TRABALHO

Pesquisa do IBGE mostra retração do mercado de trabalho em 2020 e aumento de desigualdades sociais

A pesquisa Síntese de Indicadores Sociais (SIS): uma análise das condições de vida da população brasileira, divulgada nesta sexta-feira, dia 3, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou o tamanho do impacto da pandemia no mercado de trabalho brasileiro. O estudo compara dados de 2019 e 2020.

De acordo com o levantamento, a pandemia de coronavírus piorou os resultados do mercado de trabalho, que já eram insuficientes para melhorar as condições de vida da população brasileira. Em 2020 houve uma retração de 4,8% do Produto Interno Bruto (PIB) per capita (por pessoa) e de 6,2% do consumo das famílias per capita. Essas quedas foram acompanhadas por altas: a da taxa de desocupação e de subutilização do trabalhador. Em 2020, a taxa de desocupação, que pode ser lida como desemprego, ficou em 13,8%.

Já a taxa de subutilização, que trata dos trabalhadores que gostariam de trabalhar mais horas e ganhar um salário maior, ficou em 28,3%. No mesmo ano, pela primeira vez na série histórica, o nível de ocupação atingiu somente 51% da população economicamente ativa. E entre os jovens entre 14 e 29 anos a situação foi ainda pior: apenas 42,8% dos que estavam no mercado de trabalho estavam ocupados em 2020.

Desigualdades sociais 

A SIS confirmou que as desigualdades brasileiras no mercado de trabalho foram acentuadas durante a pandemia. Em um panorama geral, os índices de ocupação sofreram declínio, os de desocupação aumentaram. Mas os números são piores em grupos que já apresentavam desvantagem histórica na sociedade. Jovens e mulheres também estão entre os mais prejudicados durante o período.

Márcio Fernandes/ Estadão

Negros no mercado de trabalho: maioria e com menores salários

Além de maioria entre os desempregados (46%), a população negra também recebe menores salários. A diferença média de rendimentos mensais de brancos e pretos ou pardos ultrapassa R$ 1.200,00. Entre os empregados do país, negros ocupam cargos caracterizados por baixos rendimentos e alta informalidade.

Os setores que empregam maioria de pretos e pardos são: Agropecuária; Construção; Comércio e Reparação; Serviços Domésticos. Atividades que exigem maior nível de escolaridade e cargos com maiores salários são ocupados, em maioria, por pessoas brancas. Informação, administração pública, educação, saúde e serviços sociais, atividades que apresentaram rendimentos superiores à média, foram setores com maior participação de pessoas brancas. Os setores também foram menos prejudicados com a baixa da demanda de mão de obra durante a pandemia.

A desigualdade de salários também atinge altos cargos. Em 2020, pessoas brancas com ensino superior completo receberam em média R$ 33,8 por hora trabalhada, enquanto as pessoas negras, R$ 23,4. A diferença média entre pessoas com todos os níveis de escolaridade foi de 69,5% em favor da população branca.

Desigualdade entre gêneros

Em 2020, apesar de pessoas do sexo feminino atingirem rendimentos maiores dentro do próprio grupo em comparação a anos anteriores, o aumento ainda não se equipara com rendimentos de pessoas do sexo masculino considerando o mesmo período. A média de diferença de rendimentos entre homens e mulheres é de R$ 600,00.

Mulheres também são maioria entre os “subocupados”. Cerca de 52% da população que se encontra em ocupações nas quais “exerce um número de horas trabalhadas inferior a 40 horas semanais, possui disponibilidade para trabalhar mais horas, seja em um segundo trabalho, seja substituindo o trabalho atual por um outro em que tenha carga horária maior, e tem interesse em trabalhar mais horas”, segundo definição do IBGE.

Desemprego de jovens 

Em momento de crise, os jovens são os mais prejudicados no mercado de trabalho. A taxa de desocupação entre jovens atingiu 13,8 em 2020. Em 2019, os números apresentavam 11,8%. As métricas consideram pessoas de 14 a 29 anos.

O estudo faz parte da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) em parceria com o SCN (Sistema de Contas Nacionais). Dados colhidos de maio a novembro de 2020 pelo grupo especial Pnad Covid-19 também foram utilizados.

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