da Agência “contradiz uma decisão anterior do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), que reconheceu a vacina Sputnik V como segura e permitiu sua produção no Brasil”.

Mais de 60 países, de acordo com o Fundo Russo, já aprovaram o uso da vacina Sputnik V que teve eficácia de 91,6% contra a doença, segundo resultados preliminares publicados na revista científica “The Lancet“, uma das mais respeitadas do mundo. A eficácia contra casos moderados e graves da doença foi de 100%. Sputnik é administrada em duas doses, com intervalo de 21 dias entre as doses.

A avaliação sanitária é diferente da avaliação de uma revista científica, que não tem por objetivo recomendar ou aprovar uso. Uma revista científica não tem por objetivo recomendar ou não o uso de uma vacina, nem tem o compromisso de verificar boas práticas clínicas ou tem como pressuposto o acesso a todos os dados brutos e laudos“, rebate Gustavo Mendes Lima Santos, responsável pela gerência.

Ainda segundo a agência, a maioria dos países que autorizaram a aplicação da vacina não têm tradição na análise de medicamentos.

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Segundo fabricante do imunizante da Rússia, equipe da agência brasileira em Moscou “teve pleno acesso a todos os documentos relevantes” e situação decorre de pressão dos Estados Unidos.

Em março, veio à tona um relatório do governo dos Estados Unidos produzido na gestão de Donald Trump com a afirmação que o país persuadiu o Brasil a não comprar a vacina desenvolvida pela Rússia.

O documento fala sobre “combater as influências malignas nas Américas“, e aponta que o Escritório de Assuntos Globais (OGA) do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA (HHS, na sigla em inglês) “usou as relações diplomáticas na região para mitigar os esforços” de Cuba, Venezuela e Rússia, “que estão trabalhando para aumentar sua influência na região em detrimento da segurança dos Estados Unidos“.

O fundo soberano russo (RDIF), que financia a Sputnik V, afirmou que “o Departamento de Saúde dos Estados Unidos confirmou publicamente que pressionou o Brasil contra a Sputnik V” e criticou o governo americano. “Os países devem trabalhar juntos para salvar vidas. Os esforços para minar as vacinas são antiéticos e custam vidas“.

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