CULTURA

Potiguar do meme “Vai mulher, reage, bota um cropped” mudou de conta nas redes sociais para se preservar da fama

Passados alguns meses da frase que virou meme “Vai mulher, reage, bota um cropped”, a potiguar Gabriela Gomes, de 22 anos, preferiu mudar o endereço do Twitter depois dos inúmeros acessos que sua conta pessoal passou a ter.

A jovem chegou a manter a conta privada durante alguns períodos, mas achou melhor mudar o endereço em definitivo diante da falta de controle diante dos prints que se espalharam pelo país. Gabriela é estudante de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e faz estágio em uma instituição pública que presta assistência jurídica a pessoas que não têm condições de pagar por ela.

O meme surgiu durante um conselho da irmã, Grazi. Em outubro do ano passado, Gabriela tinha combinado um encontro com um rapaz, mas acabou levando um bolo, o que deixou ela bem pra baixo. Ao procurar a irmã para chorar as pitangas, Gabriela ouviu o conselho inusitado: Vai mulher, reage, bota um cropped!

Postagem que virou meme na antiga conta desativada por Gabriela

Durante entrevista à agência Saiba Mais neste sábado (26), perguntei se o conselho tinha funcionado:

Sim! (risos) e aparentemente não só pra mim!”, comentou.

Gabriela também conta que não chegou a ter retorno financeiro, apesar da publicidade que o meme ganhou.

Na verdade, dois marqueteiros me procuraram, mas não fecharam nada. Eu sinto que parece bem mais conveniente pra eles não pagar por algo que não é palpável, sabe? Esse tema que envolve direito autoral na internet é bem recente, talvez existam lojas e marcas usando por aí sem que eu faça ideia, então, essa procura, fechar uma parceria e tudo mais, exige muita honestidade de quem está por traz das publis e propagandas”.

Atualmente, as questões ligadas a direitos autorais do meme estão sob os cuidados de uma advogada.

Desde o início eu não quis levar meu rosto pra fazer parte disso, tanto que na entrevista que dei pro O Globo, estava pensando muito mais em evitar o uso comercial indevido do meme, conseguirem me identificar enquanto proprietária daquilo e agirem de conforme, não ganhando dinheiro as minhas custas (risos). Então, meu meio termo foi simplesmente transferir essa responsabilidade de lidar com o que envolve meu bordão para uma advogada”, conta Gabriela.

Como a estudante de Direito desativou a conta antiga, não é mais possível ver outras postagens além daquelas que circulam pela internet por meio de print e que, como não poderia deixar de ser, se concentram na história do cropped. Pela nova conta, é possível perceber que Gabriela tem um humor ácido e debochado, de quem não está preocupada em agradar. Talvez, por isso, ela tenha preferido não se expor.

Eu respondo muito os meus amigos sobre isso dizendo que se fosse em outro momento da minha vida, eu embarcava nessa. Quem sabe mais nova, no auge dos 17 (risos). Hoje, essa ideia de fama, pessoalmente, não vejo com tanta estima. Não saberia dizer se dá pra se reservar do que é prudente você se reservar”, pondera Gabriela, que preferiu que a nova conta não fosse divulgada.

A jovem que, alguns dias depois da postagem, chegou a ter 80 mil curtidas, preferiu a liberdade do anonimato de uma mulher empoderada, com ou sem cropped.

Gabriela com a irmã Grazi (de vermelho) I Foto: cedida

Confira algumas repercussões do meme:

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