CULTURA

Artesã do RN firma contrato com grande varejista de móveis e decoração

O capim-navalha, pelas mãos da mestra artesã Maria do Carmo Porfírio Costa, 66, saiu de São José de Mipibu, no Rio Grande do Norte e vai para as vitrines da rede de lojas Tok&Stok, de móveis e acessórios de decoração. Seissentos lírios feitos com o material foram encomendados.

Maria do Carmo foi descoberta pela empresa no 14º Salão do Artesanato Raízes Brasileiras, realizado no final de outubro, em Brasília. A potiguar é uma das artesãs que tem apoio da Secretaria de Estado do Trabalho, da Habitação e da Assistência Social (Sethas) por meio do Programa Estadual do Artesanato do RN (Proarte). O Programa seleciona artesãos de todo o estado para participação em feiras locais e nacionais.

Maria do Carmo foi convidada do evento pelo Salão dos Mestres e a filha dela, Cláudia Patrícia Porfírio da Costa, foi uma das oito artesãs selecionadas para o 14º Salão do Artesanato.

As tulipas são o produto final de um processo autossustentável que vem de uma raiz familiar. A ideia foi semeada e germinada dentro daquela história de aprendizado e ensinamento entre mãe e filha. Foi assim que Maria do Carmo aprendeu o ofício do artesanato, aos 20 anos de idade, amassando o barro que, esculpido para ganhar formas e depois queimado, vira panela e outros utensílios utilitários para a cozinha e o lar.

Dona Maria Porfírio, mãe de Maria do Carmo, levava a filha em caminhadas de casa até o barreiro de onde extraíam o barro para as panelas e outros materiais como a confecção de flores. A matéria-prima toma formas até onde a criatividade vai desde então.

A mãe lhe ensinou a trabalhar com barro e com as fibras vegetais para fazer flores. E foi nas horas de descanso, no remanso da árdua atividade de extração do barro, que ela encontrou nos charcos (área alagadiças) da região o capim-navalha.

De acordo com a mestra, o capim-navalha é bastante resistente. Depois de extraído do charco, é estendido ao sol por um dia e meio, e deixado tomando sereno por noites para amaciar. É esse processo que prepara o capim para a manipulação.

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