TRABALHO

Potiguares fazem arrecadação para participar do “Grito da Pesca Artesanal”, em Brasília

O Movimento Nacional de Pescadores e Pescadoras Artesanais (MPP/Brasil) vai realizar, entre os dias 21 e 25 de novembro, o ”Grito da Pesca Artesanal”, em Brasília (DF), e trabalhadores potiguares estão arrecadando verba para conseguir participar do evento.

O Grito da Pesca é realizado desde 2004, sempre no dia 21 de novembro, data em que é comemorado o Dia Mundial da Pesca Artesanal, com mobilizações e reflexões em favor dos povos das águas e territórios pesqueiros.

Um grupo de pelo menos 10 pescadores de Natal, Macau, Cotovelo, Canguaretama, Galinhos e Diogo Lopes vai apresentar as pautas do estado no encontro nacional.

De acordo com o coordenador do MPP no Nordeste, Armando Santos, parte da comunidade pesqueira espera ainda indenização pelo derramamento de óleo no Nordeste ocorrido em 2019, que contabilizou 1.009 localidades afetadas em 130 municípios do Maranhão ao litoral norte do Rio de Janeiro.

“Poucos foram beneficiados. O governo [federal] prometeu o restante e até hoje ainda não recebeu, mas está na Justiça”, afirmou, destacando outras questões que precisam ser discutidas, como a instalação de parques eólicos offshore, em alto-mar, que podem alterar a base da economia pesqueira regional. O debate sobre o impacto das eólicas será levado pelo potiguares a audiência pública, que será ainda solicitada.

A mobilização pretende expor a invisibilidade das comunidades litorâneas e também as consequências econômicas, sociais e de saúde sofridas por essas pessoas em decorrência da pandemia da covid-19.
“A ideia inicial era organizar um ônibus, mas é muito caro e não temos esses recursos em mãos. Por isso, formamos uma comissão com dez pessoas. Serão praticamente 10 dias, porque são entre 5 e 6 dias de viagem e 5 dias lá em Brasília”, contou Armando, que tem divulgado o número de sua conta para arrecadar dinheiro em nome do grupo.

Agência Banco do Brasil: 1246-7
Conta Corrente: 57872-x

Um levantamento do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), estimou em 2012 que no Rio Grande do Norte existiam cerca de 30 mil pescadores artesanais, sendo essa uma atividade pesqueira destinada geralmente à subsistência de pequenas colônias de pescadores em regiões ribeirinhas e litorâneas, que utilizam redes de pequeno porte, tarrafas, linhas, dentre
outros artefatos.

O coordenador regional do MPP acredita que o número é menor, em torno de 18 mil. Em colônia ou alguma associação de pesca: “A gente fez um acompanhamento em 2018 com a Confederação Nacional de Pescadores e Aquicultores. Provavelmente não ultrapassa 20 mil. Não é um número oficial. Nem todos são credenciados, em colônias ou associação de pesca artesanal. E tem também os amadores. Todos os profissionais passam por curso na Capitania dos Portos”.

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Isabela Santos é jornalista e repórter da agência Saiba Mais